terça-feira, novembro 09, 2010

PILULAS DE VIDA COLHIDAS AO ACASO - Lázaro Barreto.


- O pai de Aécio Neves, Aécio Ferreira da Cunha, casado com Maria Inês, filha de Tancredo Neves, faleceu no dia 3 de outubro, mesmo dia da vitória eleitoral, como senador, do filho. Foi duas vezes deputado estadual e 6 vezes deputado federal. Foi Ministro do Tribunal de Contas (TCU) em 1987 e – único caso no TCU em 119 anos – renunciou à mordomia da aposentadoria vitalícia. Gente fina é outra história.

-“As quatro condições elementares da felicidade, segundo Edgar Alan Poe: a vida ao ar livre, o amor de uma mulher, o desprendimento de qualquer ambição e a criação de um Belo novo”. – Charles Baudelaire.

- As pessoas de um modo geral não acreditam em Deus. São ateias e à-tôas. Se realmente acreditassem, viveriam segundo suas leis expostas na Bíblia. Como tal obediência parece ser impraticável pelo sentido de confusão e de contradição no próprio espírito delas, é fácil concluir que as pessoas, de um modo geral, estão mentindo para os outros e para si mesmas quando afirmam serem fiéis às leis do dogma divino. Nesse caso os ateus e agnósticos são mais honestos do que os crentes da onipotência divina.

- As descrições paisagísticas de Poe são como narrativas novelísticas: revelam uma espécie de pânico geométrico, um azul pardo, um verde amarelo, a árvore pejada de vento, a relva inconsútil das superfícies do mar, da campina e da planície.

- Segundo o filósofo Vladimir Safathe, “a polícia brasileira é a que mais mata no mundo – e tortura mais do que na época do regime militar”. Assim ele afirma em artigo sobre o filme Tropa de Elite 2, de José Padilha

- Ezra Pound uma vez disse que só em seus tempos de decadência a poesia se separava da música. E é assim que o mundo acaba, não com uma canção mas com um soluço”(Lawrence Ferlinghetti).

- A conexão entre a razão e a emoção: na alegria estimula, na tristeza acalma.
A vida, da formiga ao elefante, depende das idéias e dos sentimentos, da química biológica, das ramificações impulsivas (de situação e de ação) do cérebro, independentemente do espaço exíguo na formiga e dilatado no elefante. O ser humano seria o mais evoluído de todos os animais? Sei não. Fica eqüidistante da leveza de uma borboleta e do peso de um elefante. As emoções são reações fisiológicas diante das perspectivas momentâneas: fome diante do paladar; raiva diante da vontade de reagir; amor diante da vontade agir; culpa diante da vontade de penitenciar; alegria diante da abertura de um campo de ação; e tristeza diante do confinamento mental.

- Diante da pergunta: por que os sábios gregos e romanos nunca mencionaram o espiritismo? Chico Xavier respondeu: eles não seriam médiuns? Deus não escreveu diretamente os dez mandamentos. Usou as mãos de Moisés para psicografar, acrescentou.

- Como o romancista Philip Roth fala sobre a atriz Claire Bloom: “Ela nunca se refere ao que não tem, nunca se detém um instante sobre as perdas, infelicidades, desilusões. Teria que ser torturada para se queixar. É a criatura extraordinária mais comum que me foi dado conhecer”.

- Jeff Corwin: “Uma espécie se extingue a cada vinte minutos e, em boa parte, nós somos os responsáveis”.

- A felicidade do ser humano não parece fazer parte dos planos do Criador – é o que lemos nas entrelinhas dos textos de Freud.

- “O ato sexual não deve ser visto como vergonhoso e pecaminoso, mas como algo tão natural quanto outras necessidades do organismo sadio, tais como o apetite e a sede” – Alexandra Mikailona Kollontai (protofeminista russa, em panfleto de 1921).

- Richard Dawkins, biólogo evolucionista (o maior propagador da obra de Charles Darwin): “Deus provavelmente não existe. Então pare de se preocupar e aproveite a vida”.

- Se pudéssemos nos entender com a mosca, perceberíamos que também ela bóia no ar com esse pathos e sente em si o centro voante deste mundo” – Nietzsche.

- Agnóstico, segundo o biólogo Huxley, é alguém que acredita que a questão da existência ou não de um poder superior (Deus) não foi nem nunca será resolvida.

- O amor é antes de mais nada um desejo violento do que nos escapa. Ariosto afirma que “como o caçador perseguindo a lebre, por montanhas e vales: desdenha-a ao alcançá-la e só a deseja enquanto a persegue em fuga”. Cícero afirma que o “amor é o desejo de alcançar a amizade de uma pessoa que nos atrai pela beleza”.