quinta-feira, março 11, 2010

VIDA - Lázaro Barreto.


O sofrimento não mata ninguém.
Sei de mim
que vivi contra a minha vontade
durante muito tempo
na juventude.

Depois,
muito depois de ver a vó por uma greta,
repus os nervos nos devidos lugares
do corpo,
esfriei a cabeça,
refiz os termos da dialética
comezinha,
que me espezinhava, condenando-me
às imerecidas penas violentas.

Depois
fiz em nome do pai, da mãe e das irmãs
o voto de tolerância,
que há de prevalecer para o resto de minha vida
tão magrela.