sábado, junho 06, 2009




OS TRAÇOS PESSOAIS - Lázaro Barreto.


Ele e eu, porventura, somos o mesmo?
Sei que ele voltava de longe,
ao chegar onde eu estava,
arrependido do erro que não cometera.

E farto de tanto desamor,
ele quebrou a cabeça
nas palavras cruzadas
das simplórias mamparras.

Malgrado a zoeira social,
ele consegui decodificar o silêncio
da solidão,
que se refez, redondamente.

Como sufocar as injúrias sofridas?
Afinal de contas e de dívidas,
os rogos de sua inocência
poderiam ser levantados?

Ele estava arrependido
(ao regressar de muito longe de si e do outro)
dos erros que não cometera
nos dias das indelével desventura
gélida,
intrínseca,
de dentro e de fora de sua pessoa
descabida.