terça-feira, outubro 25, 2011

FICÇÃO E POESIA - Lázaro Barreto.


Somos muitos a contar a mesma estória,
doida varrida
dos desencontros nos encontros.
Somos várias pessoas
(paus que fazem canoas?)
tecendo e costurando o corolário das ilações,
para o que der e vier
após o colapso de uma das estrelas moribundas
no buraco negro
da volatibilidade.

Os delírios instantâneos que se prolongam
no tempo e no espaço da poesia....

O poema
não é o falatório de súplicas e lamentos,
em é
a indócil contigüidade dos afetos conflitantes:
é a mulher amada no momento do amor:
pois que,
perto dela
a própria lua desaparece do luar.

O que encontra a reação crepitante no corpo
vem da alma?
O que se perde nas reles impossibilidades
aumenta o vazio nas jarras desusadas
de nosso inconsciente?
Os dúbios caminhos da vanguarda prenunciam
seus evidentes funerais?