sábado, junho 30, 2007

MEMÓRIAS LITERÁRIAS

A revista literária POEMA CONVIDADO, editada por Terezinka Pereira (University of Colorado – Dept. of Spanish & Port. , Boulder, Colorado, 80302 USA), faz no número 16 de março de 1976 a reprodução de uma carta que mandei à Terezinha, na página 10, acompanhada da resposta: “De uma carta de LÁZARO BARRETO Há muito tempo que pretendo escrever-lhe, mas esperava publicar a nota sobre a turma da GERAÇÃO COMPLEMENTO, que finalmente saiu no “Suplemento Literário do Minas Gerais”. Você viu? Depois de sair é que vi como o trabalho é pequeno em relação ao assunto, e falho, omisso, dando talvez até uma idéia errônea do que foi o Movimento. Quem sabe eu não deveria ter publicado? Acho que o assunto está a merecer estudo de maior fôlego, mais completo e profundo. Quem se aventuraria? De minha parte, estou canhestro. Não participei de dentro da coisa, fui mais um espectador, com raras participações. Estava muito verde naquele tempo, não tinha a competência nem o arroubo para ombrear em qualificações com os demais membros. Então, por pudor, retraia-me. Mas fico muito feliz observando os grandes e belos frutos que produziu. É toda uma geração que agora se dispersou, mantendo porém o cordão umbelical da mesma fonte de desespero floral e ânsia libertária”. Resposta da Terezinka (na época assinava Terezinha. Esposa do grande poeta e crítico Heitor Martins que, com ela migrou para os Estados Unidos, onde estão até hoje): “Querido e Distante Amigo Lázaro: Seu artigo estava excelente. E você representou um papel único e talvez o mais importante da “Geração Complemento”, o de espectador consciente: Nenhum de nós tínha consciência do que estava passando, embora com vaidade nos chamávamos de uma “Geração Complemento” (deve ter sido um termo inventado por Heitor) e não houve outro espectador. Só você sentiu a importância do acontecimento, talvez porque fosse demasiado jovem ou tivesse demasiada auto-crítica para participar. Mas você tem razão, o fato vai ter de merecer algum estudo. Qualquer pesquisador literário que estudar a minha obra, vai ter de buscar as raízes lá naqueles encontros da “Tiroleza”.