terça-feira, março 24, 2009





A CHUVA (*) - Lázaro Barreto.


Ela agora, depois de prover-se na lagoa,
recompõe nossas células, refresca a
chama mórbida, a tensão dos espetos.
Os patos ficam mais alvos,
um bambu canta na moita,
a manga amadurece de repente.

Ela agora reúne as fases do tempo
e malha o coração de ferro,
umedece as estruturas metálicas,
lava o ar e o chão
da cidade que nos apodrece.

Sem resíduos e aderências,
ela está vindo de outro século
e cai na grama do terreiro.
Depois ela vai para o mar
- e no-la esqueceremos.

(*) – Escrito em 1983, que ainda subscrevo in totum.