quarta-feira, junho 09, 2010

CONVIVIO SALUTAR (*) - Lázaro Barreto.


A literatura e a juventude. Sendo uma dotação abstrata no âmago de cada pessoa, a literatura flui do espírito visando o enriquecimento interior de quem lhe dê atenção. É um valor imaterial de longo alcance e de fácil receptividade. Começa na infância com o desvelo dos pais e professores, no vantajoso incentivo da leitura reiterada. Bibliografia é que não falta: os autores estrangeiros traduzidos e os brasileiros da linha de Monteiro Lobato, derivando para as coleções de histórias em quadrinhos e os filmes de Walt Disney. No meu tempo de criança nem precisava de tanto acervo. Em cada casa ou em cada rua havia um ou uma contadora de estórias à beira do calor noturno de um fogão à lenha ou mesmo à luz de um oniricamente convidativo luar. Saudosos valores defenestrados da rotina popular depois da chegada aos lares brasileiros dos aparelhos de televisão – isso a partir dos anos sessenta – e dos da internet, mais recentemente, quando a vida humana dos praticantes passou a transcorrer mais virtualmente do que vitalmente. Algum antídoto para tal malefício? Nem pensar. A alternativa é saber viver e conviver diante dos percalços que a impregnação do modismo tecnológico instaura no seio familiar-social das comunidades em todo o mundo. O que fazer então? Assumir o ônus e buscar alternativas para não cair na possessão de uma matreira insanidade mental.

A violência, que campeia na sociedade em todo o mundo, nas ruas e nos lares resultam do assédio de uma mídia acionada pelos produtores dos engenhos eletrônicos sobre os consumidores afeitos à vanglória ou incautos consumidores dos males e dos bens que enfeitam e enfeiam a vida das pessoas contemporâneas. A juventude é especialmente visada e assediada pelos infindáveis lançamentos de geringonças que nada acrescentam à uma vida saudável. E assim multiplica o número de vítimas dessa espécie de vírus da modernidade.

O egoísmo da classe dominante não quer nem saber. Nunca está disposta a equilibrar as ações e seus efeitos. A forma de governar um município, um estado, uma nação, passa a ser regida por um jogo de empurra e não mais por uma tábua de valores morais. A ausência da democracia nos regimes políticos, ao lado da presença da corrupção institucionalizada, causa a prevalência dos ismos ocasionais, como se a Verdade possuísse mil faces e não apenas a da Honradez, da Moralidade, da Justiça e Congêneres.

A literatura não cria nem derruba governos. Ela retrata o caráter da pessoa humana, a importância dos bens da natureza – e mostra a prevalência do espírito sobre a matéria, iluminando a Verdade e a Beleza, como as duas faces de uma moeda aurífera eterna e universal. Refiro-me à verdadeira LITERATURA, a que participa da categoria das Belas Artes do engenho humano.

(*) – Resumo do que disse numa palestra na Escola Municipal Professor Darci Ribeiro, Bairro Niterói, Divinópolis, em 08/06/2010, atendendo ao convite das Professoras Sueli Maria Vieira Santos e Maria Helena Fonseca Machado e Agda Cecília Lima. Uma palestra no sentido da troca de idéias e da identificação das finalidades com dezenas de alunos amadurecidos pela vida real, atentos ao conhecimento dos caminhos e das funções de iluminamento mental-espiritual que o amor da literatura proporciona. Tenho a impressão que o recado foi dado e recebido, de ambas as partes, com o pretendido proveito. Tenho certeza que o escritor e o leitor são eternos aprendizes dos mistérios que a vida carrega em suas amplas estalagens. E quando ambos se encontram, como aconteceu no data e no local, referidos, as palmas são uníssonas e recíprocas. Parabéns às pessoas de boa vontade no encaminhamento do convívio salutar entre os seres humanos. Bem haja, pois.


UM ADENDO


A comunicabilidade virtual
está ocupando muito espaço em nosso mundo,
em nossa vida?
Não corre o risco de derrapar na vulgaridade?
Não passaria de uma reles forma de dançar,
no sentido estrito de que dançar é perder tempo e espaço?
A reciprocidade do amor...
A reciprocidade do amor
não é algo que exige mais espaço,
mais tempo,
mais espaço e mais tempo especiais?
Quem não vê cara não vê coração.
Os olhos do corpo são os mesmos da alma.