quinta-feira, julho 14, 2011

MOMENTOS DO DIA-A-DIA - Lázaro Barreto.


- O atualmente horrível trecho paisagístico entre o rio e a linha férrea.do Viaduto da Esplanada ao Viaduto do Porto Velho, com toda aquela algaravia de lixo na montoeira dos trastes, causa náusea e angústia aos passantes dos arredores. Uma área fértil de belas e fecundas possibilidades, que pode ser transformada num parque ecológico (um cartão postal da visão poética divinopolitana. E por falar nisso é bom lembrar que o centenário vem aí, repleto de boas inspirações).

- A infância é marcante, transborda em toda a extensão da história humana. A felicidade, na opinião de Freud “é a satisfação adiada de um desejo pré-histórico. É porisso que a riqueza proporciona tão pouca felicidade: o dinheiro não é um desejo infantil”.

- A atriz Lucille Ball (estrela cinematográfica da década de 50), ao responder a pergunta sobre o segredo de sua duradoura juventude, afirmou: “Vivo honestamente, como devagar e minto a respeito de minha idade”.

- Por que a China é hoje a segunda maior economia do mundo? Maílson da Nóbrega responde: porque buscou “uma ascensão pacífica. Algo muito diferente do anti-americanismo da diplomacia (?) petista”.

- O programa “Brasil Urgente” do Datena, da Bandeirantes, é de um realismo que chega a ser deprimente ao revelar enfaticamente todo tipo de violência que ocorre nos círculos e quadrantes da nacionalidade. É um mal necessário, tal programa televisivo? Sei que ninguém deve fugir da realidade, nem torcer o nariz, fechar os olhos e tampar os ouvidos. Mas o fato de presenciar habitualmente tanta contundência, tanto desmando, desregramento, tanto comportamento criminoso, tudo isso (e o inferno também) pode influir negativamente na aquisição de um vírus da morbidez – e assim a violência retratada pode transformar-se numa espécie de doença depressiva nas mentes imaturas e susceptíveis.

- A civilização é a imitação humana da natureza, afirma Northrop Trye, que acrescenta: “e é impelida por aquela força que chamamos Desejo. O desejo de comida e de casa não é satisfeito pelas raízes e pelas cavernas, produzindo aquelas formas humanas da natureza que definimos o Cultivo e a Arquitetura”.

- O silêncio não traz respostas e sim perguntas. As esferas distantes se aproximam, flutuantes. Um pensamento não pode ser tocado, mas pode criar robustas armações concretas e prever a materialidade das nuvens, disfarçando o tangível na fluidez. Assim o sólido evapora – o olhar perfura a dimensão e aproxima a infinitude.

- “Os mecanismos da repressão sexual estavam em toda parte”, escreve Mary Del Priori no livro “O Príncipe Maldito” (biografia do neto de D, Pedro II), citando Freud, segundo o qual é necessário um obstáculo para levar a libido ao ápice.

- Luiz Felipe Ponde, filósofo brasileiro, é leal e incisivo na definição da religiosidade vigente em nossos dias. Para ele a esquerda (política) não tendo “a tensão do pecado, é pior do que o cristianismo” – acrescentando em sua entrevista nas páginas amarelas da revista VEJA que, “enquanto a Teologia da Libertação fez a opção pelo pobre, o pobre fez a opção pelo Pentecostalismo”.

- Um poemeto para variar, de meu livro inédito “Crepúsculo Verde”:
O intercambio entre o grande e o pequeno
é uma viagem dos olhos
nas esferas e nos ciscos.
O grande não é a aglutinação dos pequenos,
o pequeno não é uma redução do grande.
Uma dor, coisa abstrata, invisível,
pode ser maior que a montanha.
Mas a fome, o desespero e a morte,
sendo realidades ao mesmo tempo abstratas e concretas,
são mais que grandes, são imensas,
e suas garras desnutrem, enlouquecem, pulverizam
os pequenos valores fundamentais
da Vida
e
do Mundo.