Quinta-feira, Dezembro 08, 2011

ASCENDÊNCIA GENEALÓGICA (*).

1 – De Paulo Barreto Lopasso:

Filho de Ana Paula Barreto Lopasso e Guilherme Barreto Lopasso, neto de Lázaro Valentin dos Reis Barreto e Inês Belém Barreto, bisneto de José Valentim Barreto e Isolina Gonçalves Guimarães, trineto de José de Oliveira Barreto e Maria Tereza de Jesus, tetraneto de Antônio José de Oliveira Barreto e Maria Archangela Tavares, pentaneto de Bernardo José de Oliveira Barreto e Josepha Maria de Jesus, sexta-geração de Antônio José de Oliveira Barreto (natural do Arcebispado de Braga, Portugal) e Anna Joaquina Cândida de Castro (natural de São Paulo).

2 – De Paulo Henrique Belém Barreto, casado com Layla Suchodko de Lima, filho de Lázaro Valentim dos Reis Barreto e Inês Belém Barreto, neto de José Valentim Barreto e Isolina Gonçalves Guimarães, bisneto de José de Oliveira Barreto e Maria Tereza de Jesus, trineto de Antônio José de Oliveira Barreto e Maria Archangela Tavares, tetraneto de Bernardo José de Oliveira Barreto e de Josepha Maria de Jesus, pentaneto de Antônio José de Oliveira Barreto e de Anna Joaquina Cândida de Castro (ele nascido no Arcebispado de Braga, Portugal, e ela em São Paulo).

(*) – dados colhidos no livro de genealogia “Família Oliveira Barreto”, editora Expresss, Divinópolis, MG., esgotado.

Segunda-feira, Dezembro 05, 2011

O ÂNGULO AUSPICIOSO - Lázaro Barreto.


“Arranjos de Pássaros e de Flores”, Poemas de Wilmar Silva, Editora Robertha Blasco, BH\MG, 2011.
Numa primeira leitura presumo que o título e todo o livro referem-se ao corpo da mulher amada com todas suas proximidades e confins, perfumes e cantorias, arranjos de pássaros e de flores. Na leitura momentânea, sem o crivo crítico, chego a ouvir os sons e aspirar as essências mais vivas da natureza ao mesmo tempo vegetal e mineral, sobremodo humana, quase sobre-humana. “Escorregadio vale em forma de trevo” leva-me “ao arranjo de veludinho e papoula”, dialoga “com a conterrânea matriz roseana”, como afirma Fabrício Carpinejar no prefácio “Delícias do Campo”. Esmiuçando a linguagem, lendo e relendo atenciosamente, não encontro outra alusão a não ser a encantação da sensualidade afetiva (a afeição sem problemas mentais, imbuída de incontáveis soluções físicas). Onde “apenas eu” (o autor diz na página 31) “enxergo o suor de virilha à língua” na “foz de orgasmo no festim floral” das dálias e dos melros. São 31 páginas de dez versos que evocam, sugerem centenas de páginas, milhares de leituras. Um livro, pois, muito importante.

Utilizando um vocabulário ao mesmo tempo sucinto e abrangente, suscita expectativas e derrama prerrogativas, insinuando, esclarecendo desejos e satisfações que rodeiam e enfeitam os espasmos da sexualidade. Inevitável, pois, a compilação de alguns versos a respeito do acasalamento dos pássaros com as flores, ou seja, do sequioso amante com a deliciosa amada: “vermelhos ramos, jasmim-dos-poetas\ quadratura de estacas, flora perfume” (página 43). “Invólucro de plêiades, do ventre estelar”\ “: constelação óptica de lóbulos e folíolos” (pág. 45). “É meu gosto em meu hálito de canário\ lasso eu crivo, cântaro de água e poço\ guardo no âmago cadente da memória\ teu sono de pássaro, errante-t miro-eu” (pág. 49). E assim por diante a sucessão de monólogos-diálogos, o encontro da fome com o que há de comer, a luz do desejo encontrando o prazer, o abraço cordial da flora com a fauna, o beijo crepitoso entre os amantes na solidão mais povoada deste mundo, apesar dos muitos percursos intransitáveis. O outro poeta, Alécio Cunha, afirma no prefácio: “É a agrolírica de Wilmar Silva, após suas intensas reflexões sobre o desordenamento da linguagem, lugar por excelência de embate, luta corporal entre forças centrífugas e centrípetas que ecoavam na própria estrutura, nada linear, dos poemas”.

O autor nasceu na cidade de Rio Piracicaba, Minas Gerais. Vivi algum tempo de minha juventude nas margens desse fabuloso Rio, trabalhando nas obras de construção da barragem e da usina hidrelétrica. O rio piscoso-volumoso-sinuoso inspirou-me um poema, na época, inédito até hoje, que agora publico aqui em homenagem ao autor de “Arranjos de Pássaros e Flores”:

RIO PARANAIBA (dedicado à Lacyr Schetino)

Uma noite (ou um estranho dia)
Cobria de ervas e detritos
As betoneiras e os guindastes
Que ameaçavam cobras e lagartos.

Seria maio? Agosto?
Trinta mil olhos de formigas testemunhavam meu pavor
Ao ver o rio levar a lua,
Que se agitava, que gritava, que chamava minha atenção
Atônita, ineficaz.

Entrementes
Ouço dizer que há répteis úteis e nocivos,
Que o diabo fez a ponte pênsil,
Que os cães não atacam pessoas nuas,
Que todos os brasileiros tem o olhos os olhos castanhos
E que a solidão....

Quinta-feira, Dezembro 01, 2011

GOTAS DE CHUVA E DE SOL - Lázaro Barreto.


1 – Do livro “Senhor PROUST”, de Celeste Albaret (enfermeira e amiga de Marcel Proust), trad. de Cordélia Magalhães, Edit. Novo Século, SP, 2008: “A doença não lhe causava medo. A única queixa que ele tinha era a de morrer sem terminar sua obra”, pag. 93. (...) “Acreditar que seus livros são a narrativa real de sua vida é fazer pouco caso de sua imaginação”, pag. 114.” Ele sempre foi a abelha que pousa, sem se enganar, sobre as flores boas”, pag. 179. “Quanto aos paraísos perdidos, Céleste, não existe quem os reencontre”, pag. 181. “Quando revejo todo o deserto em torno dele, penso: quê solidão! E que força de alma para tê-la desejado, e tendo desejado, para tê-la suportado!”,pág. 207. “A inteligência nela” (ele dizia da Princesa Bibesco) “é outra faceirice... Ela tem a poesia dos gestos e das palavras”,, pag. 268. “Eu” (a autora diz) “não tinha nenhum problema para sorrir, como a Gioconda: mas era feliz como uma flor azul dos prados”, pág. 321. Uma das cláusulas do Prêmio Goncourt, que ele recebeu, consta: “Ele é um escritor adiante de sua época, em mais de cem anos”, pag. 355. “Quando sabemos dizer, podemos dizer tudo” – ele diz na pag.367. “As lembranças jamais foram coisas mortas para ele. Ao contrário, elas sempre foram sua exaltação, para não dizer sua alegria”, pag. 377. “Senhor, muitas vezes minha mãe dizia, sobre o tempo: “quem o fez não o vendeu”. Ele me fez repetir. E disse: “Como é bonito, Céleste! Eu colocarei no meu livro”, E, com efeito, a frase está lá”, pag. 390. “Odilon” (marido de Céleste) e eu tivemos uma filha, Odile, que é o único ser do mundo por quem eu iria buscar a lua, como teria feito para o Sr. Proust, se ele tivesse me pedido”, pag. 424.

2 – Do livro “Como deixei de ser DEUS”,de Pedro Maciel, Edit. Topbooks, RJ, 2009: “Loucos nunca puderam circular livremente pelo centro ou arredores da minha cidade. Muitos morreram fingindo lucidez”, pag. 75. “O sol tem uma sombra tão iluminada que se vê à luz da noite”, pag. 135. “Há escritos tão sonoros que podem ser lidos de olhos fechados. O verdadeiro leitor tem de ser o autor amplificado”, pag. 117. “Quem colhe uma flor perturba uma estrela (...); a delicadeza do espírito de porco”, pag. 95. “Deus, para reinar não precisa existir”, página 23.

3 – De minha livre insinuação: se procuro ver e sentir materialmente a poesia como pensamento e sentimento da realidade, o que encontro é a ocorrência dela na vida e no mundo representando a Piedade e não a Violência nas ações humanas no tempo e no espaço.

4 – “Adoro carros, mas o carro é anti-urbano. Niemeiyer, discípulo de Le Corbusier, percebeu que o melhor a fazer era destruir a cidade tradicional e construir uma cidade inteiramente a serviço do automóvel. Isso não funciona”. São palavras de Paul Goldberg, professor crítico de arquitetura, em entrevista na VEJA de 23\11\2011.

5 – Contra o surrealismo do trânsito nas grandes cidades (e Divinópolis é uma delas), causando a violenta balbúrdia e a desastrada violência com milhares de mortos e feridos, acertada seria a contrapartida, ou seja, a adoção de outro tipo de surrealismo: a proibição da fabricação dos chamados carros-de-passeio em todo o mundo a partir de qualquer dia da próxima semana, do próximo mês ou do próximo ano, facultando apenas a fabricação de táxis específicos (automóveis de estrutura visual identificável, inconfundível). Assim, em vez de gastar dinheiro com o engarrafamento das artérias as gastariam menos com o aluguel do taxi para tempo e percurso determinados. Aí sim, a vida real seria possível – e o surrealismo ficaria apenas na estrutura visual dos carros de aluguel – e não no esbanjamento monetário dos ricaços e seus pobre êmulos.

6 – As Palavras Cruciais.
É preciso devolver ao jargão corriqueiro as palavras obsoletas,
Descolá-las do holocausto ou do sepulcro,
Transferi-las da inocuidade do monólogo para a loquacidade do diálogo.
É preciso surrupiá-las do dicionário
(um limbo imobilizado - só ao alcance dos apressadinhos),
Conduzi-las nos bolsos do corpo e do espírito:
Pinçar um barbarismo aqui, um arcaismo ali e depois
Escrevê-las nos troncos das magnólias e dos esporões,
Nas areias dos caminhos e nos pórticos das instituições:
Tudo isso (quem sabe?) para despertá-las, avivá-las,
Necessariamente.

Sexta-feira, Novembro 25, 2011

GRATIFICAÇÕES - Lázaro Barreto.


SESC PALLADIUM BH.
A luta pela vida saudável (individual e social) é bem penosa no ininterrupto tempo brasileiro. As perguntas dolorosas pululam, sem respostas. Mas de vez em quando vem uma pausa no azáfama – e assim nos reconciliamos com o otimismo da sonhada e real beatitude. Um período excepcional de gratificações deve ser, pois, mencionado. É o que faço citando a homenagem que o SESC PALLADIUM, de Belo Horizonte, prestou à memória de nosso saudoso e criativo GTO – um escultor que a poeta e artista plástica portuguesa, Anna Hatherly, julga ser mais importante do que Aleijadinho, herdeiro de uma tradição estilística, enquanto que GTO era sim o original criador de uma característica formal na melhor expressão de seu pertinente conteúdo. O evento festejou duas noites de sublime evocação num local maravilhoso dos belos jogos visuais das belas artes eternas e universais. Fiquei muito emocionado diante da projeção que deram à minha participação. Meus sinceros agradecimentos à toda equipe do SESC\ BH, coordenada por Luciana Felix.

OSVALDO ANDRÉ DE MELLO.
Minha atividade literária começada na juventude, nunca sofreu quedas de continuidade. Comecei escrevendo através de lápis, caneta, passei para a datilografia e ultimamente luto com as facilidades e dificuldades do computador. Recebi outro dia, em meu blog (http://lazarobarreto.blogspot.com), que já contém mais de oitocentas inserções de texto em prosa e verso, o comentário: “Publicação legal – este é realmente um blog bacana que você faz. Continue com este bom trabalho, eu voltarei. Saudações, assinado Bily Cletus”. Sirvo-me dele e da coluna semanal do diário de nossa cidade, “Gazeta do Oeste” ,para externar o que me ocorre e assedia. Tempos atrás havia mais receptividade na imprensa das grandes cidades aos autores do interior. Publicava textos em quase todos os veículos especializados do Brasil e em alguns do estrangeiro. Publiquei livro nas editoras VOZES DE PETROPOLIS e GUANABARA, do Rio de Janeiro. O Suplemento Literário do Minas, no tempo do Murilo Rubião, nunca recusou um trabalho que eu mandasse. Hoje a história é outra: as editoras preferem os autores bafejados pela mídia, mais vendáveis. Nesse longo período venho acumulando os originais de contos, poemas ensaios e romances – mais de dez volumes já digitados, robustos e inéditos. Cito estes fatos para ressaltar o belo gesto do poeta e amigo Osvaldo André de Mello, que se dispôs a publicar meu romance CANTAGALO – a Bacia das Almas, com prefácio de Irene Amaral, uma intelectual que entende de tudo e um tanto mais. Muita generosidade de ambos (Osvaldo e Irene).

