quarta-feira, abril 14, 2010

MONTOEIRA DE ABRIL - Lázaro Barreto.


Os resquícios diluvianos das arengas temporonas
despejaram suas cobras e lagartos,
vomitaram seus ratos e sapos
e serpentes...
Despencaram dos morros cariocas e fluminenses
(enrolando e sufocando os gritos das vítimas,
arrancando as raízes e superfícies das escarpas
no sobe e desce do pétreo emaranhado
de uma natureza acometida do mal de parkinsom).

A pobreza que virou miséria
e lixo social
sobressalta na lixívia, nos lixões, nos solavancos,
nos soterramentos.
No envoltório moral as entranhas do poder público
derrapam
num caudaloso vômito de seus notórios desmandos.
O deus dos desgraçados tampa os ouvidos.
O diabo dos malfeitores abre os braços
repletos de pregos letais.

Era uma vez a cidade maravilhosa do rio de janeiro,
agora exausta e exposta, moribunda e fétida
espelhando-se nos mortos e feridos
e desabrigados,
não sabem voltar nem seguir na paisagem deturpada.
Tudo por causa dos mamadores da pátria
(dos arrivistas
dos mandriões
dos corruptos).

De onde virá o perdão e o alívio?
A inocência está de mãos postas.
A culpa esconde as unhas da fome de verbas públicas
(agora dissipadas na montoeira dos alheios infortúnios).

1 Comments:

Blogger vladéfoda said...

briga de foice e martelo no escuro

2:19 PM  

Postar um comentário

<< Home