terça-feira, março 17, 2009



A ARTE DE ESCREVER - Lázaro Barreto.


Lélia Parreira Duarte, autora de muitos trabalhos literários, entre os quais o monumental “Veredas de ROSA – Seminário Internacional Guimarães Rosa (1998-2000) - PUC Minas: 765 páginas de 26 x 18 cm., contendo textos de 143 autores - entre os quais o deste resenhador, intitulado “Manuelzão e Miguelim, da página 348 a 353, cuja leitura apresentei pessoalmente numa das Salas destinadas ao Seminário, da mesma Universidade. Ao longo da textura do volume captei e anotei a importância de dados sobre: “a visão do pensamento e dos olhos” (página 24), “a mãe sendo a alegria dos momentos” (49, “o que Rosa quer, ao escrever” (52), “arredar o ruído dentro de si” (55), “o cidadão não tem o diabo dentro de si” (57), “a oralidade e o eruditismo” (275) “os chistes escancham os planos da lógica” (75), “o esplendor do simples” (77), “a utilidade do vazio” (82 - tema recorrente de sua obra), “o Natal dos marginais” 98 e 101 e “o excessivo valor dos desejos” – e assim nas páginas e mais páginas seguintes relacionam-se as preciosidades cognoscíveis e imprescindíveis aos estudiosos da alma humana. Além desse importante trabalho, ela publicou, ainda, outros trabalhos, inclusive os textos resultantes de mais dois Seminários “Ironia e Humor na Literatura de Língua Portuguesa” e “De Orfeu e de Perséfone – Morte e Literatura”, ambos de ampla e condizente repercussão crítica.

Seu novo e recente livro: EXERCÍCIOS DE VIVER em palavra e cor” (Editora Veredas e Cenários – Educação, Arte e Cultura, Belo Horizonte, MG, 2009) é uma incursão na dialética da descontração aprofundada dos juízos de valor em face às imagens subversivas do ilogismo vivencial. É um livro para se guardar no recôndito mais aprazível da biblioteca e também para presentear os amigos do coração em datas memoráveis, algo como uma jóia, preciosa, da superfície ao âmago. Ao mesmo tempo lúdico e natural, simples e profundo. Suas 72 páginas são passageiras e definitivas, cada uma preenchida com os “prodígios em textos e telas”, como afirma a prefaciadora Maria Thereza Abelha Alves. Ao lado de cada página de cor unificada, que dá guarida aos versos escritos em outras cores, vem a reprodução dos desenhos em óleo sobre tela, jogos de combinações de cores criando as figuras oníricas de expressividade instantaneamente captada, associada e auferida pelo leitor contentado. Espontâneas recriações e citações de Monet, Chagall, Kandinsk, Van Gogh, Paul Klee, Drummond, Pessoa – uma beleza comovedora. “Aprender é também inquirir, - é o que melhormente a citada prefaciadora diz do trabalho de Lélia Parreira Duarte.

O óleo sobre tela “Para Ricardo Reis”, da página 35, é um instantâneo epífânico da eternidade captado num relance para o gáudio de todo amante da beleza universal. No poema adjacente, à esquerda (pág. 34), ela reconhece que a impossibilidade de dominar a cor, sabendo, no entanto, que a “atração é infinda” e “que é bom fazer”. Minha mania de citar e citar e citar é mesmo incontida. Como não passar ao leitor as seguintes aquarelas mentais e sentimentais da autora? Dois pontos:
”A vida se acaba
mas pode ter amores (página 24).
A textura do vazio
vertido em palavra e cor (pág. 26).
Flores/ asas/ cores/ lágrimas/ orgasmos
ou a vida/ e morte/ embaralhadas?’(pág. 42).

E o dilema pictórico na página 60:
“o traço é difícil
a sombra traiçoeira,
a luz incapturável.
Mas a atração das cores
(e do discurso)
é irresistível”.

Madrugada (pág. 30):
“Aurora e serpentes/ luzes e cores/ desejos/ frustrações/ vertigens/ esperas.
Teia
de cores
Trama
de luzes
Abismo
em que me perco
me achando”.

Viagem Suspensa (66):
“Entre o sonho e a realidade
o prazer e a dor
a alegria e a sua falta
- a vida”.

1 Comments:

Blogger JOSÉ ROBERTO BALESTRA said...

Amigo Lázaro, já tentei de todas as formas procurar em sebos essa obra da Lélia, “Veredas de ROSA...", à qual você faz referência, mas até agora não fui feliz. Neca de pitibiriba de achar...

Assim, na minha qualidade de roseanófilo contumaz, fico esperando os ventos soprarem pro meu lado...

Não esbarro NUNCA! Continuo a procura. Aliás, TUDO que é roseano me encanta... e compro!

abs, e ÓTIMO FINAL DE SEMANA PR'OCÊ E OS SEUS.

5:14 PM  

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