quinta-feira, julho 16, 2009

PARÁFRASE DE UM POEMA DE JILL HOFFMAN - Lázaro Barreto.


É no sonho que ouço o chamado
(o grito simbólico de meu nome).
Num instante pulo da cama em silêncio,
para não acordar o marido que ressona.

Encontro o chamador no quarto contíguo.
E agarrados formamos outro casal
na escassa luz da madrugada.

Sua boca voraz me esvazia e me enche.
Como é bom ficarmos assim na cama,
o longo tempo a brilhar nos espaços.
As gotas de leite escorrem no seu rosto,
o meu corpo boceja e flui na entrega.

Novamente a dormir no paraíso
(na área vívida das pétalas momentâneas),
ele já dispensa minha companhia.
Então levanto-me diante da outra porta,
retorno ao meu ninho anterior,
para reaquecer-me no corpo de meu outro
homem, acordado, mesmo dormindo.