sábado, junho 30, 2007

DOIS LANCES (*)

Eis abaixo o que julgo ser um dos primeiros poemas de Oswaldo André de Melo, publicado no “Diário Mercantil” de Juiz de Fora em 08/07/1969. Escrito na ocasião de uma visita que fez à minha mãe, quando o arraial era mais antigo e bucólico. 

“RECONHECIMENTO DA TERRA
(p/ Lauzinho porque Marilândia é dele com todo seu entendimento). 

primeiro a objetiva da máquina fotográfica guardará os verdes diversos da terra - o cansaço as lajes menininho jesus são pedro afundado na pedra na fé do povo – o rio: água limpa para a sede areia na rasura para os pés viajantes - a máquina fotográfica perpassa a laranja leite tirado na hora as falas do sabasquá bordado inácio solteiro - depois beija a face da virgem barroca seu séqüito de são sebastião sagrada família nosso senhor escondido na gaveta: aguardo da morte na semana santa decifra os cabelos de angélica corpos do sino suas vozes - a máquina fotográfica entre o forro da igreja nossa senhora do desterro o pagode no meio da noite. 

Em seguida, uma tentativa de poema deste bloguista, publicado no mesmo jornal de Juiz de Fora em 11/10/1968, na coluna dominical intitulada genericamente de “Poesia de Vanguarda” - vanguarda na época, é claro. 

DOIS LANCES DE MOÇA (para tática: lázaro barreto). Ela olhando: se essa rua fosse um rio e me levasse para mim, o chão erétil sob os pés na manhã colegial, é absurdo existir assim a fruta do meu ser em dia tosco-bobo, e todos me verão enxuta na chuva sorrindo o poema geral. Ela olhada: de dentro para fora a vibração do que na epiderme exulta, exasperando sem contatar, nem é bom pensar é tessétera nos recônditos ônditos mussica cantada inaudível vem ela reversível desenhando um sistema de carícias que punge na epiderme e derrama a cor da fala e filtra águas do murmúrio universal é tessétera e etcetéra. 

(*) Mantínhamos em Divinópolis, naquela época, um jornal literário chamado “AGORA”, através do qual intercambiávamos publicações com outros jornais literários do Brasil e até do Exterior. Em Juiz de Fora os amigos (afeiçoados, de ambas as partes até hoje, graças a Deus) editores eram Wagner Corrêa de Araújo e Clevane Pessoa de Araújo).