sábado, abril 02, 2011

RIO PARANAIBA (*) - Lázaro Barreto.

À poeta Lacyr Schetino.


Uma noite (ou um estranho dia)
cobria de ervas e detritos
as betoneiras e guindastes
que ameaçavam cobras e lagartos.

Seria maio? Agosto?
Trinta mil olhos de formigas testemunhavam
o meu pavor
de ver o rio levar a lua,
que se agitava, que gritava, que chamava
minha atenção atônita, ineficaz.

Entrementes
ouço dizer que há répteis úteis e nocivos,
que o diabo fez a ponte pênsil,
que os cães não atacam pessoas nuas,
que todos os brasileiros têm os olhos castanhos,
e que a solidão....

(transcrito da página 17 do livro de poemas “Arvore no Telhado”, edição do Movimento AGORA, Divinópolis, MG, 1969).