quinta-feira, julho 16, 2009

AGOURO - Lázaro Barreto.


O deserto é a morte em figura de gelo e de areia.
De longe me espreita,
ameaçador.
Acaba de dar dois passos na minha direção?
Vai esturricar-me ao sol mais próximo?
Enregelar-me ao frio mais longe?
Sei que o gelo (mesmo sendo uma das mortes)
vai morrer primeiro (e não por suicídio).
A areia, mais potente, vem ocupando o espaço
da relva.
Vem aproximando da vida fértil,
com as foices faiscantes da esterelização.
A sola de meus pés
já sentem o calor da consumição.
Está morta a égua, diz o capiau da roça,
abismado no corredor dos novos dispositivos mortais.
Doa em quem doer.
É assim mesmo que caminha a humanidade
aos trancos e barrancos.