OUTROS PRESENTES.
Voltei do SESC PALLADIUM com os belos e expressivos presentes: além dos belíssimos impressos de textos e informações sobre a obra de GTO: o “Um Dia a Árvore dos Sonhos Inopinados” , outro intitulado “Projeto DIGAS! Especial GTO” e o livro “GTO”, belíssimo na encadernação, na ilustração e na inserção de textos sobre a obra e a vida do escultor. Além de todas essas preciosidades, fui presenteado pelo poeta Wilmar Silva, com o livro lúdico, lírico, lindo “Arranjos de Pássaros e Flores” – e o romance de Pedro Maciel “como deixei de ser DEUS”, com ótimas referências críticas de Luiz Fernando Veríssimo, Antônio Cícero e Moacyr Scliar. Chegando em casa deparei com outros presentes em forma de livros: de Luiz Augusto Cassas: “A Mulher Que Matou” (poema-romance) e “A Ceia Sagrada de Míriam” (oferenda lírica) – e recebi, também, a agradável visita de Dieter Dross, escritor alemão, com a esposa e o filho de 2 anos, que vivem na Alemanha, com os livros: “A Pequena Cidade”, de Heinrich Mann, e “Herr Und Hund”, de Thomas Mann, ambos filhos de uma brasileira casada com um embaixador alemão, ainda no tempo do império.. O Dieter ainda teve a bondade de acrescentar o último livro de poemas-imagens dele: “Sugestões Para Pintar Sobre Paredes de Cavernas”. Belos e extensos momentos boa leitura me aguardam, pois.

PAULO BARRETO LOPASSO.
Na Festa do primeiro aniversario do primeiro netinho, ocorrida no mês passado na capital de São Paulo, quem ganhou o melhor presente foi o avô, eu: uma lembrança que jamais esquecerei. Indo daqui, com a família, ao chegar ao salão da festa, ele ao me ver, abriu os bracinhos, rindo, todo feliz. E recusou todas as outras ofertas de abraços e colos.... Ficou comigo a maior parte do tempo. Jamais vou esquecer a expressão de felicidade (que é uma constante em todo seu primeiro ano de vida, cercado que é de tantos carinhos) e otimismo. O leitor que me perdoe – não sei nem posso camuflar a felicidade.

Terça-feira, Novembro 22, 2011

Projeto Digas - especial GTO no SESC Palladium - BH

Segunda-feira, Novembro 21, 2011

SUSSURROS DO INCONSCIENTE - Lázaro Barreto.


Os paraísos perdidos: consegui deter ao menos um deles algum dia?
Penso que sim:
- no quintal de Marilândia, durante muito tempo...
- nas terras da Fontinha, durante pouco tempo....

Nos bastidores da mente muitos atores de língua presa tentam expressar suas crises existenciais. Muitos insetos aéreos fazem coro ao turbilhão da atmosfera, em redemoinho. Uma pétala de repente vira uma pedra ou vice-versa? Um verso resmunga, inaudível, do estribilho das engrenagens intransigentes. De repente o silêncio grita mais alto – e ninguém responde. A multiplicação dos ecos enche os abismos da noite de vorazes carrapatinhos. Você está ficando doido? Alguém pergunta e alguém responde, perguntando: doido ou doído? E assim um parágrafo de comédia engole outro, anunciando a introdução da tragédia no palco desolado. Cadê a platéia? O ator pergunta ao silêncio.

De repente o índio solitário seguia aos trancos e barrancos pelos campos e matas de sua terra natal, agora tão desnaturalizada. O capim revolvido, as árvores chorando copiosamente. O gato do mato assobiava uma canção desventurada, a cobra coral subia nas grimpas do coqueiro e de lá sumia de vista. De repente as pessoas desconhecidas surgiam e desapareciam nas moitas de japecangas dos aclives e desníveis mineireiros. As moitas de capim-gordura e de gravatás querem interpelar-me neste ponto do itinerário? Perguntam-me por que ando tão impávido e solerte nessas paragens? Onde foi que amarrei minha égua, por que errei tanto nesses caminhos enviesados? O certo é que caí nesta perdição ao mesmo tempo ínfima e infinita. Está ficando doido, a maitaca perguntava do galho de uma goiabeira frutificada. A noite tem mil caminhos. Tenho que encontrar o meu, esteja onde estiver. Quem sabe ele começa naquele bambual gigante?

O dia seguinte trazia um político (um dos anões do orçamento) dizendo: “De quem é o mundo? Se não é meu nem seu, então foda-se o Raimundo!” O pardal de galho em galho a perguntar se o comunista bom nasceu morto... A roubalheira deslavada avança nos quadrantes da nação. A fonte de renda dos corruptos entram e saem dos vasos de infames privadas. Ninguém tem vergonha na cara nesse desmiolado congresso governista? “Se você estivesse lá faria o mesmo” – o debochado diz ao pasmado. “Eu? Você me conhece. Sou incapaz de embolsar um tostão sequer do alheio...”. Ah, mas é aí que te pego, responde o acusador, acrescentando: “assim como é nunca chegará lá, ora pois!”

Os cavalos da insônia galopam no deserto empoeirado. Seus cascos retinem no chão pedregoso, seus focinhos famigerados suplicam clemência ao céu impiedoso. São animais sobre-humanos no afã de captar alguma transparência miraculosa. O falso poeta que se vale da falsa poesia para faturar sexualmente as mulheres ociosas ignora que do alto os urubus estão defecando em suas cabeças desmioladas. Entrementes os jornais não-governistas afirmam que só no período de 2003 a 2010 a corrupção política roubou dos cofres públicos 67 bilhões de reais... Todo o mal do país vem de cima para baixo – e o pessoal de cima só sabe conjugar a frase: “Mateus, primeiro os teus!” Até parece brincadeira, não?
A fina película de vida que cobre a terra
Está se afinando cada vez mais?
Os lugares da infância não cansam de chamar:
Sentem saudades da antiga salubridade?
O sucesso, ah que ilusão! Se um dia vier (sei que não virá), não será bem recebido. Nas dobras do pensamento incansável surgem as cálidas palavras: “Quem tem amor não dorme\ nem de noite nem de dia.\ fica virando na cama\ igual peixe na água fria”.

Quarta-feira, Novembro 16, 2011

AS SURPRESAS DA MEMÓRIA - Lázaro Barreto.


Vou muito a São Paulo onde vivem meus queridos membros da Família. Cansado de enfrentar e de sofrer o congestionamento da Fernão Dias: esperar horas e horas diante dos constantes e trágicos engarrafamentos, ah, não há cristão que agüenta. Ultimamente temos ido (eu e esposa) através da ponte aérea Confins – São Paulo, apesar de mesmo assim sofrermos o também constante engarrafamento na ida e na volta na área da chamada Grande-BH. O percurso só fica tranqüilo depois da Pampulha. E sempre que passo na região fico pensando nos percalços das tropas dos participantes da famosa Revolução Liberal das Guardas Nacionais em 1842. Meu trisavô paterno Bernardo José de Oliveira Barreto era, na época, o Comandante General da Companhia do Desterro, distrito do Tamanduá, constituída de um contingente de mais de cem militares com toda a escala hierárquica tradicional. O Desterro da época era imenso e muito povoado: mais de dez tabernas (nome das pensões) e a Igreja (inaugurada em 1754) não estava de costas, mas de frente para a população que descia o Morro do Areião e se esparramava até a região que hoje é chamada de Lavapés.

“A Revolução Liberal de 1842”, está na página 29 do livro do Cônego Marinho: “começou em Sorocaba, (SP) e propagou em Minas, e visava, não derrubar o Império, mas sim o Ministério que dissolveu as Assembléias, amordaçou a oposição, centralizou o poder executivo, limitando o poder político dos municípios”. Objetivo dos Liberais da Guarda era a marcha contra os governos provinciais atrelados ao poder central do Império. A Guarda do Desterro, reunida à de Oliveira e de Cláudio marcharam na direção de Ouro Preto (então capital da Província de Minas), passando pela mesma direção que hoje faço para chegar ao aeroporto de Confins – mas foram interceptados na região de Santa Luzia pelas forças do exército nacional comandadas por Duque de Caxias. Alguma parte dos rebelados foi presa, alguns foram mortos e outros feridos e muitos foragidos, inclusive meu trisavô.

O Cônego Marinho, no mesmo livro, informa que “a maior parte dos rebelados refugiaram-se nas matas onde eram buscados como se caçam as feras”. O nosso Bernardo escapou, mas aos trancos e barrancos pelo mato afora e adentro, seguindo as trilhas dos tropeiros (ele mesmo comercializava um grupo de tropeiros que baldeava do sertão de Minas para o litoral (Paraty, hoje no Estado do Rio de Janeiro) aguardente de cana, rapadura, carne e toucinho salgados e na volta traziam os produtos do estrangeiro (macarrão, perfumes, remédios, tecidos). De forma que a muito custo e depois de bom tempo chegou à região de Cláudio, terra de sua esposa Josepha Maria de Jesus, onde conseguiu um esconderijo seguro (conheço o local: o buracão de um esbarrancado repleto de vegetação e de regos de água límpida). Mas a represália aconteceu na devassa que fizeram em sua fazenda do Bonsucesso (a sede ainda existe e é sede de um órgão chamado “Criança Esperança” para a educação de menores desvalidos, mantido por uma corporação assistencialista alemã). Seqüestram os bens de seu armazém e loja no arraial e os bens móveis da fazenda, inclusive 140 bois.

Passado algum tempo a ordem de sua prisão foi anulada. E logo depois, numa eleição para preencher o cargo de Comandante da Guarda do Desterro, ele obteve 110 votos dos 126 votantes, mesmo não sendo candidato. Não é uma prova inequívoca do prestigio que desfrutava junto à tropa e de que não incorrera em erro ao apoiar a insurreição? Logo depois foi absolvido no processo que tramitava na Justiça e, ato contínuo, o Presidente da Província de Minas nomeou-o Comandante do Primeiro Batalhão da Guarda Nacional do Tamanduá, órgão mais importante - por ser de maior abrangência e de maior contingente. A data da nomeação: 26\10\1845.

O estudo da História é cheio de surpresas. A minha pesquisa para a escritura do “Memorial do Desterro” foi uma incursão belíssima e recompensadora, levando-me a dar mais um passo na direção de novos e desdobrados horizontes. Comecei a percorrer os caminhos da Genealogia – e logo no começo, no Arquivo da Diocese de São Del Rei descobri a certidão de nascimento do laureado Bernardo José de Oliveira Barreto, datada de 21\10\1797, constando ter nascido em 27 de agosto do mesmo ano, filho de Antônio José de Oliveira Barreto e de Anna Joaquina Cândida de Castro, neto paterno de Gregório Francisco de Oliveira e Maria Rosária de Freitas, da Vila de Guimarães, arcebispado de Braga, e neto materno de Faustino José de Castro, natural da Freguesia da Sé da cidade do Porto, e de Rosa Angélica da Luz, natural de Prados, Minas Gerais, sendo padrinho o ilustríssimo e excelentíssimo Sr. Bernardo José de Lorena, Governador e Capitão General da Capitania de Minas Gerais”, sendo a madrinha Hipólita Jacinta Teixeira de Mello, esposa do Inconfidente (ela também era uma inconfidente) Francisco Antônio de Oliveira Lopes.

Sexta-feira, Novembro 11, 2011

UMA FIGURA INESQUECÍVEL (*) - Lázaro Barreto.

Sebastião Gomes Guimarães nasceu em Nova Serrana, em 1917. Diplomou-se em Belo Horizonte em Clínica Geral e Cirurgia em 1941 – e veio trabalhar em Divinópolis em 1942. Eleito Prefeito do Município para o período de 1951-1955, quando ampliou os serviços de água, esgoto e calçamento na cidade, construiu a estação rodoviária, concluiu a construção do Colégio Estadual, abriu ruas e criou bairros e estradas vicinais. Já desfrutava de grande notoriedade exercendo as funções de Médico com muita competência, beneficiando muitas gerações, principalmente da classe pobre, inclusive dos municípios vizinhos. Exerceu o segundo mandato no período de 1959-1962 e depois pela terceira vez no período de1971-1973. Fazia das duas atividades a mesma profissão de fé numa espécie de liturgia sagrada de amor aos semelhantes.

A fidelidade ao critério de amor ao próximo mais do que a si mesmo é uma linha paralela ao seu amor do exercício da medicina. Creio até mesmo que não se casou temendo inibir a possível esposa na comunhão conjugal. Ela não aceitaria um marido absorvido em outro amor pessoal tão profundo – e assim ele teria que bancar o tirano no lar, desgostando a consorte, o que ao mesmo tempo contrariava seu amor próprio e ao próximo. Permaneceu celibatário por causa da arraigada constância afetiva de seus semelhantes, no que era plenamente correspondido pela inumerável clientela beneficiada.

Estou propenso a dizer que ele foi a pessoa mais perfeita que conheci até hoje. Despido de defeitos, repleto de virtudes. Médico humanitário, que entrou na Política considerando que a boa política é um local de comunhão das pessoas, sejam elas pobres, ricas, novas, velhas, feias, bonitas. O livro “Bão É O Bastião”, de Anamaria Mourão mostra muito bem que nele a Luta é sinônimo de Vida.

