segunda-feira, agosto 22, 2011

PRIMÓRDIOS DE DIVINÓPOLIS - Lázaro Barreto.


A atual região do Município esteve subordinada ao poder político nos períodos de:
1711 a 1744 à Villa de Sabará dos Rio das Velhas - 33 anos.
1744 a 1758 à Villa de São José dos Rio das Mortes (Tiradentes) – 14 anos.
1758 a 1847 à Villa de Pitangui – 89 anos.
1847 a 1911 à Villa de São Bento do Tamanduá (Itapecerica) – 64 anos.
Total: 200 anos. Período da emancipação: 100 anos. Total geral: 300 anos!

A primeira “entrada” no território do centro-oeste de Minas aconteceu muito depois de 1711, através dos imigrantes de Sabará pela região de Carmópolis (Japão Grande) e Cláudio, sem atravessar o Rio Pará e contornando o Rio Boa Vista que deságua no Rio Itapecerica nas proximidades de Divinópolis até onde está situada a reunião dos bairros São João de Deus e Niterói nos altos do Morro das Antenas de TV, onde os mineradores e tropeiros arranchavam-se, construindo suas casinholas na descida para o Rio Itapecerica, cuja travessia só era possível através de barcos, no lugar onde hoje situa o bairro do Porto Velho, que obteve esse nome depois que a travessia passou a ser nas imediações das itapecericas (trecho encachoeirado), ou seja, no porto novo do Niterói (que ganhou esse nome por causa dão enorme lago que existia onde hoje é toda a extensão do parque da ilha, que evocava a cidade beira-mar vizinha do Rio de Janeiro.

A outra “entrada” pelos forasteiros de Pitangui aconteceu depois de 1758 através da região aurífera da Serra Negra. Lugar em que o fundador da cidade, Manuel Fernandes Teixeira, possuía terrenos que vinham até onde ele construiu a Capela do Divino Espírito Santo e constituiu o patrimônio da mesma, doando toda a extensão da que é hoje a área urbana central da cidade. É bom lembrar que tanto de Sabará como de São José Del Rei partiam as picadas e caminhos para Pitangui e Tamanduá. Existiam as rotas dos tropeiros para as idas e voltas ao Porto de Paraty, no Rio de Janeiro, que atravessavam as regiões, principalmente em Carmópolis no ponto anterior à nascente do Rio Pará, que só vai emendar-se com o Itapecerica no outro lado do Arraial das Pecericas, na Cachoeira do Caixão, depois da atual Barragem do Gafanhoto. As viagens dos tropeiros visavam levar carne e toucinho salgados, cachaça e rapadura, para exportação e trazer os importados: macarrão, tecidos, remédios, querosene.

Manuel Fernandes Teixeira (que não tem nada a ver com o nome de Candidés) fez a doação do terreno para o patrimônio e construiu a Capela do Divino em 1770. Suas terras vinham da Serra Negra até as áreas que hoje dividem com os municípios de São Sebastião do Oeste, Carmo do Cajuru, São Gonçalo do Pará, Perdigão e Pedra do Indaiá. As terras não foram recebidas através de Sesmarias, mas através de compras e de apropriação de terras devolutas, contíguas. No mesmo ano o Conde de Valadares, então chefe do governo provincial, escreveu ao Vigário de Pitangui sobre os “entrantes” do Rio das Mortes na nossa região: “são bastantes pessoas e as fiz arranchar nestas partes, mandando que todos concorressem para o estabelecimento de uma igreja em cada um dos lugares onde se congregassem e, assim se tem conseguido”. Isso porque o ouro, nas regiões dos Rios das Velhas e das Mortes, estavam minguando.

Manuel Fernandes Teixeira morreu em 1783, deixando 12 filhos, 4 dos quais nascidos antes do matrimônio com Dona Maria Alves Ferreira, natural de Onça do Pitangui. Não consegui saber onde e quando nasceu, apenas sua procedência, em idade adulta, de Pitangui. Existiu um sertanista na Bahia por volta de 1680, que talvez tenha sido o pai dele, já que era costume batizar o filho com o nome do pai – que possuía o mesmo nome, assim como o filho de nosso personagem, que também se chamava Manuel Fernandes Teixeira. Um mistério a ser desvendado.

Aproveito a oportunidade deste artigo para levantar um protesto contra a injustiça política da cidade: Manuel Fernandes Teixeira bem que merece uma homenagem póstuma além da simples nomeação de uma ruazinha da cidade no bairro Santa Lúcia com apenas três casas possuidoras de telefones. E também o nome do Engenheiro José Berredo, que demarcou, arquitetou e dirigiu a construção das largas e belas ruas do centro da cidade mereceu até agora apenas a simples nomeação de uma ruazinha no mesmo bairro, com duas casas possuidoras de telefones. Que a justiça seja feita, ora, pois.