quinta-feira, agosto 20, 2009

PICLES DIETÉTICOS E INDIGESTOS - Lázaro Barreto.


- Lina Maria Vieira: nobreza de caráter, firmeza de posicionamento, brio e brilho na consciência e no olhar e nas atitudes, gestos e palavras. Uma ovelha inocente na arena das feras e dos gladiadores, uma cristã indo e vindo de Herodes a Pilatos.... Vimos pela Televisão que ela, ao lado de poucos amigos e semelhantes, enfrentava uma multidão inimiga e dessemelhante, mantendo em equilíbrio sua pessoa serena, despida de ambição e de egoísmo, devotada generosamente ao sincero amor da verdade. Na singela defensiva dos ataques da chamada tropa de choque do governo que tentava a todo custo ludibriá-la com os punhos cerrados da intimidação. Seus ofensores não sabiam que quem não deve não teme. Ficaram sabendo.

- Numa antiga piada o patriota suíço reclamava de Deus a exigüidade e a carência de bens naturais de seu país, citando o Brasil, um país possuidor da maior exuberância dos bens naturais do planeta, como prova da injustiça divina. “O Senhor acha justo?”, perguntou. E Deus prontamente respondeu: “Injusto, eu? Já reparou no povinho que eu pus lá?”

- E por falar em comparações, os eleitores brasileiros devem estar boquiabertos depois do resultado da palhaçada dos debates de uma Comissão de Justiça do Senado: doze a zero a favor dos governistas contra os oposicionistas. Entre os monumentais delitos, maracutaias, contravenções, apropriações indébitas, etc e tal, salvaram-se todos, menos os inativos contribuintes do erário. Uma pelada futebolística bairrista na qual o time perdedor jogava com o goleiro de mãos amputadas? Vergonheira que vai ficar nos anais históricos

- Um amigo cricri, que não deixa passar nada em branco e vê manchas até no sol, sabendo da euforia de um colega diante da candidatura de Marina Silva, deu logo seu nó na goteira. Ela não está subordinada a um filho do tal de Sarney? Acredita que ela conseguirá ombrear impunemente a carga de um sobrenome tão manchado?

- Esse mesmo cara que dá nó até em goteira, ouvindo de outro colega de trabalho a relação dos mil e tantos defeitos e erros dos políticos brasileiros, disse em alto e bom som: “Se você estivesse lá em cima, na gandaia, faria tudo o que eles fazem!” Aí o outro ofendeu-se: “Eu? você me conhece há muito tempo. Julga-me capaz de meter os pés pelas mãos como aqueles sacanas?” O cricri, tremendo gozador, pôs logo água na fervura, arrematando a questão: “Sei que não faria porque, sendo como é, nunca chegaria lá onde os safados estão”.

- Uma citação entre aspas de vez em quando não faz mal a ninguém. O trecho é de um artigo (excelente!) de Diogo Schelp na página 96 da Revista VEJA de 19/08/09: “A teologia da libertação, aquela estranha concepção marxista do catolicismo que transformou Jesus Cristo numa espécie de Che Guevara da Antiguidade...”.


Dilma Rousseff, em sua provável aversão à verdade e suas mais recentes mancadas: 1) acerca do dossiê referente ao Fernando Henrique Cardoso, que ela tentou amenizar, apelidando-o de “banco de dados”; 2) a trampolinagem do currículo fantasioso, quando julgou que a nossa é uma população de leigos desavisados; 3) sua intermediação no caso escabroso da venda da Varig, favorecendo o compadre de Lula, o tal de Roberto Teixeira; 4) sua responsabilidade pela saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente e agora do próprio PT; 5) e agora o rolo com a ex-secretária da receita federal, alegando uma não comprovada inocência, tentando jogar na fogueira da inquisição a moça que não se intimidou nem mesmo cercada dos furibundos inquisidores do senado.

- Ela, a poesia,
vem trazendo da fonte todas as águas.
E deixa na fonte todas as águas.
É assim
que entrega seus poemas aos poetas:
à título de empréstimo,
por prazo determinado.

- O personagem encarnado por Charlie Sheen no seriado “Two And a Half Men” do canal Warner da SKY tem todos os componentes de um dos personagens repetitivos do romancista Philip Roth: viciado em sexo casual, complexado edipiano compulsivo, repleto de incontinências, azares e fortunas, sugerindo nas entrelinhas que o atual funcionamento da sociedade está desarticulando mentalmente o indivíduo interessado na comunhão dos bens culturais da humanidade. Uma reminiscência existencialista dos ensaios sartrianos?

- Lembro-me de um desenho do genial Millôr Fernandes, quando o Sarney assumiu e quase afundou a presidência da república, ostentando a intenção de fazer um SANEAMENTO em todo território nacional, que ele julgava dilapidado. O Millôr desenhou o mapa do Brasil em forma de um queijo, com um rato de cada lado, um falando pro outro: “sarneia daí que eu sarneio daqui”.

- O chamado e propalado baixo clero do congresso brasileiro é, na opinião de J. R. Guzzo, “uma coleção de escroques, farsantes e parasitas como poucas vezes se reuniu debaixo de um mesmo teto – e que está no congresso em busca de negócios ou, simplesmente, para proteger-se do código penal”. O sagaz articulista acrescenta que hoje separar o baixo do alto clero é impossível, uma vez que de um modo geral todos desceram ao nível dos anões do orçamento e dos mensaleiros de estragos recentes. Em vez de apresentar leis, discuti-las para aprovar ou rejeitar, e de fiscalizar os atos dos outros poderes republicanos, eles ficam intermediando as dotações orçamentárias, interessados num naco para seus currais eleitorais e outro para os próprios bolsos, simplesmente como lobistas e despachantes privilegiados. Até quando perdurará tal contravenção?

1 Comments:

Anonymous Betho Sides said...

Oi Lazaro, gostei do seu espaço e conncordo com suas colocações!
Vim te convidar a participar de umEvento em Dezembro deste ano 1º Encontro Nacional de Blogueiros + informações:
http://bethosides.blogspot.com/
Forte abraço

6:28 PM  

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