quinta-feira, abril 22, 2010

TRISTÃO E ISOLDA - Lázaro Barreto.


Um Wagner musicalmente cadenciado e cabisbaixo, a orquestra em surdina nos palcos e platéias, as vozes contidas muma tímida modulação, nada de arroubos e dos ribombos e das veemências de epopéias inoportunas, que André Gide tanto detestava. Wagner, Wagner, que lá, a seu modo superlativo, é um tanto ou quanto aborrecido, ah, Wagner, às vezes inteiramente nefasto.... Mas Tristão e Isolda é um embevecimento à parte. Bem haja, pois!

O hálito dos suspiros
sopra as velas na cama e no mar,
acende sorrisos inefáveis no chão e no ar.
Aos amantes,
que o sono do amor sorri, fisicamente,
a eles, sim, tudo de bom e do melhor!
Tudo em sintonia, nada de comoção.
Mesmo enevoado brilha muito em límpido
ângulo
de uma inesperada perspectiva....

Só depois dos interlúdios desentendidos
é que vem, destoante,
a bonança da saciedade malsã.
E assim o amor procura outro amor:
o que está farto de um
está sedento de outro.
Assim os espinhos prosaicos golpeiam
a vida fortuita,
que escorrega na primeira curva.

É assim que o amor imolado vira cinza,
para adubar outro amor.
Só assim a morte dos amantes
conserva a perpetuidade do amor?