sábado, junho 06, 2009

TEMPO, TEMPERO - Lázaro Barreto.


Não tenho mais a juventude.
Não posso mais jogar futebol?
O passado avança no futuro,
o futuro que retroage e inquieta.

Cito em voz baixa a metáfora
desta mutável decadência.
Tento controlar remotamente os pontos
de atrito e de coesão,

entre a infância e a velhice.
Não tenho mais noites a perder.
A vida é mesmo uma criança:
gosta, mas tem medo.