Sua mesa de trabalho no gabinete do prefeito e no consultório do médico era a mesma, sempre repleta de papéis anotados para o duplo exercício de sua faina cotidiana. Na opinião popular “ele tirava a doença com a mão”. Pessoa enigmática (de estranhos poderes?), carismática, confiante, persuasiva. Mediunidade ou competência acima do normal? As pessoas admiravam e agradeciam, mesmo estranhando tanta bondade afetuosa. Não cobrava as consultas. Se perdia o doente para a morte, assegura Anamaria Mourão, ele chorava. Não apalpava o doente, pedia que o próprio apalpasse. Sua finalidade, arguta e veraz, era extirpar a doença, curar o doente. Com toda e muita simplicidade, irreverência, obstinação.

Sua vida é um romance de humor e seriedade, um realismo beirando o surrealismo, o pitoresco amenizando o dramático. Fatos até de níveis folclóricos pipocam no seu dia-a-dia dinâmico. Teve um Fusca roubado durante a noite porque não usava a garagem, sabendo que a qualquer momento deveria sair para atender um doente. Deixava a porta do carro sem trancar e a chave da direção e os documentos no interior. Conta-se também o caso de que, indo com o parente de um doente na zona rural, ouvir dele, calado, os xingamentos contra o mau estado da estrada. Sem saber que o médico que o atendia caridosamente era o prefeito municipal, ele vituperava: “filho da mãe desse Prefeito que não cuida das nossas estradas. Ah, se um dia eu o encontrar, vou dar uns bons tapas na cara dele, ah, isso vou!” E ele bem ali, bem calado, reprimindo os solavancos do veículo. Outro caso verídico (este Anamaria conta no livro citado): “no consultório repleto de gente, a fila das consultas alongando-se no passeio”, ele ouve a pobre mulher com a criança doente no colo queixar-se do fato de a enchente ter levado o barracão em que morava. Nesse momento chega um fazendeiro rico, agradecendo o médico, por ter curado a esposa, dizendo ao doutor: “Hoje o senhor vai receber, querendo ou não” – e coloca na mesa o maço de cédulas. A cena, presenciada por todos teve o seguinte desfecho: o doutor Sebastião, coça a cabeça, mas logo vira-se para a mulher do barraco e entrega-lhe o pacote de notas e diz: “É para a senhora consertar a moradia. E não esqueça de passar essa pomada na coceira do menino”.

(*) Agradecimentos à Anamaria Mourão, pela amplitude da pesquisa contida no livro “Bão É O Bastião” – Editora O Lutador, BH, 1996.

Terça-feira, Novembro 01, 2011

OS FELIZES OITENT’ANOS - Lázaro Barreto.


Há quarenta mil anos que procurava,
Que procurava um livro, uma sombra,
Que procurava em toda parte a cósmica alegria
E a eterna lágrima
Da dor que eu sentia como filho de Deus
E enteado do Demônio.

E foi num dia de chuva, numa praça de pedra,
Que encontrei Carlos Drummond de Andrade,
No município de Guanhães, fração do universo
Mineiro que ele canta. Encontrei
O canto, o livro, a sombra.

Há quarenta mil anos que sondava a gruta
Do Levante Espanhol e da Lagoa Santa,
Procurava o papiro, a tábua da lei, a canção
Que encontrei nas portas abertas das montanhas
De Minas e de Drummond.

Li os poemas do homem falando com o homem,
Senti o choque e o repouso, o fluxo
Que me retém na faixa do silêncio revolucionário,
Onde cada palavra é um corpo que povoa o novo mundo.
Encontrei retraídas fichas de identificação,
Delicados meios e nuances de me comunicar
Através de muros e de mares:
Essa boa, farta e mansa, chuva de versos
Que semeia adeuses e caminhos.

Há quarenta mil anos que procurava
A sombra e o fogo dessa árvore
Que agora me embala e me sacode.

(Divinópolis, MG, 1973).

Anexo:
Cópia de carta manuscrita de Drummond, datada de “Rio de Janeiro, 14 de março de 1983: “Meu caro Lázaro Barreto:
“Seu poema, que o SL do “Minas Gerais” publicou, penetrou fundo no coração deste octogenário. É das coisas mais belas e magnânimas que já recebi, sem tê-las merecido.

A você, num abraço caloroso, o profundo agradecimento de
Carlos Drummond de Andrade.

O QUE HÁ DE MELHOR? - Lázaro Barreto.


O desejo fala por mim em todos os sentidos
do corpo e da alma.
Ó lúbrica flor da montanha, a ínvia Dublin
de James Joyce.
A espiritual carnalidade do fervor:
a verve musicando a vulva e a cútis,
os sorridentes lábios verticais e horizontais
dela.
O inexplicável perfume da libido,
as tronqueiras do caminho, as ramificações
os planaltos e as planícies, as esfericidades,
os pontos de exclamação das peripécias
nos contornos e arredores da sede e da fome
na hora de entrar no espaço hachurado
das fontes, dos remansos e correntezas,
dos pórticos, refúgios e sótãos....
Tudo de bom mesmo antes de entrar
nas grutas encantadas do prazer remoçado
e nadar e e fluir e mergulhar e aflorar
nos mundos e fundos da posse
instantânea e permanente
do imorredouro deleite
diante dos pequenos e grandes lábios de mel,
do imorredouro deleite
jorrando luzes na minha obscuridade,
antes de ver e ter
o paraíso
instantâneo e permanente.




JUSTIÇA INJUSTA - Lázaro Barreto.


Dois assuntos desconcertantes que hoje transitam na mídia brasileira: alguns executores e funcionários do Direito Civil, exorbitando de seus deveres, negativamente – e as indenizações milionárias de alguns apaniguados do sistema, incluindo aí os humoristas (sic!) Ziraldo e Jaguar, extraidas do (nosso) dinheiro público, simplesmente por terem sido presos no espaço de apenas seis dias, pela chamada repressão governamental do regime militar. Um absurdo tão grande que até o colega deles, Millôr Fernandes, fez uma piada, dizendo não saber que os dois tinham feito um investimento tão rendoso.

Pois é. Quando penso nas vicissitudes que minha família passou ao longo de tantos anos, com minha mãe viúva, com quatro filhos na primeira infância para criar, sinto que a maledicência brasileira não é de hoje – mas que já podia ter sido exorcizada.

Meu pai celebrou seu primeiro casamento com Maria Archangela de São José em 14/06/1901 e ficou viúva dela (sem filhos, mas os dois adotaram e criaram sete crianças, de pais paupérrimos, da infância até o casamento de todos) em 23\01\1931. Consegui estes dados em pesquisas de cartórios e no Arquivo Público de Itapecerica. No inventário pós-morte consta, além dos bens no arraial do Desterro (hoje Marilândia), a Fazenda Nova do Lavapés,uma enorme e bela área de campos, cerrados, córregos e cultura.

Pois é. Depois de enviuvar-se, ele casou com Isolina Gonçalves Guimarães em 12\07\1932, com quem teve quatro filhos: Devanir, Lázaro, Vitória e Maria José, falecendo em 01\11\1940. No Inventário (fajuto) dos bens deixados consta apenas a pequena fazenda da Fontinha, quatro casas e um quintalão enorme todo cercado de valos ((os ascendentes de meu pai – José Valentim Barreto – eram ricos e poderosos, praticamente os fundadores do arraial). O fato de a enorme Fazenda Nova do Lavapés não constar no Inventário indica claramente que houve fraude das chamadas “autoridades”. Alguém apropriou-se dela, indevidamente, no espaço de tempo que vai do falecimento em 1940 até a data do inventário, anos depois. E depois dizem que a terra é um bem que não pode ser roubado. Minha mãe não a vendeu, mas ficou sem ela. Infelizmente ela era analfabeta, órfã de pai e possuidora de parentes intelectualmente desvalidos.

Pois é. Ela foi ludibriada. Não posso entender como e porque a “justiça” da época aceitou o fato de ela ser analfabeta e passar Procuração a um advogado (rábula?) com os dizeres de estar escrevendo o texto “do próprio punho de livre e espontânea vontade”- tudo assim com uma caligrafia feminina de professora (meu espanto foi tão grande que até consegui uma cópia de tal inventário). Ela, exercendo suas exímias aptidões de costureira e bordadeira conseguiu criar os filhos nos bons conceitos da civilização cristã. Mas o que mais me aborrece e indigna é o calote (de que somos vítimas) do depósito de oito contos de réis (muito dinheiro em 1945) depositados na antiga Caixa Econômica Estadual (que repassou depois para a Caixa Econômica Federal e depois para o Banco do Brasil), em nome de Devanir, Lázaro e Maria José. O depósito a juros fixos só poderia ser sacado depois que os clientes atingissem a maioridade (naquele tempo não existia esta assombração chamada inflação).... Esse dinheiro é originário da venda (legal) por minha mãe já viúva da Fazendinha da Fontinha, uma beleza de propriedade cercada de valos e arame farpado, com três nascentes de água potável, uma enorme capoeira, um pasto repleto de goiabeiras, araticuns e araçás, que começava na porteira em plena rua do Arraial e descia na divisa da rua do Areião e seguia pelo caminho de terra até a da Estação da Estrada de Ferro da Rede Mineira de Viação. Foi vendida, na época, por dezesseis contos de réis – e hoje cada uma das três partes em que foi dividida deve valer uma fortuna.

Pois é. A Vitória foi a única que conseguiu sacar sua parte porque contraiu núpcias antes de atingir a maioridade. Mas o dinheiro dos outros foi desvalorizando através dos anos por artes e ofícios do sistema financeiro, de tal maneira que hoje nem sei se ainda existe alguma migalha. E é aí que não posso entender porque uns pilantras apaniguados recebem milhões de uma vez e continuam recebendo polpudas mensalidades....

E foi assim que a nossa Fazenda Nova ficou velha nas mãos indignas de outras pessoas. Não foi vendida. Não foi doada. Foi perdida, lamentavelmente, como se fosse um bem imaterial. Era, na verdade, uma prenda,uma herança familiar. Um bem valioso , roubado sub-repticiamente por ladrões safados e vulgares. Porca miséria, heim?



DESCRENÇA - Lázaro Barreto.


No alto do céu está o fundo do mar.
Parreiras de uvas transbordam nos barrancos,
oferecem seus cachos maduros
aos comedores de bagaços.

A cidade que uma vez abriu-me os braços,
agora encolhe suas ruas
repletas de fatais automóveis.

Sobre a cabeça do proscrito paira a névoa
da descrença nas instituições.
Ele almeja apenas sumir de vista.

Na encruzilhada dos sofredores
ele carrega um porco espinho na alma,
acirrando as insoluções pensamentais.

Só se avista coisas medonhas nos lugares das pessoas:
um lobo na cara do vendeiro,
um galho de espinhos no lugar de uma velha casa.

Um campo desmatado no lugar da rua.
Assim mesmo ou então
uma rua desdeixada no lugar do campo desmatado.

CITAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS (6) - Lázaro Barreto.


FRANÇOIS FORESTIER:
Seu livro de 214 páginas bem que poderia chamar-se “O desnudamento das estrelas e dos políticos dos EUA”. O pente fino do autor não deixa ninguém de moral em pé. Os homens são patifes, canalhas, criminosos; as mulheres, bem as mulheres são as vítimas mais próximas da cambada de tarados. A ação localiza-se nos anos 60 da famigerada família Kennedy no poder. Limito-me aqui a citar algumas frases das páginas 138 e 139, que mostram o que na verdade é o ludibrio da fantasia publicitária que doura a pílula venenosa da sociedade política. Na página 139: “Por mais triste e deprimida que esteja, Marilyn Monroe sabe provocar desejo; é seu trabalho, sua paixão, sua razão de ser, sua missão na via...”. Na página anterior, 138: “Presa entre os conselhos de Lee Strasberg (professor dela no Actor Studio), que ela consulta por telefone, e as indicações de Ralph Greenson, psicanalista que ouve suas queixas e nos intervalos faz sexo com ela - entre as quais a de que nunca ter tido um orgasmo na vida, ela oscila”. Em “Marilyn e JFK”, trad. de Jorge Bastos, Edit. Objetiva – Rio de Janeiro, 2009.

MARLI FANTINI SCARPELLI e MARIA ESTHER MACIEL:
“... Todos sabemos que a literatura é superior ao cinema como forma de narração. Ela potencializa a imaginação como nenhuma outra” (Peter Greenaway, pag. 9). “As adaptações fílmicas, consideradas como traduções de outros textos – como romances, peças ou contos – também nas criações intertextuais para cuja interpretação o leitor deve estabelecer relações entre os sistemas de signos literário e cinematográfico” (Thais Flores Nogueira Diniz, pag. 34. “Os jovens inventaram o desemprego?... Não, pelo menos, eles não procuraram... É preciso procurar... Van Gogh procurou um pouco de amarelo, quando o sol desapareceu. É preciso procurar... É preciso procurar” (Jean Paul Godard, paag. 65, citação de Anita Leandro). Em “ALETRIA” – Revista de Estudos de Literatura”, Edit. UFMG, Belo Horizonte, MG, 2001.

