quarta-feira, abril 28, 2010

ALICE NO ESPELHO DS MARAVILHAS - Lázaro Barreto.


Os olhos fixos nos alvos adjacentes.
Os ouvidos atentos aos sons pertinentes.
Assim a escuridão e o silêncio serão afugentados
e o que brilha
equilibra o ritmo e a melodia das esferas
próximas e distantes.

A chama infantil
que tanto amamos
continua luzindo
vida afora, vida adentro.

O inverno aglutina as noites numa parede escura,
ao mesmo tempo
inamovível e diáfana.
A vida é boa quando é um sonho,
e péssima quando vira um pesadelo.

Ela sorria, mirando-se no espelho.
Sua alegria ia aos cantos da boca,
que se abria e alongava.
E os cantos da boca quase se encontravam na nuca.
Era toda sorrisos
a inventar sonhos,
nos quais inventava os sonhos das pessoas
amigas de sua eterna infância.