sábado, setembro 11, 2010

HUMOR E TORPOR - Lázaro Barreto.


Leitura de Millôr.
Segundo uma página da Internet Millôr Fernandes (*) teria escrito que o Governo Militar, acusado de tortura, violência, falta de democracia, etc., não foi acusado de enriquecimento ilícito, corrupção, legislar em causa própria, incompetência administrativa, mensalão, dólares na cueca, aloprados, apoio a guerrilheiros ligados ao crime comum, etc., etc., etc. E constata que o PT não quer ver mais militares no Poder, pelas seguintes razões de malefícios causados por eles:
- Tiraram do cenário bucólico a Via Dutra de uma só pista através de desnecessária duplicação. Fizeram o mesmo com a rodovia Rio-Juiz de Fora. Construíram a Ponte Rio Niterói, extinguindo o trabalho da barcaça que levava meia-dúzia de automóveis em cada viagem. Criaram esse maldito Pró-Álcool, receando que o petróleo acabasse. E para apressarem o fim do ouro negro, deram um impulso gigantesco, criando a Petrobrás. Elevaram o Brasil da 45ª. economia do mundo para a 8ª., empobrecendo nossa cultura popular. Tiraram da boa vida ociosa 13 milhões de brasileiros, através da enorme oferta de empregos. Propiciaram ao Brasil, em 1971 a meritória posição de segundo maior construtor de navios no mundo. Construíram as hidrelétricas de Tucurui, Ilha Solteira, Jupiá e Itaipun sem a menor necessidade. Instalaram milhares de torres de alta tensão, levando energia elétrica em grande parte do território nacional, acabando com a mão de obra dos lenhadores e fabricantes de velas e lamparinas. Implementaram os metrôs de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, desvalorizando o serviço prestado pelos bondes tão aprazíveis. Baniram do Pais, indevidamente, pessoas ingênuas que queriam implantar aqui regimes políticos que faziam a desgraça de russos, cubanos e chineses. Vale acrescentar que os militares são muito estressados, fazem tempestade em copos de água só por causa de alguns assaltos a bancos, seqüestros de diplomatas, ninharias.... Tiraram o interesse da política, uma vez que os deputados e senadores daquela época não nos brindavam com seus deliciosos escândalos que fazem a alegria da gente hoje. Além disso inventaram um tal de FGTS, PIS e PASEP, MOBRAL, FUNRURAL, etc. Além de tantas besteiras trouxeram a TV a Cores, criaram as bobagens conhecidas como EMBRATEL, TELEBRÁS, ANGRA I e ANGRA II, INPS, IAPAS, DATAPREV, LBA, FUNABEM, um montão de trombolhos. Depois que entregaram o governo aos civis, estes, nos vinte anos seguintes não fizeram nem 10% dos estragos que eles, militares, fizeram. E, além disso, eles, pobres coitados, não conseguiram ficar ricos. E é por isto que dizemos: Militar no Poder, nunca mais! (exceto, é claro, os domesticados).
(*) – Millôr Fernandes é uma das pessoas mais lúcidas e criativas da História da Civilização Brasileira. Anda sumido da imprensa, ultimamente. Envergonhado dos desatinos dos atuais salvadores da pátria? Mas sua ironia no senso de humor está bem afiada. Ainda bem!

- PICLES.
- O inefável Barão de Itararé diria dos aquinhoados do governo: “fazem da vida pública uma extensão da privada”.
- A pugna eleitoral deste ano está desequilibrada numericamente. O número de integrantes do lado doentio é muito maior do que a o do lado sadio.
- Segundo uma gozação na Internet um debochado respondia ao papa, que recomendava a comunhão constante: “Há anos que comunguei”. O papa replicou: “Você tem que comungar sempre!” E o debochado acrescentou: “eu disse que há anos que como um guei”.
- Poesia e Política.
Em face dos últimos acontecimentos, como diria Drummond, ando propenso a considerar que a Poesia é o Bem e que a Política é o Mal. As duas qualidades humanas (as principais?) andam tão distanciadas uma da outra, que chego a pensar que o problema do relacionamento de ambas é que a Poesia nunca desafina e a Política, vira e mexe, se estrepa toda. A impressão é que não existem poetas na política (os que entram logo saem ou deixam de ser poetas) nem políticos na poesia, na qual se sentiriam como peixes fora da água. Mas não posso chegar ao extremo de afirmar que todo político é um demônio nem que todo poeta é um anjo. Há exceções, claro.

Transcrevo, aplaudindo, as palavras de Bruno Tolentino, grande poeta, falecido em 2007, a respeito dos bons compositores e péssimos escritores Caetano Veloso e Chico Buarque. Sobre o primeiro: “ele está virando tese de professores universitários.... É preciso botar os pingos nos is. Cada macaco no seu galho, e o galho de Caetano é o showbiz. Por mais poético que seja, é entretenimento. E entretenimento não é cultura. Sobre p Chico, ele escreveu: “No Brasil, há muita falta de respeito pela realidade, pelo próximo, pela legalidade.... A verdade foi substituída pela verossimilhança: a literatura pela imitação da literatura. O crítico Wilson Martins mostrou com muita acuidade e mordacidade que os romances de Chico Buarque são uma reedição do nouveau roman, que já morreu. Conheci toda aquela gente, e sai correndo. Chato existe em todo lugar, não só no Brasil”.

“Ezra Pound afirmou que só em seus tempos de decadência a poesia se separava da música. E é assim quando o mundo acaba: não com uma canção, mas com um soluço”. (Lawrence Ferlinghetti, no livro “Vidas Sem Fim”, tradução de Paulo Leminski, Editora Brasiliense, 1984, São Paulo, SP.).