segunda-feira, agosto 22, 2011

A RUA MAIS ANTIGA DE DIVINÓPOLIS - Lázaro Barreto.


Acredito, desde 1992, quando fiz a esforçada, criteriosa e atenta pesquisa para escrever e publicar o livro “Memorial de Divinópolis”, que a primeira rua implantada no antigo Arraial das Pecericas, que hoje é a pujante cidade prestes a comemorar o centenário de sua emancipação (e não de sua existência, que remonta aos distanciados anos da idade do ouro das minas nas primeiras décadas do século 18) – é a 23 de Novembro, que começa subindo a partir do Canto da Mina no bairro Porto Velho até o final do morro no bairro São João de Deus, na praça da Casa de Apoio ao Portador de Câncer. Estreita e enviezada, começa no número 200, com seus postes de madeira e casebres rudimentares ao lado de construções mais recentes. E logo depois da casa de número 226, ela faz uma curva, mas continua subindo e no número 229, ela estranhamente vira à direita até a Rua do Estanho, sobe um quarteirão e depois volta na linha de sua inicial trajetória e continua subindo. Ali no impasse da trajetória reside a Família de Maria Vieira de Jesus (Lia do Ambrósio), egressa da cidade de Sabará.

Todas as evidências levam-me a crer que os primeiros habitantes de nossa cidade vieram da antiga e faustosa Sabará - a terceira Villa criada em Minas, em 16/07/1711, sendo que um dos subscritores de seu Termo de Erecção é o Manuel Carvalho da Silva que, adquirindo terrenos e uma Sesmaria na região de Cláudio e do Desterro, construiu um imponente casarão como sede da fazenda e também a Igreja de Nossa Senhora do Desterro, em 1754 – a mais antiga de todo o Oeste de Minas, constituindo seu Patrimônio com a doação de cerca de 140 alqueires de terra do lado esquerdo do Rio Boa Vista. A minha afirmação sobre a origem sabaraense dos principais colonizadores da região é reforçada com o fato de que logo adiante do Desterro erigiu-se o Arraial do Sabarazinho, que ainda existe com a mesma denominação. Também os fatos históricos constantes em variados documentos da época colonial atestam que o escasseiamento da pródiga mineração da área próxima à sede da Comarca concorreu pela migração dos mineradores de Sabará para as outras regiões auríferas, no caso: Pitangui, Tamanduá, Desterro, Pecericas (nome de Divinópolis, na época). Até 1744 toda a região esteve sob a jurisdição de Sabará – a terceira Villa criada em Minas Gerais. Se a produção das férteis minas sabaraenses minguavam, era natural que os mineradores procurassem outras minas nas regiões adjacentes. E foi assim que teve inicio a proliferação de outras Villas, inclusive Tamanduá (hoje Itapecerica), Pitangui e outras circundantes, como é o caso de Pecericas (hoje Divinópolis) e Desterro (hoje Marilândia).

Foi assim que Sabará propiciou a povoação da área mais central de Minas, como consta na página 8 da Revista do Arquivo Público Mineiro, Ano II, janeiro e marco de 1897 – Imprensa Oficial, Ouro Preto, MG: “Na barra do Rio das Velhas que desemboca no Rio São Francisco ficando na Jurisdição da dita Comarca todas as povoasoins que ficam pela banda do oeste entre o Rio das Velhas e o Rio Paraopeba the a Villa Pitangui e seus descubrimentos”.... Resta-me, pois, a dedução (lógica, plausível) que os primeiros moradores da região são egressos de Sabará e que Divinópolis pertenceu à Comarca do Rio das Velhas (ou seja, Sabará) no período de 1711 a 1744. E que de 1744 a 1758 pertenceu a Villa de São José do Rio das Mortes (Tiradentes); e de 1758 a 1847 pertenceu a Villa de Pitangui e de 1847 a 1911 passou a pertencer a Villa de São Bento do Tamanduá (Itapecerica). Em 1912 (ano de bela e boa memória) veio a nova fase da emancipação política, vicejando até hoje, florescente e frutífera.