quarta-feira, outubro 06, 2010

PAULINHO - Lázaro Barreto.


Quem vem da vida para o mundo,
depois de longa comunhão placentária,
abençoa quem vivamente o esperava.
O sopro da inocência acende a luz:
é o gratificante milagre da Criação!

A primavera aperfeiçoa a própria aura?
A concepção (desejada e conseguida)
de uma vida dentro de outra vida.
Assim espelhada no ultrassom:
as covinhas no queixo,
os bracinhos erguidos nos balbucios:
um chorinho a procura de um sorriso?

Que venha a nós na infância dele
as graças inaudíveis e indizíveis,
concebidas e cerzidas ponto a ponto
nos dias e noites de tantos meses
da expectante vigência intra-uterina
a criar
os liames biológicos e anímicos do nascituro.

Nutriz e auréola do sentimento?
Prelúdio e voz do pensamento?
O olhar sobre um mundo recomeçando?
As feições delineadas,
os traços verossímeis:
marcante fusão da herança familiar?

Agora
o Paulinho está sorrindo,
mesmo quando chora?