AMIR LABAKI:
Arnaldo Jabor ocupa as páginas 175 e 176, com o texto “Carmen Miranda – Bananas Is My Busines”, do qual pinço alguns trechos: “Helena Solberg e David Meyer... Redesenharam não só a ascensão e queda de Carmen Miranda, mas também um retrato de nossa fragilidade... Como era e é frágil o Brasil, tão desamparado diante dos desejos estrangeiros, tão mal filmado, tão mal preservado.. Nos filmes antigos passa a sensação de que todos morreram sem conhecer os seus melhores dias. Mesmo os filmes de ficção são documentários de nossas carências...”. Em “O Cinema Brasileiro”, edição Publifolha, texto em português e em inglês, de 222 páginas. São Paulo, SP, 1998.

PAULINE KAEL:
O livro é de 568 páginas, sendo 60 delas de três colunas cada, referentes ao Índice Remissivo dos títulos originais dos filmes resenhados pela Pauline – e um Índice Onomástico, citando 1.200 filmes vistos em 1.001 noites. “Mestra da sinopse, Pauline Kael consegue contar-nos, nos limites de um livro, o que são oito décadas de filmes, quem está neles e por trás deles, e refletir, rápida mas inteligentemente, sobre o que cada um deles significa. Ninguém mais fez isso, ninguém mais seria capaz”. Palavras de William Shaws, na página 12. É um livro que busca não apenas informar e sugerir, mas também motivar: transformar leitores curiosos em expectadores apaixonados e deixar claro que a pressão é imensa, o tempo é curto e o número de filmes que devem ser assistidos se tornou realmente grande”, - palavras de Steven Jay Schneider. De minha parte (LB), cinéfilo inveterado desde à infância, contei e conferi que dos 1001 filmes assisti nada menos que 878, ou seja, da relação só não vi 123 filmes. Além dos que vi na televisão, em vídeo-cassete, em DVD e cine-clubes, nunca perdi um bom filme nos lugares em que vivi depois da adolescência: Belo Horizonte, Salto Grande onde até mesmo projetava filmes nas noites ao ar livre para gáudio dos operários das obras de construção da maior usina hidrelétrica de Minas, na época (1953 a 1958). Continuei a ver filmes em Uberaba, Cachoeira Dourada e em Divinópolis,onde vivo desde 1966.
Em: “1001 FILMES PARA VER ANTES DE MORRER”, Trad. de Carlos Irineu da Costa, Fabiano Morais e Lívia Almeida, Edit. Sextante, Rio de Janeiro, 2008.

CITAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS (5) - Lázaro Barreto.


ALBERTO SILVA:
“O Cinema Novo, que abrangeu toda a extensão da última década (1960-70), fundou uma linguagem autônoma para a filmografia brasileira, conferiu dimensões internacionais para a filmografia brasileira... através de dezenas de prêmios que levantou em festivais do mundo inteiro, e finalmente impulsionou o celulóide a discutir a realidade nacional sob uma ótica própria, utilizando uma linguagem inequivocamente escrita por brasileiros e fixando na tela a nossa paisagem física e humana” (pag. 17). Exemplifica com a citação nas páginas seguintes de vários filmes, entre os quais “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, “Vidas Secas”, “Os Inconfidentes”, “Como Era Gostoso o Meu Francês”,”O Pagador de Promessas”, “O Cangaceiro” e Outros. Em “ Cinema e Humanismo”, Edit. Pallas, Rio de Janeiro, RJ, 1975.

AVA GARDNER:
“Ele tinha andado flertando comigo desde o primeiro dia, mas isto era o previsível nos homens italianos: se eles não estão atrás de uma mulher é porque a vida deixou de ter valor” (pag. 243). Suponho que uma das coisas mais estranhas nos meus três casamentos – e devo acrescentar que não pedi um tostão de pensão a nenhum dos meus “ex” – foi o fato de que os laços matrimoniais pareciam ser algemas que nos prendiam” (pag. 216). Em “AVA – Minha História”, trad. de Celso Loureiro Chaves, Edit. LPM,são Paulo, SP, 1991.

LILLIAN ROSS:
“Para o papel do jovem (no filme “A Glória de Um Covarde”) John Huston queria Audie Murphy, o herói mais condecorado da Segunda Guerra Mundial, mas cuja carreira cinematográfica era limitada a alguns papéis secundários. Huston disse que estava tendo dificuldades em persuadir os produtores: “Eles prefeririam um medalhão”, disse indignado. “É que eles não vêem Audie do mesmo modo que eu vejo. Essa criatura pequena é de olhar tão doce! Mas na guerra se transformava completamente e saia por conta própria a descobrir alemães para matar. É um pequeno e amável matador” (pg. 114).Em”Cinema e Outras Reportagens”, trad. de Maria Silviano silva, editora AGIR – Rio de Janeiro, 1977.

MICKY MARCY:
“É difícil explicar cientificamente o sucesso de Brigitte Bardot, feito de um complexo de fatores. Além de sua presença magnética na tela, devem ter contribuído a propaganda das empresas cinematográficas e os golpes publicitários provocados pelos inúmeros escândalos que sempre acompanharam sua vida particular – para muito, bem mais picante do que os papéis vividos nos filmes. Depois de separar-se de Vadim, em 1956,, circulou por diversos”maridos”, além de incontáveis “casinhos” mal revelados pelas colunas fofoqueiras dos jornais. Depois de Jean Louis Trintignant, vieram o cantor Sacha Distel, Jacques Charrier (com o qual se casou e teve um filho), o célebre diretor François Truffant, o ator Samy Frei, o brasileiro Bob Zaguri, o playboy Günter Sachs...” (pag. 19). Em “A Vida Íntima de Brigitte Bardot”, trad. de Fiorani Defino, Edit. TAIKA, São Paulo, SP, 1977.

IARA RODRIGUES E OUTROS:
Mini-biografias das seguintes estrelas: Isabelle Adjani, Anouk Aimeé, Nancy Allen, Mia Farrow, Tânia Alves, Julie Andrews, Ann-Margret, Laura Antonelli, Anne Archer, Fanny Ardant,Rosanna Arquette, Elizabeth Ashley, Stephane Audran,Lauren Bacall, Pamela Reed, Anne Bancoft, Brigitte Bardot, Ellen Barkin,Kim Basinzer,Norma Bengel, Ingrid Bergman,Jaqueline Bisset,Karen Black, Linda Blair, Débora Bloch, Katharine Hepburn, Sandrine Bonnaire, Sônia Braga, Ellen Brennan, Lidia Brandi, Genevieve Bujold, Carol Burnett,Ellen Burstyn, Kate Capshaw, Cláudia Cardinale, Louise Cardoso, Leslie Caron,Tônia Carrero, Marcélia Cartaxo, Cláudia Raia, Regina Casé, Joanna Cassidy, Kim Cattall, Geraldine Chaplin.... Assim segue a relação, acompanhada de textos, em 86 páginas num total de 448 páginas.Belas mulheres, grandes talentos, colírios nos olhos dos expectadores em todo o mundo. Em “Astros Estrelas e Seus Filmes em Vídeo” – Edit. Nova Cultural, São Paulo,SP, 1990.

CITAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS (4). - Lázaro Barreto.


MARLENE DIETRICH:
“Decidi-me converter em atriz de teatro, porque o teatro era o único lugar onde se podia recitar belos textos e belos versos, como os de Rilke, que me rasgavam o coração, e ao mesmo tempo me davam ânimo” (pag.49). Em (no livro) “Marlene Dietrich”, trad. de Janer Cristaldo, Edit. Nórdica, Rio de Janeiro, 1984.

THOMAS KIERNAN:
“Era, em 1955, o tipo de universidade para onde eram enviados os jovens privilegiados e inteligentes, a fim de completarem sua educação formal, adquirirem um verniz de cultura sofisticada e prepararem-se para o “matrimônio, a maternidade, a menopausa”, segundo as palavras das jovens mais sarcásticas que lá se formavam” (pag. 45). Em JANE FONDA – Mulher do Nosso Tempo”, trad. de Berta Amoroso Cordeiro Batista e Silva – Difel Editora – São Paulo, SP, 1983.

LUIS CANALEH:
“Contra a vontade dos israelitas e de Jeová, a Bíblia relata que Salomão havia esposado muitas mulheres de outras terras, incluindo a filha do Rei do Egito, e que tinha um total de 700 princesas e 300 concubinas em seu harém (pag. 30). Em “GINA LOLLOBRIGIDA”, Edit. Nórdica, Rio de Janeiro, 1996.

JÚLIO BRESSANE:
“Uma pessoa com quem você cruza na rua não é, a principio, nada mais do que uma estátua que caminha, mas, a partir do momento em que seu olhar e o dela se cruzam, um calor se produzirá e ela passará a ser um ser humano” (pag.28). “Emerson, o eterno observador, nos diz: “As fontes da invenção e beleza na sociedade estão tudo, menos secas” (pag.72). “Na natureza encontra-se uma santidade que envergonha nossas religiões” – ainda é Emerson quem afirma, na pag. 78. Em “CINEMANCIA”, Eit. Imago, Rio de Janeiro,2000.

JOE MORELLA e EDWARD Z. EPSTEIN:
“ Rita Hayworth se sentia orgulhosa de ter dado as filhas uma excelente educação. Obviamente, Rebecca não tinha nenhum interesse em seguir carreira artística. Nem Yasmin. O que as duas meninas presenciaram durante toda a vida foi o suficiente para não desejarem o aplauso do público e o odor da maquilagem teatral no seu cotidiano” (pag, 281). Em”RITA – A Deusa do Amor”, trad. de Eduardo Viváqua, Editorial Nórdica, Rio de Janeiro, 1983.

ANDRZEJ WAJDA:
“Quero dizer que qualquer história narrada ao redor de uma mesa, lida nas notícias de um jornal, ouvida na rua, pode conter uma tragédia digna de Sófocles. Basta saber discernir seu sentido, estabelecer seu verdadeiro herói e, assim, de que lado se colocará o narrador” (pag. 6). Em “Um Cinema Chamado Desejo”, Edit. Campus, trad. de Vera Mourão, rio de Janeiro, 1989.

LAUREN BACALL:
“Em todas as fontes e lagos de Versailles existe um lúcio voraz que mantém todas as carpas em atividade, para evitar que engordem excessivamente e morram. Humphrey Bogart sentia um raro prazer em desenhar papel semelhante nas fontes e lagos hollywoodianos. Não obstante, poucas de suas vítimas lhe guardavam rancor, e quando o faziam era por pouco tempo. Seus arpões eram feitos para atingir apenas a camada externa de autocomplascência, não penetrando nas regiões do espírito onde os verdadeiros danos são causados” (pag. 338). Em “BACALL Fenomenal”, trad. de Luis Horácio da Matta, Edit. Nórdica, Rio de Janeiro, 1978.

CITAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS (3) - Lázaro Barreto.


ALAIN RESNAIS:
“Pessoalmente, não vejo grandes diferenças entre o conteúdo e a forma, pois entre um e outro aspecto se verifica uma interpenetração contínua” (pag. 31). Em “Cadernos de Cinema”, trad. de Antônio Landeira, Publicações Dom Quixote, Lisboa, Portugal, 1969.

VINICIUS DE MORAIS:
“Não, eu não irei ver Pier Angeli – e eis que ao afirmá-lo já me vou pierangelificando de novo. E não apenas eu, também a tarde. Ao olhar agora pela janela verifiquei que a tarde está de um grande pierangelismo, e que o seu âmbar dulcificou maravilhosamente a fisionomia antes tensa dos homens que comigo trabalham” (pag. 1810. Em “O Cinema de Meus Olhos” (organização, introdução e notas de Carlos Augusto Calil), Edit. Cia das Letras, São Paulo, SP, 1996.

ORSON WELLES:
“Eu não gosto de falar de meus filmes. O cinema é ingrato. É verdade que hoje em dia o diretor é considerado um verdadeiro artista, o artista com letra maiúscula, mas é um erro. São os atores que fazem um filme. Mozart, Wagner, Beethoven, Velásquez, eles sim é que são grandes artistas. Se eu fosse pintor, teria pintado milhares de telas. Como cineasta, fiz apenas treze filmes. É ridículo” (pag. 78). Em “O Pensamento Vivo de Orson Welles” (livro com a epígrafe na capa: “o trabalho é ainda o melhor antídoto contra a loucura” – Coordenação Editorial de Martin Claret, Ediouro, Rio de Janeiro, 1980.

ANDRÉ BAZIN:
“Nada melhor do que citar esta profissão de fé de Akira Kurosawa: “um filme de ação pode ser apenas um filme de ação. Mas que coisa maravilhosa se ele conseguir, ao mesmo tempo, pintar a humanidade! Este foi sempre o meu sonho desde a época em que eu era assistente de direção. Há dez anos desejo reconsiderar o drama antigo sob este novo ponto de vista” (pag. 187). Em “Opus 86 – O Cinema da Crueldade”, trad. de Antônio de Pádua Danesi eMaarina Appenzeller, Edit. Martins Fontes, são Paulo, SP, 1989.

