sexta-feira, junho 11, 2010

VERDE QUE TE QUERO VERDE - Transcrições de Lázaro Barreto.


“Verde que te quero verde./ Verde vento. Verdes ramas./ O barco vai sobre o mar/ e o cavalo na montanha.../Verde que te quero verde./ Grandes estrelas nascem com o peixe da sombra/ que rasga o caminho da alva..../ A figueira raspa o vento/ a lixá-lo com as ramas,/ e no monte o gato selvagem,/ eriça as piteiras ásperas..../ Que eu possa subir!/ até às verdes varandas,/ Até balaustradas da lua por onde retumba a água..../ Verde carne, tranças verdes,/ com olhos de fria prata..../ Ponta gelada de lua? Sustenta-a por cima da água..../ A noite se fez tão íntima/ como uma pequena praça.../ Verde que te quero verde./ Verde vento. Verdes ramas...”. (fragmento do poema “Romance Sonâmbulo”, de Federico Garcia Lorca, tradução de Afonso Felix de Sousa, Editora Leitura, Rio de Janeiro, 1966).

Matar a Natureza é Matar o Lucro – Da reportagem de Gabriela Carelli, revista VEJA de 09]06]2010).

1) “Os serviços prestados gratuitamente pela natureza ao ser humano: água limpa, solo fértil para o plantio de alimentos, a purificação do ar pelas florestas, a polinização e outros recursos naturais...”.

2) O “nosso futuro comum”, de acordo com os termos de um Relatório Sobre o Meio Ambiente, da ONU, “exprime a idéia de que o desenvolvimento não pode implicar riscos à Natureza a ponto de prejudicar as gerações futuras”. Assim, “as empresas de todos os ramos de atividades” precisam saber “que destruir a natureza é reduzir seus próprios lucros”.

3) Transição para a economia verde do mercado mundial de bens e produções, segundo Pavan Suthdev, economista indiano, ao longo da mesma reportagem da revista paulista: “Em vez de arrecadar impostos sobre renda e os bens, como é feito hoje, seria melhor taxar os efeitos externos negativos da atividade empresarial. As alíquotas deveriam ser aplicadas sobre o uso dos recursos naturais e dos materiais. O modelo atual apenas incentiva o mau uso do capital”, além de arrasar com o meio-ambiente e a vida no planeta.


TERRA SECA (poema deste cronista constante no livro “Mel e Veneno”, Editora Expresso, Divinópolis, 1984).

Sol desleal, sem a mínima borboleta.

O lenhador te dá as chaves da capoeira
E massacras três milhões de donzelas.

Nenhuma árvore me acompanhará
Estrada afora, rumo às nascentes.
Nenhuma vaca terá sossego na fazenda.

E sem cantos de inverno, imóveis
Na sensação aquém da saciedade
Os precoces espelhos da fera morte
cintilam no deserto do velho céu.


QUANDO QUANDO (poema constante no livro “Árvore no Telhado”, deste cronista, edição do Movimento AGORA, em Divinópolis, 1969:

Quando a tarde prosperava demais,
escrevendo seus poemas herméticos,
obriguei-me a deixá-la, vindo para dentro.
Aqui estou no meio das palavras,
procurando algumas que sejam todas.

Quando um dardo me procurou
na colônia dos homens imaturos,
tive que fugir para o mato,
conferir os pássaros e as flores,
a procura de um tigre, uma pedra,
uma árvore que me consolasse.

1 Comments:

Anonymous Marilda said...

Eis o grandioso García Lorca, a inaugurar neste poema uma frase que, sem que tivesse a intenção, viesse a calhar perfeitamente na nossa busca incessante pelo verde, pela natureza. "O barco sobre o mar, e o cavalo na montanha... Compadre, quero trocar meu cavalo por sua casa..." Poema esplêndido! Um grande abraço da Leitora Marilda Mendes.

6:39 PM  

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