quinta-feira, novembro 19, 2009

PERENIZAR A JUVENTUDE (*)


Ó tempo voraz que ao leão amolece as unhas
e obriga a terra a devorar os próprios genes.
Que ao tigre desgarra os fincantes dentes
e que vive a queimar o que depois ressuscita.

Teus pés velozes abrem os caminhos no mundo,
aborrecendo as alegres estações climáticas.
É assim que imprimes no eterno o transitório.
E é aí mesmo que levanto minha voz bem alta:

De minha amada não ouses vincar a pele, nem
hoje ou amanhã endurecer-lhe o semblante.
Antes, deixa-a intacta, a seguir adiante,

como padrão de beleza nos dias do futuro.
Assim seja! E se assim não o fizer, encarrego-me
de mantê-la em meus versos jovial e bela, sempre!


(*) Paráfrase de Lázaro Barreto de um Soneto de William Shakespeare.