quinta-feira, outubro 08, 2009




UMA, DUAS ARGOLINHAS - Lázaro Barreto.


- A Natureza tem suas próprias leis, às quais obedece cegamente. E tem seus algozes, dos quais não consegue desvencilhar, infelizmente.

- Diante do caos urbano de nossa Divinópolis (os estragos da última enchente clamam aos céus há quase um ano!), até o meu velho mestre imaginário está pisando em falso no estúpido realismo – e em vez de responder está é fazendo perguntas do tipo: o que o poder público faz com o dinheiro dos pagadores de impostos?

- Quando você pensa numa determinada coisa, a palavra de sua referência vem, junto, no próprio pensamento. Não cientificamente exata, mas poeticamente cabível no momento da ocorrência.

- Palavras, fatos, pensamentos são coisas diferentes correlacionadas no mesmo contexto circunstancial. Cada coisa sugere seu próprio nome (que pode até ser um tanto volátil), traz embutida em si mesma (como que em anexo ou em relance pensativo, num instintivo acordo) a palavra que prontamente a define.

- Se a língua não dá conta de dizer o que você quer dizer, mude a língua, ou seja, invente vocábulos e expressões. Não foi assim que Joyce e Guimarães Rosa fizeram?

- “A língua é pessimamente equipada para ser um meio de raciocinar. Só é utilizável com o apoio de uma imensa infra-estrutura de computações mentais abstratas” – assim assegurou Steven Pinker na página 177 de seu livro (calhamaço) “Do Que É Feito O Pensamento”.

- “Palavras são tolos que seguem, cegos, quando olham um livro. Mas pensamentos são martins-pescadores que assombram as poças de quietude” – assim falou Siegfried Sasson, através do livro supra-citdo.

- Esta vida é triste demais, alguém me dizia, outro dia. É preciso sofrer demais para ser feliz. E quase todas as pessoas prosseguem na infelicidade até que a morte venha aliviá-las.

- Alguém indagou-me outro dia se acaso tenho algum grau de parentesco com o famoso cineasta Luiz Carlos Barreto, que acaba de produzir o filme-propaganda sobre o atual presidente da república. Parêntesis: em se tratando de filme sobre o aludido personagem, continuo preferindo o “Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade. Quanto ao sobrenome Barreto, no meu caso, tenho a dizer que é de uma linhagem portuguesa transmitido na pessoa de meu tataravô que, no século 18, chegou e estabeleceu-se em Minas Gerais. Quanto ao sobrenome do cineasta, deve ser da mesma origem portuguesa, mas seus antepassados chegaram ao Brasil na primeira fase da colonização, fixando-se no nordeste, de onde proliferaram por todo o país, enriquecendo moralmente a história pátria. Com o filme agora produzido, financiado por empreiteiras do poder público, o cineasta não terá avançado na lua pensando ser um queijo? Não estará indo depressa demais ao pote de barro?

- O melhor dicionário do mundo terá cinco milhões de palavras? Seis ou dez milhões? Mesmo que tenha vinte, nem assim estará contendo todas as palavras possíveis. Isso mesmo. Nem todas as palavras existentes são conhecidas. Os mestres em vocabulários estão sempre cunhando novas palavras, como diria Steven Pinter.

- Quando você não encontra palavra para exprimir um pensamento nebuloso, você está aquém ou além da esfera do pensamento. Precisa entrar no meio dele. Se não conseguir agora, deixe para depois. A insistência costuma desbloquear a colisão entre o pensamento e a linguagem (ilações de leitura do citado livro).

- Para o escossês Gregory Clark, autor do livro “Um Adeus às Esmolas” (veja a revista VEJA de 07/10/09) afirma que o crescimento econômico de um país depende da qualidade cultural e genética de seus cidadãos. “Não há muita coisa que um governo possa fazer para desenvolver um país como o Brasil”, ele afirma. A prova do que diz, ele acrescenta, é o fato notório de que os imigrantes estrangeiros sempre prosperam aqui muito mais do que os nativos. Uma tese de coloração racista? Ele afirma que “a herança genética não é o único componente para o sucesso, mas não há dúvida de que ele existe”. E o que favorece o atributo genético? Na opinião dele é “a disposição para o trabalho duro, a inventividade, a habilidade com números, a facilidade de aprendizado e a aversão à violência”.

- Para se ter uma idéia do desmando no Brasil entregue às pulgas e baratas e corruptos: existem no país 25.000 cargos de confiança (funcionários públicos que entram e permanecem no desserviço custeado pelo erário, todos contemplados com altos salários e garantias trabalhistas). Na Inglaterra existem apenas 100 cargos preenchidos por indicação política.