sábado, outubro 24, 2009

ISCAS AO LÉU - Lázaro Barreto.


Li e reli
as palavras urdidas ao longo do tempo,
reunidas ao longo do tempo
pelos seres da história da natureza,
pelos seres da história da civilização.
E as palavras eram as mesmas,
novinhas em folhas, jogadas ao lixo.

Li os poemas do homem, retratando-se.
Li os poemas da mulher, exorbitando-se.
Ambos (poemas e seres vivos) enfocados
na convivência da universal amizade,
na terra natal das circunstâncias.

Vi de relance as palavras que se escondem
nos momentos vitoriosos ou derrotistas.
Elas engasgavam de vez em quando.
Elas falavam das coisas que fazem bem
e fazem mal
à pele, à digestão....

Vi o angustioso fazer-se do canto,
prontinho,
jogado às moscas nas réstias do sol,
colhido nas ruínas da casa herdada,
tardiamente.
Li e vi e vivi, sabendo e sentindo
que os feixes e as iscas das intermináveis
palavras
referem-se ao mistério da vida no mundo
(um mistério repleto de chaves confusas).