terça-feira, julho 11, 2006

Proust Sabia Dela

Quando namorar era apenas flertar
(não era apenas namorar,
era sobretudo amar)
Ah!
o olhar dela não terminava nem quando
ela não mais olhava,
nem mesmo quando ela não estava mais ali
jogando-me os olhos de seu olhar,
ali onde estava o corpo que era alma,
fina eloqüência de supostas delícias:
mesmo na ausência, ela me olhava.
“Uma hora não é somente uma hora”,
dizia Marcel Proust, que acrescentava:
“é um jarro cheio de perfumes, de sons,
de projetos e de climas”.
Ela tomava banho de lua em pleno dia?
Engolia o chuvisco que vinha do arco-íris?
Ah!
o corpo de luz que oculta na própria sombra
a alma:
onde li isso que tanto vi nela?
E o coro dos anjos a cantar na invisível
gota de um de seus sorrisos: onde li isso
antes ou depois de vê-la?