E. ANN KAPLAN:
Citando Marguerite Duras: “por que não há escritores entre o proletariado? Por que não há músicos entre os trabalhadores? É exatamente a mesma coisa. Não há músicos entre os trabalhadores da mesma forma que não há músicos entre as mulheres. E vice-versa. Para ser um compositor, você deve ter a posse total de sua liberdade. A música é uma atividade de excesso, é loucura, uma loucura livremente consentida” (pag, 137) Em “A Mulher e o Cinema – Os Dois Lados da Câmera” (trad.de Helen Márcia Potter Pessoa, Edit. ROCCO – Rio de Janeiro, 1995.

MARLON BRANDO e ROBERT LINDSEY:
“De certa forma quem está na Máfia vive de acordo com um código mais severo do que o de muitos presidentes e políticos; fico imaginando o que aconteceria se, em vez de fazermos os políticos jurarem com a mão na Bíblia, exigíssemos que prometessem ser honestos sob pena de terem os pés presos em cimentos e serem atirados no Rio Potomac se não fossem. A corrupção política diminuiria sensacionalmente” (pag. 32). Em “BRANDO – Canções Que Minha Mãe Me Ensinou”, trad. de J. E. Smith Caldas, Edit. Siciliano, S. Paulo, SP, 1994.

ANNE EDWARDS:
“Gertrude...uma noite organizou um jantar e convidou todas as mulheres (com seus maridos) que suspeitava estarem tendo um caso com Ernest. Como era ela a responsável pela lista dos convidados nas festas, o pobre Hartley desceu para jantar despreparado para enfrentar uma sala cheia de mulheres com quem ia para a cama e um grupo de homens em quem pusera chifres. Foi uma noite que jamais esqueceu e que Gertrude lembrou-lhe com freqüência no correr dos anos. Mas isso não acabou com a sua infidelidade” (pag. 17). Em “Vivien Leigh”, trad. de Áurea Brito Weissnbreg, Edit. Francisco Alves, rio de Janeiro, 1985.

CITAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS (2) - Lázaro Barreto.


JERÔME PRIEUR:
“O cinema torna as pessoas estranhas em suas próprias casas, estupefatas de serem observadoras de suas vidas, de seus anseios e medos, atônitas pelas sensações e as encarnações que nos transpassam, e nos ensinam lentamente a caminhar em terra desconhecida” (pag. 11). “Escolhi um cinema onde, nas fotos, havia mulheres de combinação, e que coxas! Senhores! Pesadas1 Amplas! Precisas! E depois cabeças bonitinhas lá por cima, como desenhadas por contraste, delicadas, frágeis, a lápis, sem retoques a fazer, perfeitas, nem uma só negligência...Tudo o que a vida pode desabrochar de mais perigoso, de verdadeiras imprudências de belezas, essas indiscrições sobre as divinas e profundas harmonias possíveis” (pag. 158). Em “O Expectador Noturno – Os Escritores e o Cinema”. Trad. de Roberto Paulino e Fernanda Borges – Edit. Nova Fronteira –Rio de Janeiro, 1995.

FRANÇOIS TRUFFAUT:
“Ingmar Bergman afirmou: “Todas as mulheres me impressionam: velhas, jovens, altas, baixas, gordas, magras, grosseiras, pesadas, leves, bonitas, atraentes, desengonçadas, vivas ou mortas... O mundo das mulheres é o meu universo. Eu talvez evolua mal dentro dele, mas não há nenhum homem que possa se gabar de fazê-lo inteiramente bem” (pag.280. Em “Os Filmes de Minha Vida” – trad. de Vera Adami, Edit. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1989.

FRANZ WEYERGANS:
“O filme, em primeiro lugar, é uma história, mas uma história contada com beleza” (pag. 6). “O cenário natural, uma riqueza que Bergman sabe utilizar” (pag. 55). De um terreno baldio pode jorrar uma fonte” (nos filmes de Fellini,pag. 64). “A miséria desprezada tem várias faces e um só rosto” (pag. 178). Em “Tu e o Cinema”, trad. de Ruth Delgado, Edit. Civilização, Porto, Portugal, 1976.

ANTHONY SUMMERS:
Palavras de Anton Tchecov à Marilyn Monroe: “Você é uma jovem mulher que emite vibrações sexuais, não importa o que esteja fazendo ou sentindo. E seus chefes no estúdio estão interessados só nas vibrações sexuais. Agora entendo porque eles se recusam a considerá-la uma atriz. Você é mais valiosa para eles como uma estimuladora do sexo” (pag.80). Em “A Deusa – As Vidas Secretas de Marilyn Monroe”, trad. de Evelyn Kay Massaro – Edit. Best Seller, São Paulo, SP, 1986.

LIV ULLMANN
“Um homem pode ir para um restaurante sozinho, à noite, mas eu não posso fazer o mesmo e evitar:a) críticas; b) oferecimento de companhia masculina na qual não estou interessada; c) causar pena” (pag. 143). Em “Mutações”, trad. de Sônia Coutinho, Edit. Nórdica, Rio de Janeiro, 1978.

J. C. ISMAEL:
“Assim está escrito no Coro de “ANTÍGONA”, de Sófocles: “Muitas coisas grandiosas vivem, mas nada supera o ser humano na majestade”. No entanto, penso que, em arte somente o realismo pode fornecer o retrato o quanto possível aproximado e os caracteres mais nítidos desse animal que se alimenta de transcendentais” (pag. 55). Em “Cinema e Circunstância”, Edit. Buriti, São Paulo, SP, 1965.

JULIETA DE GODÓI LADEIRA:

Transcrição da parte O Espectro de Ray Milland, assinada por Silvio Fiorani: “Não sei, pode ser que eu esteja errado, que venha amanhã a reconsiderar tudo o que estou dizendo agora, não sou uma fortaleza de convicções, mas acho que alguns filmes nos ajudaram a ter sonhos, a aspirar a uma condição para a qual nós parecíamos não estar destinados, nos ajudaram a compreender que, nós também tínhamos sido feitos para brilhar” (pag.48). Em “Memórias de Hollywood”, Vários Autores, Editora Livraria Nobel, São Paulo, SP, 1987.


CITAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS (1) - Lázaro Barreto.


OTTO FRIEDRICH:

“Em 1939 (nos Estados Unidos) existiam mais cinemas (15.115) do que bancos (14.952). Mais de 50 milhões de americanos iam ao cinema toda semana. Havia cerca de 400 novos filmes por ano para se ver. A receita das bilheterias que jorrava em Hollywood totalizava 637 milhões de dólares. Os filmes constituíam a décima quarta industria em termos de volume (400.855.095 dólares) e a décima primeira em termos de patrimônio (529.950.444 dólares, mais que a de máquinas para escritórios, maior que as cadeias de super-mercado” (página 27). Em “A Cidade das Redes – Hollywood nos Anos 40”, tradução de Ângela Melin – editora Companhia das Letras, São Paulo, SP, 1988.

CHARLOTTE CHANDLER:

O diretor de filmes Billy Wilder fala de sua timidez com as belas atrizes de seus belos filmes: “Escrevo as minhas idéias e guardo-as porque não sabemos quando a musa vai nos tocar a fronte. É bom estar preparado... sempre fui um anotador” (pág.127). Na página 185 outras palavras dele: “Humphrey Bogart achava que eu amava a querida e linda Audrey Hepburn. Quem não a amava? Ela era uma criação única. Deus deu-lhe um beijo na bochecha”. Em “Ninguém é Perfeito – Billy Wilder, Uma Biografia Pessoal”, trad. de Cássia Zanoa, Edit. Landscape, São Paulo, SP, 2003.

PETER BUCLKA:

“Como não existe uma vida verdadeira num contexto falso, como diz Adorno, todos os personagens de Wim Wenders sofrem com essa situação, tornam-se ansiosos. Mas essa ansiedade, por sua vez, é a primeira a lhes dar forças para continuarem cultivando o sonho de uma vida verdadeira” (pag. 83). Em “Olhos Não se Compram – Win Wenders e Seus Filmes”, trad. de Lúcia Nagib, Cia. Das Letras, São Paulo, SP, 1987.

THIERRY JOUSSE:

“Em “FACES” (Nome do filme) uma sequência mostra Richard e Maria Forst na cama, num dueto amoroso em que os corpos entrelaçados dialogam diretamente, em que a palavra e o gesto são indiscerníveis, em que a linguagem, pelas onomatopéias ou gritinhos, retorna ao nível tátil e corporal. É o toque, o gesto, o corpo que, indo até a agressão, introduzem a comunicação imediata entre os seres” (pag. 82). Em “JOHN CASSAVETES – Biografia, Análise, Crítica e Filmografia Completa”, trad. de Newton Goldman e Tati Moraes – Edit. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1992.

OCTAVIO DE FARIA:

“Bérgson chegou à seguinte afirmação categórica e definitiva: “o mecanismo do nosso conhecimento é de natureza cinematográfica”. Coube, naturalmente, aos entusiastas do cinema como nova arte tirar desse aforismo a inevitável conseqüência: queiram ou não, a expressão por imagens é, do ponto de vista da criação artística, a mais poderosa, a mais rica de todas as formas de expressão” (pag. 20). Em “A História do cinema – Uma Pequena Introdução” EDIOURO, Rio de Janeiro, 1990.

Citações Cinematográficas I

Terça-feira, Outubro 25, 2011

FICÇÃO E POESIA - Lázaro Barreto.


Somos muitos a contar a mesma estória,
doida varrida
dos desencontros nos encontros.
Somos várias pessoas
(paus que fazem canoas?)
tecendo e costurando o corolário das ilações,
para o que der e vier
após o colapso de uma das estrelas moribundas
no buraco negro
da volatibilidade.

Os delírios instantâneos que se prolongam
no tempo e no espaço da poesia....

O poema
não é o falatório de súplicas e lamentos,
em é
a indócil contigüidade dos afetos conflitantes:
é a mulher amada no momento do amor:
pois que,
perto dela
a própria lua desaparece do luar.

O que encontra a reação crepitante no corpo
vem da alma?
O que se perde nas reles impossibilidades
aumenta o vazio nas jarras desusadas
de nosso inconsciente?
Os dúbios caminhos da vanguarda prenunciam
seus evidentes funerais?


A FALA DO BEBÊ - Lázaro Barreto.

????????.......!!!!!!!!!???????????............:::::::::::::::::...........
Estava sonhando e acordei.
Vim de longe e agora estou perto.
Vocês nunca me viram?
Eu nunca vi vocês: ou já?
Mas o colo da mamãe!...
(por que vocês estão rindo?)
... É uma delicia...............
Vocês estão felizes?
O que será de nós?
O que será, será?
Vocês nunca me viram antes,
Nem sonhando?...
Eu conhecia mamãe,
antes de nascer.
Ah, se conhecia !
O papai é o moço ao lado?
O velho é o vovô de óculos?
A vovó está cantarolando?
Estou vendo que gostam de mim....
Eu também gosto de vocês...
Quê bondade... Quê beleza!
......................................!
Mamãe eu quero,
mamãe eu quero mamar!...........................................
!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!....................................

(texto inspirado e baseado no video “paulinho no papo cabeça”)

http://www.youtube.com/watch?v=KzWFjn1Cu9I






PAISAGENS PARA MAGDA E OSVALDO - Lázaro Barreto.


Princesa Magdalona:

As fontes medievais dos contos e cultos
da formosura
feminina
dos discretos decotes, nos sutis penteados....
Os traços suaves e cativantes
do deleite....
A rua é um caminho enluarado?
O passado e o futuro estão unidos no presente?
A presença dos sonhos não quer dizer
ausência de realidade.
O arvoredo ao longo da rua e dos campos
sacode suas flores e frutas.
O chão está repleto de palavras chamativas.

Maria Madgdalena:

Discípula, namorada e esposa de Jesus.
A finura em pessoa.
A devoção apaixonada.
A noiva das bodas de Caná.
A irmã de Lázaro e de Marta.
A bem amada antes e depois do sacrifício.
As sagradas confidências dos cônjuges
nos intervalos das jornadas.
Mãe de toda a posteridade cristã,
graças ao amor do amor.
Os caminhos do Egito voltam para a França,
trazendo os ares das bonanças e dos perdões
na eterna modernidade das efusões.







Citações complementares

Milan Kundera:
“No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma insustentável leveza. Para Nietzsche a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos. Se assim é, nossas vidas,sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda a sua explêndida leveza” Em “A Insustentável Leveza do Ser”, pag. 11, trad. deTereza B. Carvalho da Fonseca, |Edit. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1983.

Gentil Ursino do Vale:
“Uma das mais belas e edificantes tradições do cristianismo infelizmente está desaparecendo. Refiro-me aos presépios. Tinham eles o condão de impregnar de santa poesia as festividades do Natal, além de despertar, principalmente nas crianças, aquela devoção, aquele amor ao Menino Jesus”. Em “Escavações no Tempo” (pag. 104),Edit. Artes Gráficas Santo Antônio, Divinópolis, MG, 1985.

