sexta-feira, maio 01, 2009

O DIA DAS MÃES - Lázaro Barreto.


Mãe Só Tem Uma.

O pessoal gozador do hebdomadário PASQUIM, de feliz memória, publicou num dos dias das mães, uma paráfrase de anúncio de meia página com a foto de um cara bonitão fazendo seu comercial com os dizeres em letras garrafais: “Mãe ainda é o melhor negócio. Pergunte a quem tem uma!” Pilhéria à parte, temos, sempre, que reverenciar, com a mão no coração a querida rainha de todos os lares do mundo em todos os tempos. Mãe só tem uma. Quanto aos pais, pode haver controvérsias.... Na incursão de minhas pesquisas genealógicas, fiquei estarrecido ao constatar como o nome dela é omitido na nomeação dos descendentes dos casais em todo o mundo, em todas as épocas. Cada pessoa só herda e só assina o sobrenome do pai, nunca o da mãe, quando sabemos que cada uma delas é muito mais filha da mãe do que do pai. Quem processa a fertilização dentro de si e guarda e resguarda a criatura durante meses e meses, caprichando no nascimento de uma flor humana que será o novo ponto de partida para as novas gerações? Quem alimenta o nascituro em si mesma durante os exaustivos dias e meses da gravidez e depois adorna e educa o rebento até que ele ganhe suas próprias asas? Toda a trabalheira e sofrimento e depois não merecer nenhuma citação de autoria?...

Fiquei sabendo, depois de anos de pesquisa, como é difícil (e às vezes impossível) levantar a descendência familiar quando o parentesco chega pelo lado feminino aos filhos, netos e bisnetos. Neste caso todos os filhos de cada casal ganham apenas o sobrenome do pai. E como o pai não pertence à família pesquisada, toda a descendência fica fora da relação genealógica. Um problema, um absurdo. Na descendência de meu trisavô Bernardo José de Oliveira Barreto, fiquei no meio do caminho quando precisei localizar nos registros civis e religiosos os nomes dos filhos de Francisca Lucinda de Oliveira Barreto casada com Vicente Ferreira do Amaral. Dos nove filhos deste casal nenhum recebeu o sobrenome da mãe, só do pai, resultando então um problema insolúvel na pesquisa. Como saberia, no universo dos Amarais que nasceram posteriormente, os que eram realmente filhos de Francisca com o Vicente?

Outra enorme contrafação está na própria escritura sagrada: a genealogia de Jesus, de Adão ao José e Maria (do Novo Testamento), publica apenas os nomes dos pais, omitindo os de todas as mães, de séculos e séculos procriativos. Esta constatação reforçou, pois, a minha desconfiança de uma injustificável misoginia cristã. Digo cristã porque sei que nas mitologias mais antigas os deuses compartilhavam a divindade com as deusas – ambos eram citados em pé de igualdade nos registros que chegaram aos nossos dias.

Exercícios Maternais.

A nossa Mãe do céu
não é a mesma nossa mãe terrena?
Cada uma, no decorrer do tempo,
não seria a mesma, eternamente?

No princípio
a mãe de todos os seres humanos era uma Deusa.
Creio que agora
o mais humano nome do amor eterno e universal
continua sendo a Mãe, não só dos seres humanos,
mas sim de todos os seres vivos da terra.

Antes a MÃE de todas as pessoas da terra
era uma Deusa.
Agora a MÃE de todas as pessoas da terra
é o mais humano nome do AMOR,
é o mais divino nome do AMOR.

Um dia, no passado, Deus
criou o homem e a mulher.
E agora, quem cria o homem e a mulher?
O homem e, principalmente, a mulher!

Sem a Mãe não há vida.
O que os homens de todas as partes do mundo
são na vida de todas as partes do mundo?
Filhos da MÃE, filhos da MÃE!