sábado, dezembro 09, 2006

A Minha Autopsicografia

A MINHA AUTOPSICOGRAFIA - Lázaro Barreto.


O meu mal
(que me deixa pesaroso pelos prazeres
não aproveitados nem proporcionados)
advém do hábito de não ser afoito,
de deixar as iniciativas para depois
(o passo para ultrapassar o impasse
é a tônica de minha inelutável postergação?
Por qual motivo ou razão?),
de ter sempre em mente dar um tempo ao tempo passageiro,
que em suma e no entanto é na verdade
o infindável amanhã de nossos dias de hoje.
Ora pois., ora essa.
O dia de amanhã nunca chega no dia de hoje!
Quando chega já é outro dia de outro amanhã.
É assim, pois, ora essa,
que a vida passa em brancas nuvens
na sucessão dos adiamentos
e nos intervalos das noites.
E quando chega o fatídico dia (até então inacreditável)
na rebarba dos outros dias inconclusos e impassíveis,
trazendo uma noite despojada de outras manhãs
(a eterna noite sombria e vazia),
aquém e além da almejada felicidade,
que jamais me bafejou,
é que me sinto enredado nos enganos
de mim mesmo.
Mas aí é tarde demais para tentar corrigir
o que jamais soubemos se eram ou não erros
comportamentais.