segunda-feira, fevereiro 23, 2009

OS RETALHOS DO TECIDO II - Lázaro Barreto.


- Jarbas Vasconcelos, na corajosa entrevista concedida à Revista VEJA, vai diretamente à raiz da danosa popularidade do Lula. Segundo disse: “o Bolsa Família é o maior programa de compra de votos do mundo”. Falou e disse. Doa a quem doer.

- Os adolescentes de hoje estão sem horizontes plausíveis, despreparados para uma saudável vida adulta? A passagem da adolescência para a juventude (que está a um passo da maturidade) sempre foi uma espécie de rito crucial na vida das pessoas. É o preâmbulo da assunção de uma responsabilidade implacável, quando a pessoa começa a perder a guarida familiar e terá que enfrentar com as próprias pernas a aguerrida luta da sobrevivência, sem cair nas mãos do calango, como se diz, ou seja, mergulhar na angústia e pairar na tensão, precipícios que poderão causar a escorregação rumo aos vícios da alienação. É um fato novo que se apresenta em nosso tempo. Nós (parentes, amigos e conhecidos) de uma geração menos periclitante, conhecemos a barra pesada que é conseguir um bom estudo e um bom emprego para nossos filhos. Se conseguimos é porque contamos com eles no enfrentamento de uma barra ainda mais pesada: eles mudaram de clima, de hábitos e de comportamento, visando um êxito que só dependia do esforço deles mesmos. E agora? Agora a tônica comportamental de toda a sociedade humana adquiriu uma guinada desvinculando os jovens dos mais velhos. Os filhos desgarram-se da tutela dos pais, que assim perdem a “autoridade” sobre eles, uma vez que agora quem ”manda” nas crianças e nos adolescentes é a cultura virtual online, com a multiplicidade de seus jogos e ocupações alienantes. O que resultará dessa nova escolaridade empírica, ninguém sabe. O que sabemos é que o futuro da humanidade não pode ficar assim a deus-dará, entremeado de crises políticas, econômicas e existenciais.

- J. R. Guzzo, depois de retratar fielmente a figura hedionda do deputado Edmar Moreira, em sua coluna da Revista VEJA (edição de 18/02/09), amplia o foco com as palavras: “uma pesquisa realizada algum tempo atrás revelou que o bicho que os brasileiros achavam mais parecido com os políticos era o rato – um duro golpe para os ratos, animais que já tem sérios problemas de imagem junto à opinião pública e realmente não precisavam de mais essa”.

- Saudades da música popular brasileira, que hoje até que pode ser popular e brasileira (no seio da adolescência e da juventude), mas música mesmo não é mais nem de longe. É uma trovoada de sons sem ritmo, sem melodia, sem harmonia, despida de sensibilidade e de inteligência As (im)possíveis canções e seus compositores e intérpretes fazem o estardalhaço numa espécie de complô festivo de liberação dos instintos e dos costumes tradicionais. Sentimos saudades do comedimento e da sinceridade artísticas e intelectuais dos compositores da chamada velha guarda: Noel Rosa, Heitor dos Prazeres, Ary Barroso, Dorival Caymi, Cartola, Herivelto Martins, Lupiscinio Rodrigues, Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Ataulfo Alves, entre tantos outros músicos autênticos. E saudades dos inesquecíveis intérpretes: Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo, Aracy de Almeida, Dircinha Batista, Silvio Caldas, Jorge Veiga, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Lúcio Alves, Linda Batista e tantas outras e outros. As canções nasciam, cresciam e viviam na boca e no coração das pessoas em todos os quadrantes do país, anos seguidos, entoadas e disseminadas nas vozes díspares e dispersas em toda parte alcançada pela radiofonia. Atuavam fundamente na vivência, no despertamento consciencioso e na coroação dos desejos e das satisfações de um amor humano amplamente refletido e distribuído – perdurável no sentimento e no pensamento das pessoas, indistintamente. E hoje? Hoje sentimos saudades da aquela fase áurea, que foi belamente completada na floração de novos compositores e cantores da grandeza e da estatura de Antônio Maria, Vinicius de Morais, Tom Jobim, Maisa, Bôscoli, Nara Leão, Vandré, Elis Regina, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Adriana Calcanhoto, Jamelão e tantos outros e outras astros e estrelas, que iluminavam a vida interior das pessoas e não apenas da “galera” e da claque monetariamente orquestrada.

- “Os números da obesidade no país já superam os da desnutrição” – este é o título de um texto publicado na revista da FORLUZ (plano de saúde dos empregados da CEMIG). Que acrescenta: “40% da população está com excesso de peso”. Excesso que na verdade quer dizer doença e não apenas peso. O problema está criado e é muito sério, pois engordar é fácil, difícil é emagrecer. Como sair da balança sema cair?