Stephen W. Harwking:
“Neste livro dei ênfase especiais às leis que governam a gravidade, porque é ela que configura a micro-estrutura do universo.” (pag. 235). “A teoria geral de Einstein da relatividade, baseando-se em si mesma, preveniu que o espaço-tempo começou com a singularidade do Big Bang e chegará a um fim também com a singularidade, o Big Crunch (se todo o universo entrará novamente em colapso) ou numa singularidade dentro de um buraco negro (se uma região local, como uma estrela, entrar em colapso” (pag. 163). Em “Uma Breve História do Big Bang aos Buracos Negros”, trad. De Maria Helena Torres, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Evangelho de São João, cap. XII, vers. 24 e 25: “Em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra nõ morrer, fica infecundo: mas se morrer, produz muito fruto”. Em epígrafe do romance “Os Irmãos Karamázovi”, de Dostoievski, trad. De Eurico Corvisséri, edt. Nova Cultural, Rio de Janeiro, 1995.

Rainer Maria Rilke:
“Se a maternidade é a religião da mulher e a criação a do artista, o homem que no seja artista deve ter uma religião (...). A religião é a arte dos que nada criam” (pag. 17). Oh dizer que as próprias coisas nunca pensaram ser no íntimo..., pois não é recôndita astúcia desta terra calada incitar os amantes a sentirem como as coisas se encantam umas às outras?” (PAG. 141) Em “R, M, Rilke – Poemas” - trad. De José Paulo Paes –
Cia. Das Letras, São Paulo, SP, 1996.

Soren Kierkegaard:

“O desespero... essa enfermidade do eu: eternamente morrer, morrer sem todavia morrer, morrer a morte... (...) para que se morresse de desespero como duma doença, o que há de eterno em nós, no eu, deveria poder morrer,como o corpo morre de doença. Ilusão! No desespero, o morrer continuamente se transforma em viver. Quem desespera não pode morrer; assim como um punhal não serve para matar pensamentos, assim também o desespero, verme imortal, fogo inextinguível, não devora a eternidade do eu, que é o seu próprio sustentáculo” (pag. 199). Em “KIERKEGAARD – Os Pensadores”, trad. De Carlos Grifo , Maria José Marinho, Adolfo Casais Monteiro – Ed. Victor Civita – 1984, São Paulo, SP.

Herbert Marcuse:
“O papel predominante da sexualidade tem raízes na própria natureza do aparelho mental, tal como Freud o concebeu: se os processos mentais primários são governados pelo princípio do prazer, então aquele instinto que, ao atuar sob esse princípio, sustenta a própria vida, deve ser o instinto da vida’ (Pag. 42). Em “|Eros e Civilização”, trad. De Álvaro Cabral, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1968.
Shusaku Endo:
“Com as palmas das mãos o homem alisou as cônicas curvaturas de seus seios várias vezes seguidas. Era evidente que ele estava vagarosamente absorvendo em suas mãos a maciez e a elasticidade. Suas palmas vagavam para a frente e para trás entre seus seios e a pequena noite de sombras entre suas pernas...” (pag.212). Em “Escândalo”, trad. De Maria Helena Torres, Edit. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Hermann Melville:
“Falcões voracíssimos voavam mansos sobre minha cabeça, como se tivessem os bicos embainhado”. (...) William Faulkner define os três personagens do romance: Ismael,
Queequeg e Ahab: representam a trindade da consciência: o não conhecer, o conhecer sem problema e o conhecer problemático. Em “Moby Dick”, trad. De Adalberto Rochsteiner e Monteiro Lobato – Cia. Editora Nacional, São Paulo, SP, 1957.

CITAÇÕES COMPLEMENTARES - Lázaro Barreto.


Milan Kundera:
“No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma insustentável leveza. Para Nietzsche a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos. Se assim é, nossas vidas,sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda a sua explêndida leveza” Em “A Insustentável Leveza do Ser”, pag. 11, trad. deTereza B. Carvalho da Fonseca, |Edit. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1983.

Gentil Ursino do Vale:
“Uma das mais belas e edificantes tradições do cristianismo infelizmente está desaparecendo. Refiro-me aos presépios. Tinham eles o condão de impregnar de santa poesia as festividades do Natal, além de despertar, principalmente nas crianças, aquela devoção, aquele amor ao Menino Jesus”. Em “Escavações no Tempo” (pag. 104),Edit. Artes Gráficas Santo Antônio, Divinópolis, MG, 1985.

Stephen W. Harwking:
“Neste livro dei ênfase especiais às leis que governam a gravidade, porque é ela que configura a micro-estrutura do universo.” (pag. 235). “A teoria geral de Einstein da relatividade, baseando-se em si mesma, preveniu que o espaço-tempo começou com a singularidade do Big Bang e chegará a um fim também com a singularidade, o Big Crunch (se todo o universo entrará novamente em colapso) ou numa singularidade dentro de um buraco negro (se uma região local, como uma estrela, entrar em colapso” (pag. 163). Em “Uma Breve História do Big Bang aos Buracos Negros”, trad. De Maria Helena Torres, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Evangelho de São João, cap. XII, vers. 24 e 25: “Em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra nõ morrer, fica infecundo: mas se morrer, produz muito fruto”. Em epígrafe do romance “Os Irmãos Karamázovi”, de Dostoievski, trad. De Eurico Corvisséri, edt. Nova Cultural, Rio de Janeiro, 1995.

Rainer Maria Rilke:
“Se a maternidade é a religião da mulher e a criação a do artista, o homem que no seja artista deve ter uma religião (...). A religião é a arte dos que nada criam” (pag. 17). Oh dizer que as próprias coisas nunca pensaram ser no íntimo..., pois não é recôndita astúcia desta terra calada incitar os amantes a sentirem como as coisas se encantam umas às outras?” (PAG. 141) Em “R, M, Rilke – Poemas” - trad. De José Paulo Paes –
Cia. Das Letras, São Paulo, SP, 1996.

Soren Kierkegaard:

“O desespero... essa enfermidade do eu: eternamente morrer, morrer sem todavia morrer, morrer a morte... (...) para que se morresse de desespero como duma doença, o que há de eterno em nós, no eu, deveria poder morrer,como o corpo morre de doença. Ilusão! No desespero, o morrer continuamente se transforma em viver. Quem desespera não pode morrer; assim como um punhal não serve para matar pensamentos, assim também o desespero, verme imortal, fogo inextinguível, não devora a eternidade do eu, que é o seu próprio sustentáculo” (pag. 199). Em “KIERKEGAARD – Os Pensadores”, trad. De Carlos Grifo , Maria José Marinho, Adolfo Casais Monteiro – Ed. Victor Civita – 1984, São Paulo, SP.

Herbert Marcuse:
“O papel predominante da sexualidade tem raízes na própria natureza do aparelho mental, tal como Freud o concebeu: se os processos mentais primários são governados pelo princípio do prazer, então aquele instinto que, ao atuar sob esse princípio, sustenta a própria vida, deve ser o instinto da vida’ (Pag. 42). Em “|Eros e Civilização”, trad. De Álvaro Cabral, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1968.
Shusaku Endo:
“Com as palmas das mãos o homem alisou as cônicas curvaturas de seus seios várias vezes seguidas. Era evidente que ele estava vagarosamente absorvendo em suas mãos a maciez e a elasticidade. Suas palmas vagavam para a frente e para trás entre seus seios e a pequena noite de sombras entre suas pernas...” (pag.212). Em “Escândalo”, trad. De Maria Helena Torres, Edit. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Hermann Melville:
“Falcões voracíssimos voavam mansos sobre minha cabeça, como se tivessem os bicos embainhado”. (...) William Faulkner define os três personagens do romance: Ismael,
Queequeg e Ahab: representam a trindade da consciência: o não conhecer, o conhecer sem problema e o conhecer problemático. Em “Moby Dick”, trad. De Adalberto Rochsteiner e Monteiro Lobato – Cia. Editora Nacional, São Paulo, SP, 1957.

CITAÇÕES COMPLEMENTARES - Lázaro Barreto.


Milan Kundera:
“No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma insustentável leveza. Para Nietzsche a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos. Se assim é, nossas vidas,sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda a sua explêndida leveza” Em “A Insustentável Leveza do Ser”, pag. 11, trad. deTereza B. Carvalho da Fonseca, |Edit. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1983.

Gentil Ursino do Vale:
“Uma das mais belas e edificantes tradições do cristianismo infelizmente está desaparecendo. Refiro-me aos presépios. Tinham eles o condão de impregnar de santa poesia as festividades do Natal, além de despertar, principalmente nas crianças, aquela devoção, aquele amor ao Menino Jesus”. Em “Escavações no Tempo” (pag. 104),Edit. Artes Gráficas Santo Antônio, Divinópolis, MG, 1985.

Stephen W. Harwking:
“Neste livro dei ênfase especiais às leis que governam a gravidade, porque é ela que configura a micro-estrutura do universo.” (pag. 235). “A teoria geral de Einstein da relatividade, baseando-se em si mesma, preveniu que o espaço-tempo começou com a singularidade do Big Bang e chegará a um fim também com a singularidade, o Big Crunch (se todo o universo entrará novamente em colapso) ou numa singularidade dentro de um buraco negro (se uma região local, como uma estrela, entrar em colapso” (pag. 163). Em “Uma Breve História do Big Bang aos Buracos Negros”, trad. De Maria Helena Torres, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Evangelho de São João, cap. XII, vers. 24 e 25: “Em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra nõ morrer, fica infecundo: mas se morrer, produz muito fruto”. Em epígrafe do romance “Os Irmãos Karamázovi”, de Dostoievski, trad. De Eurico Corvisséri, edt. Nova Cultural, Rio de Janeiro, 1995.

Rainer Maria Rilke:
“Se a maternidade é a religião da mulher e a criação a do artista, o homem que no seja artista deve ter uma religião (...). A religião é a arte dos que nada criam” (pag. 17). Oh dizer que as próprias coisas nunca pensaram ser no íntimo..., pois não é recôndita astúcia desta terra calada incitar os amantes a sentirem como as coisas se encantam umas às outras?” (PAG. 141) Em “R, M, Rilke – Poemas” - trad. De José Paulo Paes –
Cia. Das Letras, São Paulo, SP, 1996.

Soren Kierkegaard:

“O desespero... essa enfermidade do eu: eternamente morrer, morrer sem todavia morrer, morrer a morte... (...) para que se morresse de desespero como duma doença, o que há de eterno em nós, no eu, deveria poder morrer,como o corpo morre de doença. Ilusão! No desespero, o morrer continuamente se transforma em viver. Quem desespera não pode morrer; assim como um punhal não serve para matar pensamentos, assim também o desespero, verme imortal, fogo inextinguível, não devora a eternidade do eu, que é o seu próprio sustentáculo” (pag. 199). Em “KIERKEGAARD – Os Pensadores”, trad. De Carlos Grifo , Maria José Marinho, Adolfo Casais Monteiro – Ed. Victor Civita – 1984, São Paulo, SP.

Herbert Marcuse:
“O papel predominante da sexualidade tem raízes na própria natureza do aparelho mental, tal como Freud o concebeu: se os processos mentais primários são governados pelo princípio do prazer, então aquele instinto que, ao atuar sob esse princípio, sustenta a própria vida, deve ser o instinto da vida’ (Pag. 42). Em “|Eros e Civilização”, trad. De Álvaro Cabral, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1968.
Shusaku Endo:
“Com as palmas das mãos o homem alisou as cônicas curvaturas de seus seios várias vezes seguidas. Era evidente que ele estava vagarosamente absorvendo em suas mãos a maciez e a elasticidade. Suas palmas vagavam para a frente e para trás entre seus seios e a pequena noite de sombras entre suas pernas...” (pag.212). Em “Escândalo”, trad. De Maria Helena Torres, Edit. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Hermann Melville:
“Falcões voracíssimos voavam mansos sobre minha cabeça, como se tivessem os bicos embainhado”. (...) William Faulkner define os três personagens do romance: Ismael,
Queequeg e Ahab: representam a trindade da consciência: o não conhecer, o conhecer sem problema e o conhecer problemático. Em “Moby Dick”, trad. De Adalberto Rochsteiner e Monteiro Lobato – Cia. Editora Nacional, São Paulo, SP, 1957.

CITAÇÕES COMPLEMENTARES - Lázaro Barreto.


Milan Kundera:
“No mundo do eterno retorno, cada gesto carrega o peso de uma insustentável leveza. Para Nietzsche a idéia do eterno retorno é o mais pesado dos fardos. Se assim é, nossas vidas,sobre esse pano de fundo, podem aparecer em toda a sua explêndida leveza” Em “A Insustentável Leveza do Ser”, pag. 11, trad. deTereza B. Carvalho da Fonseca, |Edit. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1983.

Gentil Ursino do Vale:
“Uma das mais belas e edificantes tradições do cristianismo infelizmente está desaparecendo. Refiro-me aos presépios. Tinham eles o condão de impregnar de santa poesia as festividades do Natal, além de despertar, principalmente nas crianças, aquela devoção, aquele amor ao Menino Jesus”. Em “Escavações no Tempo” (pag. 104),Edit. Artes Gráficas Santo Antônio, Divinópolis, MG, 1985.

