sábado, junho 17, 2006

Monomania

MONOMANIA - Lázaro Barreto.


Do sorvedouro das desavenças e desatinos
(ao calor do prélio das discórdias e contendas)
ressalta, instantâneo, o chamado eterno feminino
agora a erradicar ou contemporizar
os ferrões sociais
as implicâncias individuais,
a exibir sem rodeios
o sorriso franco e definido a sugerir
um indício de orgasmo retardado e previsível
ora ora
quê bom que isto aconteça!
a femininização dulcifica as agressões do cotidiano realista
ameniza a rudeza das mensagens publicitárias
acenam com as mãos brandas
piscam com os olhos luminosos
o contraponto sensual em pleno palco das escaramuças,
dos prélios e velórios
assim belamente (ternamente?) prometendo
recompensas algures e alhures
apesar das altas e prementes imposições.

Assim é que se instaura (acintosamente? discretamente?)
o design feminino, expondo, anunciando
que além das reentrâncias e protuberâncias saborosas
tudo o mais na vida é desenleado e descabido:
só o abraço lânguido faz dormir e acordar?
só o alento erótico abre o apetite das refeições ordinárias?
ora ora
a inquietação não adormece senão depois de um bom
orgasmo?
Viver é meter?
Afinal de contas,
afinal de contas por que a população do mundo
cresce tanto, sem parar?