quarta-feira, abril 14, 2010

A BRIGA NO ESCURO - (A fé numa dádiva que ainda não foi concretizada) – Lázaro Barreto.


As descobertas telescópicas de Galileu “desmentiram aspectos fundamentais da ciência aristotélica, considerada o padrão de verdade por mais de mil anos” (página 87 do livro de Dan Burstein e Arne de Kejzer, “Os segredos de Anjos e Demônios”, Editora Sextante, Rio de Janeiro, RJ, 2005. Para Wade Rowland (um dos entrevistados do livro) “a ciência sempre deveria ter precedência sobre as escrituras em todos os assuntos que admitissem a pesquisa científica” (página 83).. A partir deste parágrafo omitiremos os nomes dos autores e da editora, para evitar a repetência e economizar espaço. Citaremos apenas os números das páginas do livro e os nomes dos autores de cada fragmento aproveitado.

A ciência avança e a religião estaciona (pág. 88). O brasileiro, professor de Filosofia Natural, Marcelo Gleiser, cita Newton na página 66, para assegurar que a própria natureza contradiz a idéia católica de Deus, citando também Benjamim Franklin, que relega Deus ao papel de criador do mundo e das leis que regulam seu funcionamento, mas que não mais marca presença no universo, cujo segredo é a natureza que agora detém. As lições de moral que, segundo Galileu, a moderna cultura ocidental ensina é que “a pedra angular de nossa crença em um poder supremo na validade da razão e no exclusivo acesso ao conhecimento confiável do mundo, não é da alçada da religião e da espiritualidade, que não passam de meras superstições” (pág. 91). Sabemos, mesmo assim que a ciência “JAMAIS” terá todas as respostas. Mas um dos entrevistados, Richard Dawkins (pág. 95), chega a ser ríspido ao afirmar que a religião “ou admite que a Deus é uma hipótese científica e deixe que Ele se submeta ao mesmo julgamento que qualquer outra hipótese científica ou aceite que seu status não é mais alto do que o das fadas e duendes”.

Dawkins, que é biólogo, zoólogo, professor, líder evolucionista e ateu, é bem rigoroso, também, quando compara a fé religiosa com a orientação científica: “a ciência proporciona o sentido mais estupendo de maravilha em relação ao universo e à vida, algo que obscurece o pequeno, pobre, insignificante e mesquinho sentido de admiração que qualquer religião já conseguiu formar” (pág. 103). Ele “está certo que a ciência acabará explicando a razão de nossa existência”, como acentua, na mesma página, o diretor do CERN Maximiliam Kosler. E vai além, chamando a religião de vírus mental e declarando que ensiná-la às crianças equivale aos maus-tratos infantis (pág. 103). E continua dizendo que “a ciência não pode oferecer nenhum ética, nem a religião pode. Se fundássemos nossa ética na religião, ainda estaríamos apedrejando as adúlteras até a morte (...). Quando as pessoas de hoje de fato baseiam sua ética na religião, tal ética é de má qualidade porque inclui coisas como a resistência à pesquisa das células-tronco”.

A comparação entre os cientistas e os políticos (pág. 111, ainda Dawkins com a palavra): “os Estados Unidos são a principal nação científica do mundo, e o que é tão confuso é a mania religiosa que tomou conta do país. Se olharmos para a elite de cientistas americanos, que realmente representa a elite do mundo, veremos que mais de noventa por cento dos eleitos para a Academia Americana de Ciências são ateus. Compare esse dado com o que temos dos senadores: nenhum deles se declara ateu. Isso não pode ser verdade, pois eles retratam o mesmo tipo de pessoa. A conclusão irresistível é de que estão mentindo. O que é muito triste é que eles precisam mentir para serem eleitos (...). O político não consegue votos se for ateu. As pessoas preferem votar em qualquer outra categoria do que em um ateu”.

Com a palavra Dean Hamer (geneticista famoso): “A igreja católica é contra o aborto, as células-tronco, a homossexualidade, as liberdades individuais – é muito preconceituosa. Os conflitos entre a ciência e a religião ainda não acabaram. Se a religião permanecer arraigada às idéias culturais que não estão necessariamente corretas e que são reforçadas pela burocracia, ela continuará perdendo (pág. 117). “A verdade científica nos diz quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Os mitos e o misticismo acabam sendo dominados e submetidos à realidade empírica. É de fato possível encontrarem-se milagres modernos na medicina moderna: injeções de insulina, marca-passos, exames de ressonância magnética, radiografias, cirurgias de transplantes e remédios” - palavras de Josh Wolfe, jornalista especializado em nanotecnologia, na página 123. Constato, mesmo faltando muitas páginas para a pilhagem de transcrições, que posso dizer sobre o livro que ele é muito importante para quem aprecia o debate de idéias claras e lúcidas.