sexta-feira, novembro 27, 2009

CONFABULAÇÃO - Lázaro Barreto.


Os pássaros não só voam e cantam.
Também conversam.
Lá entre eles e também conosco.
A mim, pela jabuticabeira defronte à janela do quarto,
eles piam, cochicham, falam, cantam.
Pedem água? Comida? Atenção?
Não me faço de rogado, ora essa:
dou o que tenho e posso.
São meus amigos,
sabendo
que deles também sou amigo.
Não é assim a simplicidade da felicidade?
Não é assim a felicidade da simplicidade?

Não entendo o que dizem no idioma deles,
quando falam ou cantam.
Entendo as contorções, o malabarismo, a docilidade,
as intenções e o lirismo
de um dialeto aceitável (mesmo sendo de outra tessitura),
amaciado em tonalidades aprimoradas
em plausíveis prólogos proustianos.
Assim sim.
São assim.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Lázaro,


Que maravilha esse poema, aflorou em mim o que tenho de pássaro/pessoa, a alegria de viver, de cantar por sina e convicção. Enfim, o que existe em mim de melhor, o amor à toda criação de Deus. Obrigada por esses belos momentos de prazer estético! Dora Tavares

4:33 PM  
Blogger Leonor said...

Dom Lázaro,
belíssimo poema,genuína conversa
" piada ".
Um grande abraço e feliz aniversário.
Leonor

6:51 PM  

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