sábado, junho 19, 2010

A VIDA E O MUNDO - Lázaro Barreto.


Quem nasceu primeiro, a Vida ou o Mundo? O ovo ou a galinha? Onde se esconde o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba? Perguntas retóricas. Respostas evasivas? O melhor da festa é esperar por ela, o melhor do Mundo é a Vida. Para quem tem consciência de si mesmo, cada pergunta é uma resposta. Ou não? É sim, mas há controvérsias....

A origem da Vida, segundo Herton Escobar (jornal “Estado de São Paulo”, edição de 06/06/2010), que transcrevo a meu modo, ou seja, sem as reticências da literalidade, mas com a consciência da fidelidade:
- Todos os seres vivos possuem DNA,ou seja, todas as espécies do planeta originaram-se de um ancestral comum a cada espécie, isso em bilhões de anos atrás.
- Meteoritos microscópicos caem continuamente na Terra, sem sofrer superaquecimento na atmosfera. Se portarem bactérias, eles podem sobreviver. Em contato com água líquida e temperatura adequada, as bactérias reidratadas voltariam a se proliferar, semeando a vida no planeta.
- Teoria da Pauspermi, segundo a qual a Vida pode não ter se originado na Terra, mas em outro ponto do Universo, e caído aqui já pronta, trazida por um cometa, meteorito ou coisa parecida.
- “Nossos ancestrais genéticos ainda se escondem entre as estrelas”.
- É possível mostrar que cometas em órbita ainda carregam vida microbiana, e que micróbios continuam a ser introduzidos na Terra por cometas até os dias de hoje.

- “Vemos o objeto iluminado e não a luz” – assim Goethe, poeta iluminado, assegura.

O DIA DOS FILHOS.

Há cinco anos que ganhei de minha filha uma camisa amarela (e este foi apenas um dos incontáveis presentes que tenho recebido dela), que visto continuamente por assentar-me muito bem. Sempre impecável na cor e na inteireza. Minhas filha sempre jogou no time dos perfeccionistas: os melhores desempenhos nos cursos, estágios e empregos, ao longo dos anos. Quando nos ciceroniou numa inesquecível viagem à Portugal, foi metódica, cordial, perfeita. Agiu como se conhecesse todo o País, seu sistema de acomodações e de transportes e, principalmente, seus principais pontos maravilhosos de turismo.

O filho, igualmente metódico e persuasivo, destaca-se pela vocação científica. Em criança queria saber o que ainda faltava para ser inventado (queria suprir a lacuna). Desmontava os brinquedos para remontá-los em seguida e assim entender a engrenagem mecânica deles, adquirindo novas idéias e imagens em seu prematuro currículo. Até hoje é assim: vivendo em São Paulo corrige os defeitos em nossos eletrodomésticos através de simples telefonemas. Está muito feliz em sua especialidade profissional, realizado e realizando as demandas tecnológicas de nosso tempo.

É por tudo isso que percebo no calendário anual consagrado às homenagens aos acontecimentos e aos seres nos Dias disso e daquilo, a ausência de um DIA DOS FILHOS, celebrando e festejando as realizações e a importância dos mesmos a favor da vida familiar e social em todos os tempos e lugares do mundo. Se existe o Dia das Mães, dos Namorados, dos Profissionais disso e daquilo, por que não se admite no calendário oficial o DIA DOS FILHOS?


CIVILIZAÇÃO?
- Segundo Willian Faulkner (que todo ano relia o romance “Moby Dick”, de Herman Melville), os três personagens Ismael, Queequeg e Ahab, representam a trindade da consciência: o não conhecer, o conhecer sem problemas, e o conhecer problemático.
- Sempre que a neurastemia da depressão me atacava e a alma hibernava do corpo apático, eu dava um jeito de fugir para os longes do mato e assim proteger-me junto aos seres mais verdes, que logo me consolavam, rejuvenescendo-me.
- Como Melville, que gostava de navegar em mares perigosos e desembarcar em praias selvagens, eu também gosto de chegar aos lugares aparentemente fechados, realmente inusitados.
- Os brancos cristãos eram piores do que os pagãos da ilha selvagem, reconhecia Melville.
- “Eu agrediria mesmo o sol se ele me insultasse” – é o que afirma um dos marinheiros do livro.

- “Eu já ia célere pelos rios impassíveis,
não me sentia mais guiar pelos sirgadores.
Deles fizeram alvo os índios irrascíveis,
depois de os atar, nus, aos postes multicores”.
(assim poetava lindamente Artur Rimbaud, no antológico poema “O Barco Doido, tradução de Augusto Meyer).