quarta-feira, março 10, 2010

PROFISSÃO DE FÉ II - Lázaro Barreto.


Fiquei sabendo que contra a minha pessoa foi levantada a acusação de que só exercito o labor literário para lubrificar minha vaidade. Se tal injúria fosse verdadeira, eu não teria recusado, repetidas vezes, a admissão nas Academias de Letras de Belo Horizonte (a Municipalista), a de Minas Gerais, de Itapecerica, de Divinópolis e de outros convites similares. Não teria renunciado ao cargo que exercia como Membro da UniãoBrasileira de Escritores e também da Comissão Mineira de Folclore - e também um estágio no Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, a mim oferecido em plena juventude – além de outros cargos e encargos meritórios de níveis municipais.

Escrevo desde a infância para tentar defender os valores morais e estéticos fundamentais da sobrevivência de uma humanidade decente, plausível, conivente. Mesmo quando utilizo a primeira pessoa do singular em meus textos, o que estou é tentando afirmar que sou pelo menos uma voz a favor da piedade contra a violência (que parece ser mais influente, socialmente, dentro dos cânones do materialismo histórico).

Se meu trabalho é despido de um valor além da minha individualidade – e é isso que meu censurador parece afirmar -, espero que falem em minha defesa os trabalhos que já publiquei e que espero publicar, os quais passaram (e foram aprovados) pelo crivo de renomados críticos e escritores do Brasil e do estrangeiro (Nogueira Moutinho, Pedro Pires Bessa, José Afrânio Moreira Duarte, Laís Corrêa de Araújo, Carlos Drummond de Andrade, Lélia Coelho Frota, Murilo Rubião, Camilo Lara, Oscar D’Ambrósio, Lélia Parreira Duarte, Leila Micols, Joaquim Branco, Osvaldo André de Melo, Adélia Prado, Carlos Augusto Calil, Ana Hatherly (de Portugal), Pavla Lidimilová (da República Tcheca), Terezinka Pereira (dos Estados Unidos), Janina Z. Klave (Polônia), Eduardo Galeano (Argentina), além de merecer um livro contendo uma alentada e criteriosa tese de Mestrado na UFMG,do professor Universitário Maurício José de Faria)..

Escrevo, sim, desde a infância, com uma mão no coração e a outra na cabeça, visando defender e propagar os valores da piedade contra a violência – esse renhido jogo de paradoxos que campeia no campo sem fim deste mundo agora tão abalroado por uma natureza, tão violentamente atacada pelos desumanos representantes da anti-poesia, uma estapafúrdia versão de inquisidores de pássaros. Sou a favor de todos e não apenas de mim. Tenho dito.

1 Comments:

Blogger Leonor said...

E continue dizendo,pois solidariamente continuaremos ouvindo e lendo,os seus belos "dizeres".

Respeitosamente,Leonor Vieira-Motta

10:59 AM  

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