sexta-feira, agosto 26, 2011



VALE VERDE (x) - Lázaro Barreto.

O silêncio volumoso dos mimos e quimeras.
O barulho esvoaçante na brisa oportuna.
O negrume translúcido das névoas fugazes.
O arvoredo diáfano a oxigenar a memória.
Um azul transparente e retroativo.
O verde salutar nas entrelinhas dinâmicas.

As melodias implícitas nas moitas e coivaras.
A flor da água nos recantos lacustres.
E ao longo das casas e dos jardins entrelaçados
das folhas
diversificadas
nas trigueiras árvores dos arredores.

Aqui e agora, lá e depois:
a fusão das cores acinzentam a paisagem
mimética
em lentos e airosos sussurros...
É ver e amar prontamente.
É deitar e dormir prontamente
no começo, no meio e no fim
dos sonhos pretéritos e proféticos....

As flores despedaçam da conhecida realidade
e de repente o chão é um outro jardim
e o sol é uma lua diurna,
Alma de uma quietude risonha,
que se desprende da mata fechada para harmonizar
outras alegrias no descampado,
muito à vontade nas asas da clorofila e ao embalo
da fotossíntese,

suscitando a algazarra das maitacas,
os monólogos e duetos da passarada.
E nas proximidades
o sol e a lua trocam beijos numa carícia
sobre-humana,
a favor da realidade vitalícia dos seres
até então imperecíveis.

(*) – Dedicado aos queridos Paulo Barreto e Layla Lima, moradores no lugar emblemático do Município de Valinhos – SP.

1 Comments:

Anonymous M.Mendes said...

Como disse o colunista do Estado de Minas (acho que é o Carlos Herculano), morar em São Paulo já é quase uma profissão! Quem consegue se esquivar e se oxigenar nos parques municipais já é um grande vencedor!

8:31 PM  

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