segunda-feira, maio 05, 2008

ASPECTOS PONDERÁVEIS DA HISTÓRIA DO BRASIL (II)

1 – Do que às vezes resulta a chamada infalibilidade papal: em meados do século XV o Infante D. Henrique “enviou um embaixador a Roma para obter uma bula papal que lhe concedesse não apenas o monopólio no comércio com a África como a autorização para “fazer a guerra contra os infiéis, tirar-lhes as terras e escravizá-los. O papa Eugênio IV assinou tal bula em 19/12/1442 e Nicolau V renovou-a em junho de 1452. Assim é que estava nascendo um império escravagista”. Página 74 do livro “A Viagem do Descobrimento”, de Eduardo Bueno (Edit. Objetiva, 1998). A ingratidão dos brancos: além de escravizarem os negros, os portugueses não só cometeram outras barbaridades e ingratidões étnicas e éticas: depois de se valerem dos tupiniquins (tupis e guaranis) que ocupavam quase todo o litoral brasileiro, para vencerem os tupinambás-tamoios, aliados dos franceses, eles massacraram os indígenas de tal maneira que “por volta de 1570” as referidas tribos “já estavam virtualmente extintas. Muitos de seus membros por ordem de Mem de Sá (por que esse assassino merece ter uma rua com seu nome em Divinópolis?), “o terceiro Governador Geral do Brasil”. (ver página 92 da obra supra-citda). O Amazonas (quem te viu e quem te vê) nos anos de 1500: “Aquele mar doce coagulado de ilhas – algumas enormes: todas felizes pela fertilidade do solo – a maioria habitada por gente mansa e sociável, - mas pouco úteis para os nossos colonizadores, porque ”não possuem produtos desejáveis, a saber: ouro e pedrarias”. “Havia árvores tão grandes que um cordão de 16 homens unidos pelas mãos não era capaz de abraçá-las”. Os animais eram todos desconhecidos e pareciam monstruosos. (Pág. 190, do livro “Náufragos, Traficantes e Degredados”, de Eduardo Bueno (Edit. Objetiva, 1998). A extinção do Pau Brasil: “a exploração do “pau-de-tinta” foi feita num ritmo tão feroz que, ao longo do séc. XVI, portugueses e franceses levaram, em média, oito mil toneladas de madeira por ano para a Europa. Só no primeiro século de exploração, cerca de dois milhões de árvores foram derrubadas – uma espantosa média de 20 mil por ano, ou quase 50 por dia. Não é de se estranhar, portanto, que, já em 1558, as melhores árvores não pudessem ser encontradas a menos de 20 km. da costa”. Página 75 da obra citada. Vale a pergunta: e daqui a quanto tempo poder-se-á dizer o mesmo das atuais florestas (de toda espécie de madeira) remanescentes no país? Entradas e Bandeiras: “Os bandeirantes paulistas foram o s maiores caçadores de escravos de seu tempo e os levaria a destruir os Trinta Povos Guaranis (como eram chamadas as “missões” fundadas pelos jesuítas espanhóis). As Entradas eram apenas incursões exploratórias e ocorreram muito antes (as de Vespúcio e de Martim Afonso nos primeiros anos de 1500, quando o país era uma das “colônias para a qual os condenados de Portugal eram enviados para cumprir degredo). Um alvará de El-Rei em 1535 determina que as colônias e sobretudo o Brasil sejam declaradas “coutos e homizio para todos os condenados que nelas quiserem ir morar, ainda que sejam condenados por sentenças até de pena de morte, excetuando somente os culpados por crime de heresia, traição e sodomia e moeda falsa. Por outros quaisquer crimes, não serão os degredados para o Brasil de modo algum inquietados ou interpelados”. Página 91 do livro “Capitães do Brasil”, de Eduardo Bueno, Edit. Objetiva, 1999. Um outro mau exemplo brasileiro? Na página 137, da obra citada, lemos que “apesar de Luís de Góis ter levado a planta para Portugal, o hábito de fumar tabaco só se espalhou na Europa depois que o embaixador francês em Lisboa, Jean Nicot, recolheu secretamente algumas mudas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e as enviou, em 1560, para a rainha Catarina de Médicis, mulher do Rei Henrique II. A rainha e a corte francesa adotaram o hábito de fumar. Ironicamente, embora Jean Nicot nunca tenha fumado – nem recomendasse o uso da erva – seu nome acabaria sendo usado para batizar o princípio ativo do tabaco: a nicotina”. Assim Francisco Pereira escreve ao rei de Portugal, em 1536, sobre a sua dotação hereditária de terras na Bahia: “Esta é a melhor e a mais limpa terra do mundo... Uma anta vale um vintém, um veado o mesmo um vintém, um porco montês o mesmo vintém, um coelho dois vinténs, e muitas caças de outras maneiras, o peixe é tanto que vai de graça e são peixes de oito palmos, muitos linguados, salmoneres, pescadas e sardinhas... A costa lhe dará tudo o que lhe deitarem, os algodões são os mais excelentes do mundo e o açúcar se dará quanto quiserem” (Página 260 do livro “Capitães do Brasil”, do autor citado). Na página 130 da mesma obra, há a referência às mansões construídas por Martin Afonso, “destruídas pelo terremoto que devastou Lisboa em primeiro de novembro de 1755, matando cerca de 20 mil pessoas. A cidade foi reconstruída pelo Marquês de Pombal, graças aos diamantes encontrados pouco antes no Arraial do Tejuco, hoje Diamantina, em Minas Gerais”. Obra citada, página 130.