segunda-feira, junho 01, 2009





DIVINÓPOLIS DE PARABÉNS - Lázaro Barreto.


A cidade, hoje, polariza em termos de qualificação urbanística, toda a região centro-oeste de Minas, privilegiada pelas condições antropogeográficas de potencialidades climáticas favoráveis ao binômio existencialista da produção e do consumo. Mas já teve seus dias primitivos, antigos, como veremos.

A Serra Negra (hoje na divisa do município de São Sebastião do Oeste) atraiu os primeiros colonizadores da região, em virtude de sua fartura aurífera. Também na Cachoeira do Caixão (barra dos rios Itapecerica e Pará) foi encontrada uma boa jazida de ouro em 1723. O próprio Rio Itapecerica foi muito aurífero nos velhos tempos. Caudatário do Ribeirão Vermelho (vermelho de tanto ouro) da Vila do Tamanduá (hoje Itapecerica) e também do Córrego do Ouro, no Distrito do Desterro, (hoje Marilândia), onde ainda existe uma região rural com o nome de Lavrinha, topônimo específico da atividade mineradora. Mas foi a partir da Serra Negra que se estabeleceram as sesmarias do último quartel do século dezoito – e o próprio Fundador de Divinópolis, MANOEL FERNANDES TEIXEIRA, possuía terras que vinham de lá e iam até à referida Cachoeira do Caixão. Certamente filho de outro Manoel Fernandes Teixeira, sertanista e militar, que servia na Bahia em 1680, ele deixou doze filhos, um dos quais com o mesmo nome, quando faleceu em 1783, treze anos depois de ter formalizado na Vila de Mariana a doação de casas e terras ao Patrimônio da Capela do Divino Espírito Santo e São Francisco de Paula na paragem chamada “Itapecerica da Freguesia de Pitangui”. A Catedral de hoje é a terceira reconstrução, sempre aumentada e melhorada, daquela Capelinha, no mesmo local.

O lugar era o mais indicado para se implantar o povoado que cresceria aos poucos, transigindo depois para a condição de Arraial e depois para a de Vila, termo que hoje corresponde ao de Cidade. A grande quantidade de nascentes de água acenava com o potencial aurífero, que não foi confirmado depois. Mas servia de pouso dos tropeiros, uma vez que no local entroncava o caminho de São Paulo para Sabará (a direita) e para Pitangui (em linha reta até ao Triângulo Mineiro). Todo o século dezenove transcorreu na fé e na paciência dos santos ao redor da Capela, cujos oragos constituíam a devoção dos fiéis. A povoação viveu em compasso de espera até desabrochar nos albores dos novos tempos do chamado século da velocidade, o Vinte da abrangente modernidade.

Em 1905 o Arraial do Divino Espírito Santo das Itapecericas ainda era bem atrasado, pagava menos impostos e continha uma população numericamente inferior à do confrontante Desterro. A estrada de ferro já beneficiava as duas localidades, mas o ramal de Belo Horizonte destinado ao Triângulo e ao Sul de Minas, ligando Minas a São Paulo, só veio instalar-se aqui em 1910, quando então inaugurou um período proeminente no lugar, que logo passaria a chamar-se Divinópolis, com sua vida municipal própria.

As décadas de 20, de 30 e de 40 foram marcadas em todo mundo, com os conseqüentes reflexos nacionais, por impasse políticos e recessões econômicas (as duas grandes guerras e as sombras ameaçadoras do nazi-fascismo e depois do comunismo afetavam humanamente todo o planeta). Assim Divinópolis cresceu moderadamente e só em meados da década de 40, com o benefício da transferência da Oficina da Rede Mineira de Viação da cidade de Cruzeiro (SP) para cá, juntamente com a implantação da escola Profissional da própria RMV, é que o progresso realmente abriu suas possibilidades. O número de empregos mais que dobrou e também o número de Turmas, Pés de Estribos e Estações de menor porte ao longo da linha (férrea) tronco e dos ramais ferroviários. A partir de então foram surgindo siderurgias e fundições, as fábricas e oficinas, uma arquitetura urbana mais estilizada, uma rede escolar mais atualizada (os Franciscanos instalam o Convento, as Irmãs e Caridade dão nova vitalidade à escola Normal, um Centro de Treinamento é instalado na Usina do Gafanhoto e logo o Colégio São Geraldo passa a ser considerado um dos melhores de Minas Gerais).

Assim Divinópolis entrou na modernidade tecnológica, trampolim para o progresso dos anos 50, que não teve mais solução de continuidade até os dias de hoje. Agora Divinópolis é uma das maiores cidades do Estado e desfruta de uma tendência progressista incontestável, em virtude não só de sua situação climática, localização geográfica, sistema viário múltiplo (e multidirecional), fontes de abastecimento de água e de energia elétrica, mão de obra dinâmica e especializada (graças sobretudo à vinda dos técnicos ferroviários não só de São Paulo como da Bahia), qualidades estruturais que geralmente estabelecem a boa unidade municipal. É uma cidade democrática e cosmopolita, socialmente estruturada, com elevado nível de produtividade em áreas economicamente diversificadas, tudo propenso ao acolhimento da espontaneidade e da cordialidade naturais do ser humano sadio numa circunstância possivelmente sadia. Bem haja, pois!

1 Comments:

Anonymous Marilda said...

Como sempre, venho aprender mais aqui, e sempre encontro lições. A história da cidade chega a dar saudades, como se lá estivéssemos pessoalmente... os tropeiros, a capela, os cavaleiros etc. Saudações da leitora Marilda Mendes.

5:59 PM  

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