Stephen W. Harwking:
“Neste livro dei ênfase especiais às leis que governam a gravidade, porque é ela que configura a micro-estrutura do universo.” (pag. 235). “A teoria geral de Einstein da relatividade, baseando-se em si mesma, preveniu que o espaço-tempo começou com a singularidade do Big Bang e chegará a um fim também com a singularidade, o Big Crunch (se todo o universo entrará novamente em colapso) ou numa singularidade dentro de um buraco negro (se uma região local, como uma estrela, entrar em colapso” (pag. 163). Em “Uma Breve História do Big Bang aos Buracos Negros”, trad. De Maria Helena Torres, Ed. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Evangelho de São João, cap. XII, vers. 24 e 25: “Em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra nõ morrer, fica infecundo: mas se morrer, produz muito fruto”. Em epígrafe do romance “Os Irmãos Karamázovi”, de Dostoievski, trad. De Eurico Corvisséri, edt. Nova Cultural, Rio de Janeiro, 1995.

Rainer Maria Rilke:
“Se a maternidade é a religião da mulher e a criação a do artista, o homem que no seja artista deve ter uma religião (...). A religião é a arte dos que nada criam” (pag. 17). Oh dizer que as próprias coisas nunca pensaram ser no íntimo..., pois não é recôndita astúcia desta terra calada incitar os amantes a sentirem como as coisas se encantam umas às outras?” (PAG. 141) Em “R, M, Rilke – Poemas” - trad. De José Paulo Paes –
Cia. Das Letras, São Paulo, SP, 1996.

Soren Kierkegaard:

“O desespero... essa enfermidade do eu: eternamente morrer, morrer sem todavia morrer, morrer a morte... (...) para que se morresse de desespero como duma doença, o que há de eterno em nós, no eu, deveria poder morrer,como o corpo morre de doença. Ilusão! No desespero, o morrer continuamente se transforma em viver. Quem desespera não pode morrer; assim como um punhal não serve para matar pensamentos, assim também o desespero, verme imortal, fogo inextinguível, não devora a eternidade do eu, que é o seu próprio sustentáculo” (pag. 199). Em “KIERKEGAARD – Os Pensadores”, trad. De Carlos Grifo , Maria José Marinho, Adolfo Casais Monteiro – Ed. Victor Civita – 1984, São Paulo, SP.

Herbert Marcuse:
“O papel predominante da sexualidade tem raízes na própria natureza do aparelho mental, tal como Freud o concebeu: se os processos mentais primários são governados pelo princípio do prazer, então aquele instinto que, ao atuar sob esse princípio, sustenta a própria vida, deve ser o instinto da vida’ (Pag. 42). Em “|Eros e Civilização”, trad. De Álvaro Cabral, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1968.
Shusaku Endo:
“Com as palmas das mãos o homem alisou as cônicas curvaturas de seus seios várias vezes seguidas. Era evidente que ele estava vagarosamente absorvendo em suas mãos a maciez e a elasticidade. Suas palmas vagavam para a frente e para trás entre seus seios e a pequena noite de sombras entre suas pernas...” (pag.212). Em “Escândalo”, trad. De Maria Helena Torres, Edit. Rocco, Rio de Janeiro, 1988.

Hermann Melville:
“Falcões voracíssimos voavam mansos sobre minha cabeça, como se tivessem os bicos embainhado”. (...) William Faulkner define os três personagens do romance: Ismael,
Queequeg e Ahab: representam a trindade da consciência: o não conhecer, o conhecer sem problema e o conhecer problemático. Em “Moby Dick”, trad. De Adalberto Rochsteiner e Monteiro Lobato – Cia. Editora Nacional, São Paulo, SP, 1957.


Segunda-feira, Outubro 24, 2011

Fatos e Pessoas, Eventualmente

Marilyn Monroe.
Sempre pensei que ela mantivesse, iluminando a efervescência sensual uma boa parcela do componente anímico que eleva a sexualidade a um nível poético e não apenas frenético. Mas o que mais transparece em sua biografia é que ela era muito mais uma devoradora de homens do que uma encantadora de homens. Na condição de fã encantado pela beleza dela, sinto-me enganado com a imagem mais frequente dela: muito mais sobre a cama do que sob a câmera.

Millôr Fernandes.
Onde andará? Que falta ele faz na boa imprensa brasileira. Que ele iluminou desde os tempos da Revista O CRUZEIRO, de ótima memória. Lembro-me de uma piada que ele publicou quando o tal de Sarney assumiu a presidência da república divulgando o slogan de que ia fazer um saneamento em todo o Brasil. A propósito o Millôr desenhou o mapa do Brasil em forma de um queijo com um rato de cada lado, um falando pro outro:”sarneia daí que eu sarneio daqui”.

A DESEDUCAÇÃO.
“A escola particular no Brasil é melhor do que a pública porque esta não pode dispensar o mau professor e aquela pode” – eis uma verdade bem dita por Gustavo Ioschape.

A CASA DA MÃE JOANA.
Existem espantosos 25.000 cargos importantes no governo federal, criados na malévola era lula, à disposição de indicações políticas sem a obrigatoriedade de requisitos profissionais. Os amantes da vida mansa tornaram-se petistas sabendo de antemão do farto usufruto.

A FILOSOFIA DO PILANTRA.
Um colunista social talentoso, dinâmico e bem situado, de vez e quando desafinava, pregando abertamente a filosofia da Vaca: “cagando e andando”. Igualzinho alguns líderes de fachadas, que trepados em altos cargos mordômicos tanto mal faz a deus e a todo o mundo.

ÍTALO CALVINO:
“Só podemos pensar o mundo através de figuras humanas, de resmungos humanos. (...) O que nos interessa é o mosaico em que o homem está encaixado, o jogo de relações, a figura a ser descoberta entre os arabescos do tapete”.

ITALO CALVINO DE NOVO:
“Assim como o escritor não encontra alguma coisa absoluta, o cientista também tem a modéstia de considerar o resultado de seu trabalho como parte de uma série infinita de aproximações”.(As duas citações foram transcritas do livro “Assunto Encerrado – Discursos sobre Literatura e Sociedade”, trad. de Roberta Barni, Edit. Cia. Das Letras, São Paulo, SP, 1980.

LARS Von TRIER, cineasta dinamarquês:
“Se Deus criou a vida, ele a largou correndo por aí, sem pensar no fato de que criou seres que sabem que cada passo deles causa o sofrimento de uma planta, de um animal ou de um outro homem”.

A ESTRELA DESNUDADA.
Palavras de Marilyn Monroe, segundo Lars Von Trier: “Se você não agüenta o meu pior, não merece o meu melhor”.

Segunda-feira, Setembro 12, 2011

A Àrvore dos Sonhos

A ÁRVORE DOS SONHOS (*) - Lázaro Barreto.

Um dia a árvore dos sonhos inopinados
Desabou na cabeça de GTO,
Que rachou para vazar
O ouro das dívidas e das imaginações:

a dança dos ícones nas gravuras parietais,
a agoniada prateleira dos ex-votos,
o balaio das miniaturas e das ampliações,
a escalação dos totens, manipansos e penitentes,
a montanha devocional das tribos indígenas,
as efígies serôdias de Assubarnipal e de Araribóia,
os perfis enfiados dos heróis da história-pátria,
os ritos de passagem dos velhos arraiais,
a acrobática peleja grupal dos roceiros.

As entidades espirituais escorregam de suas mãos
em sombria, quase opaca luz dos transes
que animam os traços e relevos da matéria-prima.
Assim,
da fratura dos troncos avermelhados saltam
os guerreiros corporais nas rodas e labirintos,
as etnias as classes as mandalas os orobolos,
os símbolos imemoriais de nossa caminhada.
E assim ele tenta regressar à pureza
Que o quer, mais adiante.

Noutro dia os galhos da árvore
atávica
brotam em suas mãos primitivas e criadoras.
Assim
ele pode sacudir a sina – e para não endoidecer
nas horas traumáticas do dia-a-dia,
ele expulsa os demônios do corpo:
é assim que mergulha na pureza para saber
que não existe erro na face da terra,
diuturnamente iluminada na renovação da realidade.

(*) - Poema (agora revisto) publicado no Suplemento Literário do jornal “Minas Gerais” em 02\06\1973. dá título e faz abertura de um filme de Carlos Augusto Calil e
Lauro Escorel Filho, de 1978, sobre a obra do escultor GTO (Geraldo Teles de Oliveira).

Sexta-feira, Agosto 26, 2011



VALE VERDE (x) - Lázaro Barreto.

O silêncio volumoso dos mimos e quimeras.
O barulho esvoaçante na brisa oportuna.
O negrume translúcido das névoas fugazes.
O arvoredo diáfano a oxigenar a memória.
Um azul transparente e retroativo.
O verde salutar nas entrelinhas dinâmicas.

As melodias implícitas nas moitas e coivaras.
A flor da água nos recantos lacustres.
E ao longo das casas e dos jardins entrelaçados
das folhas
diversificadas
nas trigueiras árvores dos arredores.

Aqui e agora, lá e depois:
a fusão das cores acinzentam a paisagem
mimética
em lentos e airosos sussurros...
É ver e amar prontamente.
É deitar e dormir prontamente
no começo, no meio e no fim
dos sonhos pretéritos e proféticos....

As flores despedaçam da conhecida realidade
e de repente o chão é um outro jardim
e o sol é uma lua diurna,
Alma de uma quietude risonha,
que se desprende da mata fechada para harmonizar
outras alegrias no descampado,
muito à vontade nas asas da clorofila e ao embalo
da fotossíntese,

suscitando a algazarra das maitacas,
os monólogos e duetos da passarada.
E nas proximidades
o sol e a lua trocam beijos numa carícia
sobre-humana,
a favor da realidade vitalícia dos seres
até então imperecíveis.

(*) – Dedicado aos queridos Paulo Barreto e Layla Lima, moradores no lugar emblemático do Município de Valinhos – SP.

Segunda-feira, Agosto 22, 2011

NOTAS INSÓLITAS E CORRIQUEIRAS - Lázaro Barreto.


1 – Faria um grande bem ao povo brasileiro o legislador que conseguisse a aprovação e a praticabilidade de uma lei considerando ilegal a profissão dos empresários que manobram o futebol profissional no País, rebaixando sua qualidade aos níveis abaixo dos aplausos dos torcedores apaixonados. Estes são unânimes em reconhecer o estado lastimável do futebol que se vê hoje nos estádios desolados.

Lembro-me na distância dos anos 40 da merecida fama de Leônidas e Domingos da Guia - e depois, em crescente aperfeiçoamento nas décadas seguintes, das técnicas e artes de estrelas consagradas: Danilo, Ademir, Castilho e depois a floração de craques como o Rubens, o Djalma Santos, o Newton Santos, Gerson, Pelé, Tostão, Dirceu Lopes, Garrincha, Raul – e mesmo nos tempos mais recentes as incríveis habilidades do Ronaldo Fenômeno, o Renato Gaúcho, o Zico, o Alex (do Cruzeiro) o Rivaldo. E agora? Nota-se que a arte futebolística tem descambado para o jogo sem graça, beirando ás “peladas” amadoras. O melhor futebol brasileiro está morto e mal-enterrado – esta é a opinião quase unânime dos entendidos. E qual é a causa do descalabro? Está na cara (como se diz): quem está transformando o nosso futebol num comércio espúrio e nefasto é esse tipo de negociador sem alma chamado EMPRESÁRIO, que, de conluio com os diretores dos clubes profissionais faz o que os políticos desonestos estão fazendo com a vida pública e as fontes do erário: 40% mais ou menos para o Diretor, 40% para o Empresário e o restante para os “inocentes” jogadores vaiados incessantemente pelos torcedores malogrados. LEI PARA OS TRANSGRESSORES, senhores legisladores!!!!!!!!.

2 – Viver é tudo na Vida, tudo o mais é luz de candeia ao sol – dizia James Joyce, justificando o próprio desregramento comportamental.

3 – O mundo de 2011 está com a população de 7 bilhões de pessoas. Precisa de uma nova revolução agrícola, gerar mais energia e uma nova tecnologia verde. Quem se habilita? Tivemos em 1710 a invenção da máquina a vapor; em 1757 Pasteur descobre nas bactérias as causas de muitas doenças; em 1899 a invenção da aspirina; em 1927, o primeiro antibiótico, a penicilina; em 1954, o código hereditário é descoberto – a estrutura do DNA e a revolução genética; em 1994 é liberado o uso dos transgênicos (novo tipo de tomate, etc); 1996, a clonagem da Ovelha Dolly.

4 – O livro machuca o leitor quando, primeiro, machuca o autor (James Baldwin).

5- Se gosto muito de uma idéia é porque ela é realmente boa e incapaz de fazer qualquer mal à minha pessoa. Então devo deixá-la em paz. Assim raciocina o cientista Carl Sagan, que acrescenta (em minha livre-tradução): devo procurar alimentar, debater, esmiuçar, estudar a idéia que me importuna, que me desafia, que me faz algum mal. Alguma luminosidade, ou seja, algum ponto de vista novo pode estar a caminho de uma concepção valiosa.

6 – O medo de coisas invisíveis é a semente natural daquilo que todo mundo, em seu íntimo, chama de religião (Thomas Hobges, em 1651).

7 – Sem se arrogar como dono da verdade, Carl Sagan põe em dúvida a tese religiosa de que as Escrituras sejam de inspiração divina. Nenhuma delas, ele assegura, “parecem levar realmente em consideração a grandiosidade, a magnificência, a sutileza e a complexidade do UNIVERSO revelado pela Ciência”.

