sábado, novembro 14, 2009

ALVORADA - Lázaro Barreto.


Lamentável
é a falta que faz o canto dos galos nos amanheceres
estivais
os diálogos altissonantes nos quintais do desfeito estágio rural
de nossa civilização
na qual perpassa o amálgama das convivências saudáveis:
cada galo a mandar para os outros galos
de quintal a quintal,
a mensagem de fé no amor,
melodicamente
na mesma afinação e afirmação de uma vida que se perpetua
na polidez na aquiscência na afabilidade
das criaturas educadas no comum acordo
da necessária
da necessária comunicação de solidariedade da afeição recíproca
e generalizada
sinalizando em sutil fusão vitalícia
uma sociedade que anseia e que pleiteia
a felicidade recíproca e generalizada no ser e no estar de todos os viventes
deste mundo.

(Assim
a saudade perscruta os escaninhos da lembrança rural
(jamais abolida)
e encontra o conforto dos pensamentos e dos sentimentos
estimulantes
que o canto dos galos no terreiro da casa que o tempo levou
quase aflorando
um poema a respeito do assunto).