sexta-feira, maio 08, 2009



O PRODÍGIO DA BELEZA - Lázaro Barreto.


I - Tocata e Fuga.

Palavras e trinados na manifesta simbiose:
as aves (alvíssaras!) nas grimpas das árvores,
as vozes (exuberantes!) nos dedos habilitados:
os ares ensolarados da ida,
os sons nublados da volta.
O épico e o lírico em revezes e conluios.
Os poetas franceses, os músicos alemães,
os sambas rasgados de Noel e Luspicínio...
A súbita relevância do lirismo na epopéia,
um derramamento que remonta às origens:
o sufoco da respiração, o alívio da aspiração.
A cotia volta a cantar nos telhados caseiros
(ela que andava tão sumida nas imediações):
repete seus antigos recados cabalísticos?
É assim que amanhece dentro da noite?
É assim que anoitece em plena manhã?


O Menino Prodígio.

A música que comprova a existência da alma, que vai ao céu e volta ao chão, que exprime a ternura do amor nas três dimensões da sonoridade, garantindo a cálida fusão entre o ritmo, a melodia e a harmonia.... Para falar dela teríamos, primeiramente, que esmiuçar o espaço dos traços paralelos da pauta, com os meneios dos solfejos, dos compassos, das notas e dos tons melódicos das claves, dos bemóis e dos sustenidos, – e dentro do pentagrama musical desse nobre contexto os olhares e os suspiros, os abraços e beijos dos namoros e amores e também os contratempos das mágoas e desilusões de tantos corações apaixonados, as dores e as sofreguidões e os deleites e todos os encantadores sentimentos ali configurados, sintetizados no AMOR, na comunhão positiva dos seres humanos, de par em par no clima benfazejo, faça sol ou chuva, frio ou calor. A música clássica de Mozart, Bach, Chopin; a popular de Tom Jobim, Dorival Caymi, Ary Barroso. O repertório escolhe o palco e a platéia, o refrigério anímico e não o assanhamento etílico. Inspiradora e não estrépitosa, a música que eleva o corpo ao patamar da alma e não na do instinto ou da compulsão ou da arbitrariedade. Uma música assim tão pura é a revelada pelo jovem (poder-se-ia dizer pela criança prodígio, uma vez que há anos que ele é o mesmo artífice das magníficas execuções musicais) Rodrigo Thomasi, que mereceu a bela página TALENTO AO PIANO, da edição 437 do jornal MAGAZINE, depois de apresentar-se com sucesso no Teatro da Usina Gravatá, na TV Candidés e em muitos outros palcos divinopolitanos. E agora acaba de apresentar-se, sob enfáticos aplausos, na Sala Juvenal Dias, do Palácio das Artes, de Belo Horizonte.

O repórter Márcio Paulino, autor da bela reportagem mencionada, nem precisou remontar ao passado e evocar a influência genética do empenho e da habilidade demonstradas pelo jovem músico. O livro “A Família Oliveira Barreto”, na página 50, publica uma fotografia de 1905, de um grupo de músicos da Banda do antigo Distrito do Desterro (hoje Marilândia), ascendentes maternos diretos e colaterais do Rodrigo Thomasi. A foto foi um presente do Doutor Levy Beirigo Malachias, de Itapecerica, meses antes de seu prematuro e tão sentido falecimento. Nela figuram filhos e netos de meu bisavô paterno Antônio José de Oliveira Barreto, além de dois genros, entre os quais o Pedro Amaro Teixeira, bisavô do Rodrigo. O Pedro é o segundo marido de Galdina Cândida Barreto (segunda esposa e sobrinha do meu referido bisavô, que é trisavô do Rodrigo), pais de Braulina Teixeira Michelini, casada com José Afonso Michelini, pais de Maria José Michelini casada com Antônio Máximo de Oliveira, pais de Rita de Cássia Michelini, casada com Vicente Thomasi.

Assim, pois, é que a velha assertiva de que “quem sai aos seus não degenera”, encontra uma grande e bela confirmação. A boa e bela e verdadeira música bem que merece cultores e executores desse nível, não é mesmo?