8 – A ilusão de ótica.
Carl Sagan considera que as semelhanças entre os seres vegetais e animais podem não ser meras coincidências. “As plantas e os animais que sugerem um rosto podem ter mais chances de não serem devorados por criaturas com rostos”. O bicho-pau parece um graveto, corais lembram mãos, brotos de castanha apresentam rostos sorridentes, enormes olhos podem ser vistos nas asas de mariposas – e muitos insetos e animais são inidentificáveis no meio da vegetação silvestre, e assim evitam ataques de possíveis adversários. A cobra verde é invisível no meio da vegetação e tanto a relva como o cisco e a folhagem escondem bichos, pássaros, serpentes.

PRIMÓRDIOS DE DIVINÓPOLIS - Lázaro Barreto.


A atual região do Município esteve subordinada ao poder político nos períodos de:
1711 a 1744 à Villa de Sabará dos Rio das Velhas - 33 anos.
1744 a 1758 à Villa de São José dos Rio das Mortes (Tiradentes) – 14 anos.
1758 a 1847 à Villa de Pitangui – 89 anos.
1847 a 1911 à Villa de São Bento do Tamanduá (Itapecerica) – 64 anos.
Total: 200 anos. Período da emancipação: 100 anos. Total geral: 300 anos!

A primeira “entrada” no território do centro-oeste de Minas aconteceu muito depois de 1711, através dos imigrantes de Sabará pela região de Carmópolis (Japão Grande) e Cláudio, sem atravessar o Rio Pará e contornando o Rio Boa Vista que deságua no Rio Itapecerica nas proximidades de Divinópolis até onde está situada a reunião dos bairros São João de Deus e Niterói nos altos do Morro das Antenas de TV, onde os mineradores e tropeiros arranchavam-se, construindo suas casinholas na descida para o Rio Itapecerica, cuja travessia só era possível através de barcos, no lugar onde hoje situa o bairro do Porto Velho, que obteve esse nome depois que a travessia passou a ser nas imediações das itapecericas (trecho encachoeirado), ou seja, no porto novo do Niterói (que ganhou esse nome por causa dão enorme lago que existia onde hoje é toda a extensão do parque da ilha, que evocava a cidade beira-mar vizinha do Rio de Janeiro.

A outra “entrada” pelos forasteiros de Pitangui aconteceu depois de 1758 através da região aurífera da Serra Negra. Lugar em que o fundador da cidade, Manuel Fernandes Teixeira, possuía terrenos que vinham até onde ele construiu a Capela do Divino Espírito Santo e constituiu o patrimônio da mesma, doando toda a extensão da que é hoje a área urbana central da cidade. É bom lembrar que tanto de Sabará como de São José Del Rei partiam as picadas e caminhos para Pitangui e Tamanduá. Existiam as rotas dos tropeiros para as idas e voltas ao Porto de Paraty, no Rio de Janeiro, que atravessavam as regiões, principalmente em Carmópolis no ponto anterior à nascente do Rio Pará, que só vai emendar-se com o Itapecerica no outro lado do Arraial das Pecericas, na Cachoeira do Caixão, depois da atual Barragem do Gafanhoto. As viagens dos tropeiros visavam levar carne e toucinho salgados, cachaça e rapadura, para exportação e trazer os importados: macarrão, tecidos, remédios, querosene.

Manuel Fernandes Teixeira (que não tem nada a ver com o nome de Candidés) fez a doação do terreno para o patrimônio e construiu a Capela do Divino em 1770. Suas terras vinham da Serra Negra até as áreas que hoje dividem com os municípios de São Sebastião do Oeste, Carmo do Cajuru, São Gonçalo do Pará, Perdigão e Pedra do Indaiá. As terras não foram recebidas através de Sesmarias, mas através de compras e de apropriação de terras devolutas, contíguas. No mesmo ano o Conde de Valadares, então chefe do governo provincial, escreveu ao Vigário de Pitangui sobre os “entrantes” do Rio das Mortes na nossa região: “são bastantes pessoas e as fiz arranchar nestas partes, mandando que todos concorressem para o estabelecimento de uma igreja em cada um dos lugares onde se congregassem e, assim se tem conseguido”. Isso porque o ouro, nas regiões dos Rios das Velhas e das Mortes, estavam minguando.

Manuel Fernandes Teixeira morreu em 1783, deixando 12 filhos, 4 dos quais nascidos antes do matrimônio com Dona Maria Alves Ferreira, natural de Onça do Pitangui. Não consegui saber onde e quando nasceu, apenas sua procedência, em idade adulta, de Pitangui. Existiu um sertanista na Bahia por volta de 1680, que talvez tenha sido o pai dele, já que era costume batizar o filho com o nome do pai – que possuía o mesmo nome, assim como o filho de nosso personagem, que também se chamava Manuel Fernandes Teixeira. Um mistério a ser desvendado.

Aproveito a oportunidade deste artigo para levantar um protesto contra a injustiça política da cidade: Manuel Fernandes Teixeira bem que merece uma homenagem póstuma além da simples nomeação de uma ruazinha da cidade no bairro Santa Lúcia com apenas três casas possuidoras de telefones. E também o nome do Engenheiro José Berredo, que demarcou, arquitetou e dirigiu a construção das largas e belas ruas do centro da cidade mereceu até agora apenas a simples nomeação de uma ruazinha no mesmo bairro, com duas casas possuidoras de telefones. Que a justiça seja feita, ora, pois.

NOVA SERRANA – DOS PÉS Á CABEÇA. - Lázaro Barreto.


Geralmente o que propicia e define a riqueza material de uma cidade é a sua capacidade (potencialidade) produtiva nos vários ramos de negócios de uma sociedade humana de rentabilidade equilibrada. Itapecerica marcou época histórica em virtude de suas pródigas jazidas auríferas – e hoje conta com a produção do grafite como outra importante referência econômica. Itaúna e Pará de Minas cresceram e continuam crescendo graças ao dinamismo de seus habitantes que sabem explorar as potencialidades agrárias. Divinópolis e Nova Serra optaram pela logística do aproveitamento geográfico de polarização regional – que facilita o emprego da mão de obra e o escoamento da produção industrial (calçadista em Nova Serra e do vestuário em Divinópolis). Assim é, ao que me parece: Nova Serrana e Divinópolis, dois pólos em constante ascensão em todos os sentidos - e não apenas no que se refere à riqueza material.

Divinópolis desfruta de um bom renome cultural graças aos talentos criativos individuais, que ao longo do tempo configuram na paisagem dinâmica do materialismo o clarão necessário da espiritualidade através da cultura livresca. Dispomos aqui de bons órgãos de divulgação e, principalmente os inequívocos expoentes da criatividade artística. Entre os quais posso citar Petrônio Bax, GTO, Túlio Mourão, Sebastião Benfica Milagre, Osvaldo André de Mello, Jadir Vilela, Mauro Corgozinho Raposo, Carlos Antônio Lopes, Mercemiro de Oliveira, Carlos Altivo, Adélia Prado e tantos outros de notáveis capacidades. Uma riqueza inexpugnável, um padrão de sensibilidade e de moralidade, uma tábua de valores inerentes à salubridade vital no esfacelado planeta em que vivemos.

E Nova Serrana? Conheço a cidade e admiro o dinamismo e a coerência dos habitantes, que buscam a felicidade conciliando o rigor do trabalho com o prazer da recreação.

O escritor Luciano de Assis (alpharrabio-ns@hotmail.com) esteve, cordialmente, em minha casa e deixou, como belos e valiosos presentes, exemplares de cinco números (ano 3, números 16 a 20) do “Franzine ENTRE ASPAS – Informativo sócio-cultural e literário de Nova Serrana”, publicações muito bem cuidadas, repletas de textos de boa qualidade, assinadas por autores novos e promissores, entre os quais cito Bianca Fernanda, Rita Lamounier, Valter Júnior, Laísa Andrade, Vall Duarte, Maria Helena, Carlinhos Colé, Carla Cardoso, Jocó Lucas, Leandro Caetano, Evaldo Silva e o mencionado Luciano de Assis, responsável pela paginação e pelos editoriais concisos e esclarecedores. Ele (Luciano) deixou comigo, outro belo presente, o exemplar autografado do livro de sua autoria “LENDAS URBANAS – Histórias Que o Povo Conta”, portador de uma leitura deliciosa e instigante, que pretendo ler a seguir. As edições do “Entre Aspas” apresentam textos de linguagem escorreita e ao mesmo tempo legível. Um vocabulário invulgar, significativo, a gramática enriquecendo o estilo às vezes discursivo, às vezes poético. Uma tônica literária predomina - e não simples exercícios passageiros. Toda a forma e todo o conteúdo a prometerem fecundas incursões. Contos, crônicas e poemas sóbrios, legíveis, cheios de vida cotidiana.

Na introdução de seu conjunto de “Lendas Urbanas” (Editora Virtual Books). o Luciano escreveu: “Uma antiga tragédia italiana narra a história de dois jovens, que por puro capricho de seus pais foram impedidos de ficar juntos. Mas a paixão, a coragem e a determinação de ambos, tomados pela emoção, pelo amor e o desejo de não se separar, encontraram na morte uma forma de ficarem juntos para sempre.
Esta não é só uma linda história de amor, narrada por Willian Shakespeare, trata-se de uma das mais antigas lendas urbanas da Itália, relatada ao mundo pelos versos de um escritor”. Bem haja, pois.

ENCONTROS DAS ALMAS - Lázaro Barreto.


No circo que é o Mundo e na tragi-comédia que é a Vida, o escritor James Joyce é o malabarista da linguagem e ao mesmo tempo bandido e herói da ação romanesca. Sabia alvejar a finalidade mas não conseguia caminhar a não ser cambaleando em linhas curvas. Para ele deus e o demônio eram apenas cordas frágeis nos dois lados da pinguela. Precisava virar-se do avesso (embebedar-se, alienar-se) para conseguir a passagem interminável para um destino volúvel. É assim que percebo a figura do escritor mais polêmico do século 20 sob as astutas lentes da biógrafa Edna O’Brien mo legível, contido, explicito livro publicado pela Editora Objetiva, RJ, 2001. Da leitura assimilo algumas das intrigadas proposições: a mulher é mais presciente (pág. 100); o ciúme é para homens menores (pág. 120); o Estado é Concêntrico e o Homem é Excêntrico (pág. 172); sentia como se tivesse perdido a chave do próprio inferno (pág. 179); o escritor é quem mais sente a dor humana (pág.184) – e assim ela (Edna) vai pelas páginas, de caniço e samburá. A beleza das estrelas aumenta na medida que são mais estudadas. É assim mesmo (eu como velho leitor já sabia) que espicha indefinidamente o fluxo mental e de consciência dele, a influenciar mundo afora uma nova postura literária diante da Vida e do Mundo. (Ver mais a respeito do assunto em meu blog (http://lazarobarreto.blogspot.com) – o artigo que escrevi em 1965, quando ainda morava em Marilândia, com o título de ULISSES de James Joyce).

Quem Não Comparece ao Encontro de Duas Almas?

A literatura brasileira
está ferida mortalmente em sua fluência
por duas lâminas afiadas:
- o pragmatismo da mídia
- o corporativismo universitário.
É melhor dizer logo:
Ou você tenha luz própria
(seja um cara famoso e rentável)
ou tenha livre trânsito nas cátedras e academias
e
possa dar e receber bolsas à mão cheia.
Caso contrário,
seu livro não sairá da gaveta,
seus poemas envelhecerão
no ineditismo.

A Internet Corrompe o Cérebro?
“As pesquisas mostram que nossa vida on-line é capaz de afetar a neuroquímica de nosso cérebro”. – Sherry Trukle, psicóloga norte-americana. “A memória fora do cérebro não é igual a memória dentro do cérebro. O que guardamos na cabeça nos permite fazer associações, conexões, aprofundar o conhecimento, elaborar reelaborar. É isso que nos torna únicos”. – Nicholas Can, escritor norte-americano. “Com a rede, o nosso conhecimento está mais amplo, mas mais superficial”. – Idem, idem.

Relações Humanas.
Na insônia o pensar obsessivo não mata, mas prolonga a agonia.
O sexo só afeta a saúde, negativamente, quando desperta desejos mórbidos.
O ciúme é mesmo o monstro de olhos verdes? Não, nada disso. É o monstro de olhos fuzilantes e ferinos, vermelhos em brasa, afugentando aos gritos e açoites o espírito do prazer físico. É o desmancha-prazer dos namorados e cônjuges em todas as épocas e lugares. Uma besteira descomunal.

Escrevendo (muito bem) sobre o relacionamento marido-esposa no final do século passado, a escritora Mary Del Priore, observa : “a postura mais responsável da mulher era comprovada pelas autoridades brasileiras. Quando uma família recebia um lote em bairros populares, o titulo de propriedade ia para ela e não para ele. A experiência demonstrou que, com muita freqüência, o pai seria capaz de vender o lote por uns trocados e ir embora. Já a mulher, com garras de leoa, protegia o abrigo da família”. Pura verdade.