sábado, julho 23, 2011

ENCONTROS DAS ALMAS - Lázaro Barreto.


No circo que é o Mundo e na tragi-comédia que é a Vida, o escritor James Joyce é o malabarista da linguagem e ao mesmo tempo bandido e herói da ação romanesca. Sabia alvejar a finalidade mas não conseguia caminhar a não ser cambaleando em linhas curvas. Para ele deus e o demônio eram apenas cordas frágeis nos dois lados da pinguela. Precisava virar-se do avesso (embebedar-se, alienar-se) para conseguir a passagem interminável para um destino volúvel. É assim que percebo a figura do escritor mais polêmico do século 20 sob as astutas lentes da biógrafa Edna O’Brien mo legível, contido, explicito livro publicado pela Editora Objetiva, RJ, 2001. Da leitura assimilo algumas das intrigadas proposições: a mulher é mais presciente (pág. 100); o ciúme é para homens menores (pág. 120); o Estado é Concêntrico e o Homem é Excêntrico (pág. 172); sentia como se tivesse perdido a chave do próprio inferno (pág. 179); o escritor é quem mais sente a dor humana (pág.184) – e assim ela (Edna) vai pelas páginas, de caniço e samburá. A beleza das estrelas aumenta na medida que são mais estudadas. É assim mesmo (eu como velho leitor já sabia) que espicha indefinidamente o fluxo mental e de consciência dele, a influenciar mundo afora uma nova postura literária diante da Vida e do Mundo. (Ver mais a respeito do assunto em meu blog (http://lazarobarreto.blogspot.com) – o artigo que escrevi em 1965, quando ainda morava em Marilândia, com o título de ULISSES de James Joyce).

Quem Não Comparece ao Encontro de Duas Almas?

A literatura brasileira
está ferida mortalmente em sua fluência
por duas lâminas afiadas:
- o pragmatismo da mídia
- o corporativismo universitário.
É melhor dizer logo:
Ou você tenha luz própria
(seja um cara famoso e rentável)
ou tenha livre trânsito nas cátedras e academias
e
possa dar e receber bolsas à mão cheia.
Caso contrário,
seu livro não sairá da gaveta,
seus poemas envelhecerão
no ineditismo.

A Internet Corrompe o Cérebro?
“As pesquisas mostram que nossa vida on-line é capaz de afetar a neuroquímica de nosso cérebro”. – Sherry Trukle, psicóloga norte-americana. “A memória fora do cérebro não é igual a memória dentro do cérebro. O que guardamos na cabeça nos permite fazer associações, conexões, aprofundar o conhecimento, elaborar reelaborar. É isso que nos torna únicos”. – Nicholas Can, escritor norte-americano. “Com a rede, o nosso conhecimento está mais amplo, mas mais superficial”. – Idem, idem.

Relações Humanas.
Na insônia o pensar obsessivo não mata, mas prolonga a agonia.
O sexo só afeta a saúde, negativamente, quando desperta desejos mórbidos.
O ciúme é mesmo o monstro de olhos verdes? Não, nada disso. É o monstro de olhos fuzilantes e ferinos, vermelhos em brasa, afugentando aos gritos e açoites o espírito do prazer físico. É o desmancha-prazer dos namorados e cônjuges em todas as épocas e lugares. Uma besteira descomunal.

Escrevendo (muito bem) sobre o relacionamento marido-esposa no final do século passado, a escritora Mary Del Priore, observa : “a postura mais responsável da mulher era comprovada pelas autoridades brasileiras. Quando uma família recebia um lote em bairros populares, o titulo de propriedade ia para ela e não para ele. A experiência demonstrou que, com muita freqüência, o pai seria capaz de vender o lote por uns trocados e ir embora. Já a mulher, com garras de leoa, protegia o abrigo da família”. Pura verdade.